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ago 27

V1213 Centauri: anã branca em par binário saiu da hibernação e os astrônomos acompanham o ciclo de vida de uma explosão de ‘Nova Clássica’

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Impressão artística da explosão de uma ‘Nova Clássica’. Créditos: Krzysztof Ulaczyk/Observatório Astronômico da Universidade de Varsóvia

Astrônomos do Observatório Astronômico da Universidade de Varsóvia, baseados no recenseamento de longo termo e em grande escala do OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment) anunciaram os resultados da análise de uma extraordinária explosão estelar.

Observações de longo prazo do comportamento da ‘nova clássica’ designada por V1213 Centauri, no período compreendido entre os anos 2003 e 2016, forneceram novas informações sobre a evolução e mecanismos destas espetaculares explosões cósmicas.

As maiores explosões estelares recorrentes

Przemek Mróz, autor principal e estudante de pós-doutoramento no Observatório Astronômico da Universidade de Varsóvia, explicou:

As erupções das ‘novas clássicas’ estão entre as maiores explosões estelares [recorrentes] observadas no Universo. Em poucas horas, as ‘novas’ aumentam o brilho estelar por um fator de vários milhares, tornando-se nos objetos mais brilhantes na Via Láctea.

As ‘novas clássicas’ são sistemas binários íntimos compostos de uma anã branca que realiza a acreção, roubando matéria de uma companheira estelar de baixa massa. O material rico em hidrogênio acumula-se sobre a superfície da anã branca e assim que a sua massa atinge um valor crítico é deflagrada uma reação termonuclear descontrolada, provocando uma grande explosão, que resulta na erupção de uma ‘nova clássica’. Os astrônomos julgam que em cada sistema deste gênero, as erupções se repetem em largas escalas de tempo que podem levar de milhares a milhões de anos, o que torna praticamente impossível traçar o comportamento do sistema durante todo esse tempo.

O cenário de hibernação

Uma das hipóteses, conhecido como o “cenário de hibernação”, prevê que várias décadas após a erupção o sistema caia em um estado de baixa atividade (conhecido como “hibernação”), quando a transferência de massa virtualmente cessa. A hipótese de hibernação ganhou algum apoio graças à descoberta de antigas conchas de ‘novas’ ao redor de dois sistemas com uma baixa taxa de transferência de massa. No entanto, ainda não foram encontradas evidências diretas de alterações consideráveis na transferência de massa antes, durante e após as ‘novas clássicas’.

Os autores do artigo na “Nature” apresentam suas observações da nova clássica V1213 Centauri (Nova Centauri 2009), que explodiu no dia 8 de maio de 2009. A estrela está localizada na direção da constelação de Centauro a uma distância de 23 mil anos-luz da Terra. Os astrônomos analisaram as observações coletadas através do telescópio de 1,3 metros localizado no Observatório Las Campanas, no Chile.

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Nos painéis superiores temos os quatro quadros que retratam o ciclo de vida da ‘nova clássica’ V1213 Centauri. No painel inferior uma vista da Via Láctea sobre o domo do telescópio de Varsóvia no Observatório de Las Campanas, demarcando o local onde se deu o fenômeno. Créditos: J. Skowron, K. Ulaczyk / Warsaw University Observatory

Przemek Mróz comentou:

As nossas observações estão de acordo com as previsões do “cenário de hibernação”. Este é o primeiro caso em que a evolução de uma ‘nova clássica’ pode ser investigada de forma tão precisa.

Antes da erupção de 2009, o sistema mostrava ‘explosões de novas anãs’ (aumentos pequenos e periódicos de brilho), sugerindo uma transferência instável de pouca massa entre as duas estrelas. Atualmente, o sistema está significativamente mais brilhante do que antes da explosão, sugerindo que a transferência de massa aumentou como resultado da ‘nova clássica’. Isto está de acordo com as previsões fundamentais da “hipótese de hibernação”.

Qual será o destino de V1213 Centauri?

Durante as próximas décadas a taxa de transferência de massa deverá diminuir gradativamente e o sistema estelar também deverá diminuir gradualmente seu brilho. A estrela voltará ao estágio de anã branca e possivelmente cairá em hibernação durante milhares de anos, até que desperte novamente e exploda como uma ‘nova clássica’. V1213 Centauri, com o seu bem conhecido comportamento de pré e pós-erupção, poderá consistir em uma “Pedra de Rosetta” para os estudos da evolução das ‘novas clássicas’. As continuadas e detalhadas observações de acompanhamento, durante as próximas décadas, irão permitir novos testes da evolução a longo prazo da ‘nova clássica’.

Andrzej Udalski, diretor do Observatório da Universidade de Varsóvia e membro do time do OGLE, destacou:

A nossa descoberta é outro caso que demonstra o quanto as observações a longo termo do OGLE são cruciais para os estudos de fenômenos únicos e extremamente raros. Há alguns anos, observamos um processo de fusão entre duas estrelas, o que levou a uma outra forma distinta de explosão estelar, conhecida como uma ‘nova vermelha’.

Um dos primeiros objetivos do recenseamento cósmico OGLE foi o de descobrir matéria escura usando a técnica de microlente gravitacional. Atualmente, os seus estudos cobrem uma grande variedade de tópicos: a procura por exoplanetas, os estudos da estrutura e evolução da Via Láctea e das galáxias vizinhas, estrelas variáveis, quasares e transientes.

Fontes

Universidade de Varsóvia: Star caught exploding out of hibernation

Phys.org: Classical nova captured before, during and after exploding

Artigo Científico

Nature: The awakening of a classical nova from hibernation

._._.

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