«

»

maio 28

28 de maio de 1959: a missão dos macacos espaciais celebra aniversário

space-monkey-tube-540-miss-baker-nasa

Miss Baker, um macaco-esquilo fêmea, está enclausurada em sua cápsula e pronta para ser enviada para viajar a bordo do foguete da classe Júpiter. Ela viajou pelo espaço em 28 de maio de 1959 acompanhada de Able, um macaco rhesus que nasceu nos EUA

28 de maio de 1959

Não Há Dia Sem História

Macacos Espaciais

A imagem à esquerda não é um astronauta primata do “Planeta dos Macacos“. Essa é, de fato, imagem de um verdadeiro macaco espacial.

Em 28 de maio de 1959, há 57 anos, um macaco rhesus chamado Able e um macaco-esquilo fêmea chamada Miss Baker tornaram-se os primeiros ‘astronautas’ a sobreviver e retornar do espaço.

Hoje celebramos o aniversário do primeiro voo no espaço bem sucedido com seres vivos.

Embora não tenham sido os primeiros animais lançados no espaço, Able e Baker ajudaram a trilhar o caminho para os vôos espaciais tripulados humanos, dois anos após,  mostrando que primatas podem sobreviver aos rigores do lançamento e retorno de uma espaçonave. Seus sinais vitais foram monitorados durante a missão, dando aos cientistas um melhor entendimento do estresse que a jornada espacial inflige em um corpo vivo.

Lançada a bordo do foguete AM-18 Júpiter, Able e Baker voaram a uma altura de aproximadamente 580 quilômetros e viajaram uma distância de 2.750 quilômetros desde a plataforma de lançamento no Cabo Canaveral, Eastern Space Missile Center, na Flórida até seu destino, em alto mar.

A cápsula com os símios espaciais retornou a Terra pousando no oceano e foi recuperada por um navio da marinha americana comandado por Joseph Guion.

O comandante Guion contou a NASA, na ocasião do resgate: “Tão logo retiramos a cápsula da água do mar, ela começou a balançar. O navio estava girando e a cápsula balançava para frente e para trás. Eu estava esperançoso que ninguém se ferisse… Nós ainda não sabíamos se os macacos estavam vivos, pois não tínhamos os dados de telemetria. E assim um dos técnicos correu e conectou o cone e disse, ‘Eles estão vivos!’. Então todos gritamos ‘Yay!’ e finalmente pude dizer ‘Ah! Podemos relaxar'”.

O vôo inteiro durou apenas 15 minutos, e durante 9 minutos os dois mini-astronautas experimentaram a ‘falta de peso’. Após a recuperação da sua cápsula, os macacos foram mantidos relaxados em um quarto especial com ar-condicionado no navio. A seguir foram levados para Washington, D.C. para uma conferência de imprensa.

No vídeo abaixo temos o documentário mostrando os macacos sendo preparados para a missão, o lançamento, o resgate dos macacos e a apresentação deles na conferência com a imprensa [ “Able and Baker blast off, from Universal News 1959” ].

E qual foi o destino dos heróis símios?

Túmulo de Miss Baker. Crédito: DCmemorials.com

Túmulo de Miss Baker. Crédito: DCmemorials.com

Able morreu, infelizmente, alguns dias após o vôo. Ela necessitava de uma cirurgia para remover um eletrodo médico infectado e teve uma reação adversa ao anestésico usado.

O corpo da macaca Able foi tratado usando a técnica de  taxidermia e reinserido dentro da cápsula usada na viagem e permanece exposto no Smithsonian Institute em Washington até hoje.

Miss Baker, entretanto, sobreviveu por mais 25 anos, vivendo no U.S. Space and Rocket Center em Huntsville, Alabama. Durante o resto de sua vida, ela recebeu uma média de 100 cartas por dia de crianças que leram sobre suas aventuras em livros e queriam dar um ‘Alô’ a macaca.

