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dez 11

NGC 4696: uma galáxia elíptica única com um centro filamentoso esculpido por seu buraco negro supermassivo revelada pelo Hubble

https://cdn.spacetelescope.org/archives/images/large/heic1621a.jpg

Essa imagem capturada pela câmera WFC3 (Wide Field Camera 3) do Telescópio Espacial Hubble mostra a NGC 4696, a maior galáxia no Aglomerado de Centauro. Essa nova imagem do Hubble mostra os poeirentos filamentos que envolvem o centro dessa enorme galáxia no maior nível de detalhes jamais atingido. Esses filamentos se curvam para dentro em intrigantes formatos espirais, envolvendo o buraco negro supermassivo a uma tal distância que serão dragados e eventualmente consumidos pelo buraco negro em si.

Novas observações do no Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revelaram a intrincada estrutura da galáxia NGC 4696 em um nível de detalhes jamais alcançado. Essa galáxia elíptica é uma belíssima anomalia cósmica com um núcleo brilhante entranhado em um emaranhado sistema de filamentos escuros agrupados em redemoinhos enroscados.

NGC 4696 é um membro do aglomerado de galáxias Centaurus, um conjunto de centenas de galáxias agrupadas e unidas pela gravidade, residente a cerca de 150 milhões de anos-luz da Terra, na direção da  e localizados na constelação de Centaurus.

Apesar do tamanho do aglomerado, NGC 4696 ainda consegue se destacar entre suas companheiras. Afinal, trata-se do membro mais brilhante do aglomerado, conhecido por razões óbvias como BCG (Brightest Cluster Galaxy), ou seja, o objeto mais brilhante do aglomerado. Isso a coloca na mesma categoria de algumas das maiores e mais brilhantes galáxias conhecidas no Universo.

Embora a NGC 4696 tenha companheiras também excepcionais, ela tem uma distinção mais: a sua estrutura única. Observações anteriores revelaram filamentos encurvados que se estendem para fora de seu corpo principal que esculpem um ‘ponto de interrogação cósmico no céu’ (leia: NGC 4696: a cosmic question mark), como ‘gavinhas’ escuras que cercam um centro luminoso brilhante. Ver a imagem abaixo:

http://www.spacetelescope.org/news/heic1013/

Essa foto capturada pela câmera ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble mostra a NGC 4696, a maior galáxia do Aglomerado de Centaurus. A enorme faixa de poeira, que mede cerca de 30.000 anos-luz, que circula a face da galáxia faz com que NGC 4696 seja muito diferente da maioria das outras galáxias elípticas. Observada sob certos comprimentos de onda, estranhos filamentos finos de hidrogênio ionizado são visíveis lá dentro. Nessa imagem essas estruturas aparecem como um sutil efeito de brilho em ‘mármore’ através do brilhante cento da galáxia.

Uma equipe internacional de cientistas, liderada por astrônomos da Universidade de Cambridge no Reino Unido, usou agora novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para explorar esta estrutura em forma de rosca em mais detalhes. Eles descobriram que cada um dos filamentos empoeirados tem uma largura de cerca de 200 anos-luz e uma densidade cerca de 10 vezes maior do que o gás circundante. Estes filamentos tricotados juntos espiralam para dentro na direção do centro da NGC 4696, conectando o gás constituinte da galáxia ao seu núcleo.

De fato, parece que o núcleo da galáxia é realmente responsável pela forma e posicionamento dos próprios filamentos. No centro da NGC 4696 um buraco negro supermassivo ativo está à espreita. A interação do objeto com o meio circundante inunda as regiões internas da galáxia com energia, aquecendo o gás lá presente e expulsando fluxos de material aquecido para fora.

Parece que esses fluxos de gás quente borbulham para fora, arrastando o material filamentoso com eles a medida que avançam. O campo magnético da galáxia também é varrido com este movimento borbulhante, restringindo e esculpindo o material dentro dos filamentos.

Bem no centro da galáxia, os filamentos se enrolam e se curvam para dentro em uma forma espiral intrigante, girando em torno do buraco negro supermassivo a uma distância tal que eles serão arrastados e eventualmente consumidos pelo próprio buraco negro.

Entender mais sobre as galáxias filamentosas como a NGC 4696 pode nos ajudar a entender melhor por que tantas galáxias massivas próximas a nós no Universo parecem estar mortas. Ao invés de formar estrelas recém-nascidas a partir de suas vastas reservas de gás e poeira, alas, em vez sentar-se quietamente, são principalmente povoadas com estrelas antigas e envelhecidas. Este é o caso da NGC 4696. Pode ser que a estrutura magnética fluindo em toda a galáxia impede do gás de criar novas estrelas.

Fontes

Hubble

APOD: NGC 4696: Filaments around a Black Hole – créditos: NASAESAHubbleA. Fabian

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