A contribuição de Miss Baker foi lembrada quando de sua morte e seu funeral em 1984 teve a presença de mais de 300 pessoas. A macaca está enterrada em frente do Alabama Rocket Center e seu tumulo possui uma lápide destacando seu importante papel na história das missões espaciais.

As tentativas anteriores

Os primatas não foram os primeiros animais enviados intencionalmente ao espaço. Essa honra pertence a outro reino animal: o dos insetos. As moscas de fruta foram enviadas ao espaço, junto uma amostra de sementes de milho no teste de 1947 para avaliação dos efeitos da radiação em elevadas altitudes.

A bem sucedida missão com os macacos Able e Baker foi precedida por uma série de tentativas fracassadas de lançar primatas no espaço. A 1ª tentativa foi com o macaco Albert que voou 63 km em 11 de junho de 1948 a  bordo de um foguete V2, mas morreu sufocado durante o vôo. Albert II foi mais além e conseguiu sobreviver no espaço, acima da altura de 100 km, mas não conseguiu suportar o impacto da reentrada em 14 de junho de 1949.

Por mais de uma década todos os vôos com macacos falharam por diversas razões. Em um dos casos o foguete explodiu. Em outra ocasião o macaco morreu no impacto devido a falha do para-quedas da cápsula espacial. Em outra falha no para-quedas a cápsula afundou no mar e nunca foi recuperada. Em das missões houve um sucesso parcial: os macacos foram recuperados vivos mas o veículo espacial não atingiu a altura suficiente para que o vôo tenha sido considerado uma verdadeira viagem espacial.

Laika a heroína espacial soviética de 1957

Laika a heroína espacial soviética de 1957

Paralelamente os soviéticos enviavam cachorros em vôos sub-orbitais bem sucedidos tendo enviado e recuperado pelo menos 30 animais. O primeiro animal que realmente orbitou a Terra foi a cadela Laika que não sobreviveu a totalidade da jornada. Laika morreu entre cinco e sete horas depois do lançamento, bem antes do planejado. A causa de sua morte, que só foi revelada décadas depois do vôo, foi, provavelmente, uma combinação do estresse sofrido pelo animal e o superaquecimento, talvez ocasionado por uma falha no sistema de controle térmico da nave. Apesar do acidente, essa experiência demonstrou ser possível para um animal suportar as condições de microgravidade, abrindo caminho assim para participação humana em vôos espaciais. Laika viajou a bordo da nave soviética Sputnik II, em 3 de novembro de 1957, um mês depois do lançamento do satélite Sputnik I, o primeiro objeto artificial a entrar em órbita.

Assim, para celebrar esse evento histórico da exploração espacial, talvez seja adequado comermos uma banana no café-da-manhã (ou no almoço, ou no jantar, como preferir)…

Fontes e referências:

The Register: NASA marks 50th anniversary of monkey spaceflight [ “My god, it’s full of bananas” ] por Austin Modine

Universe Today: 50th Anniversary of Historic Space Monkey Flight por Nicholos Wethington

npr.org: After 50 Years, Space Monkeys Not Forgotten por Nell Greenfieldboyce

Aqui vemos Able sendo preparado para um teste pré-vôo. Crédito: NASA

Aqui vemos Able sendo preparado para um teste pré-vôo. Crédito: NASA

Able é extraído da cápsula espacial depois de ter sido recuperado no oceano

Able é extraído da cápsula espacial depois de ter sido recuperado no oceano

2 menções

  1. 14 de junho de 1949 – Macacos espaciais: uma questão de bioética » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] Para saber mais leia: 28 de maio de 1959: a missão dos macacos espaciais celebra aniversário […]

  2. 14 de junho de 1949 – Macacos espaciais: uma questão de bioética « O Universo – Eternos Aprendizes

    […] Para saber mais leia: 28 de maio de 2009: a missão dos macacos espaciais celebra aniversário de 50 anos […]

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

error: Esse blog é protegido!