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mar 09

IRAS 08544-4431: ESO revela a imagem mais nítida até hoje de um disco de poeira em torno de uma estrela anciã

http://www.eso.org/public/images/eso1608a/

O Interferômetro do Very Large Telescope instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, obteve a imagem mais nítida até hoje de um disco de poeira em torno de um par de estrelas envelhecidas, IRAS 08544-4431. Pela primeira vez estas estruturas podem ser comparadas aos discos que se situam em torno de estrelas jovens, além do fato de que são surpreendentemente similares. É até possível que um disco que apareça no final da vida de uma estrela possa ainda dar origem uma segunda geração de planetas. Esta figura mostra a imagem do VLTI reconstruída, com a estrela central mais brilhante removida. O plano de fundo mostra o meio em volta desta estrela, situada na constelação da Vela. Créditos: ESO/Digitized Sky Survey 2 & Davide De Martin

O Interferômetro do Very Large Telescope instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, obteve a imagem mais nítida até hoje de um disco de poeira em torno de uma estrela envelhecida. Pela primeira vez estas estruturas podem ser comparadas aos discos que se situam em torno de estrelas jovens, além do fato de que são surpreendentemente similares. É até possível que um disco que apareça no final da vida de uma estrela possa ainda dar origem uma segunda geração de planetas.

À medida que se aproximam do final das suas vidas, muitas estrelas desenvolvem discos estáveis de gás e poeira à sua volta. Este material é ejetado por ventos estelares na época em que a estrela se encontra na fase evolutiva de gigante vermelha. Estes discos parecem-se com os que formam planetas em torno de estrelas jovens. Mas, até agora, os astrônomos nunca tinham conseguido comparar os dois tipos de discos, ou seja, os que se formam no início e os que se formam no final do ciclo de vida das estrelas.

Embora existam muitos discos associados a estrelas jovens que estão suficientemente perto de nós para poderem ser estudados em detalhe, não existem estrelas velhas com discos suficientemente perto da Terra para que possamos obter imagens detalhadas.

Mas isso agora mudou. Uma equipe de astrônomos liderada por Michel Hillen e Hans Van Winckel do Instituut voor Sterrenkunde de Leuven, na Bélgica, utilizou todo o poder do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, com o instrumento PIONIER e o recentemente atualizado detector RAPID.

O alvo da equipe foi uma estrela dupla velha, IRAS 08544-4431 [1], que se situa a cerca de 4000 anos-luz de distância da Terra na constelação austral da Vela. Esta estrela dupla consiste numa gigante vermelha, que expeliu o seu material para um disco de poeira à sua volta, e uma estrela menos evoluída mais normal que orbita próximo da gigante vermelha.

http://www.eso.org/public/images/eso1608b/

O Interferômetro do Very Large Telescope instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, obteve a imagem mais nítida até hoje de um disco de poeira em torno de um par de estrelas envelhecidas, IRAS 08544-4431. Pela primeira vez estas estruturas podem ser comparadas aos discos que se situam em torno de estrelas jovens, além do fato de que são surpreendentemente similares. É até possível que um disco que apareça no final da vida de uma estrela possa ainda dar origem uma segunda geração de planetas. Esta figura mostra a imagem do VLTI reconstruída, com a estrela central mais brilhante removida. Também se vê o brilho mais fraco emitido pela estrela secundária, o que surpreendeu os observadores. Crédito: ESO

Jacques Kluska, membro da equipe da Universidade Exeter, no Reino Unido, explicou:

Ao combinar a radiação coletada pelos vários telescópios do Interferômetro do Very Large Telescope, obtivemos uma imagem com nitidez surpreendente — o equivalente ao que um telescópio com um diâmetro de 150 metros conseguiria ver. A resolução é tão elevada que, em termos de comparação, poderíamos determinar o tamanho e a forma de uma moeda de 1 euro vista a uma distância de 2.000 quilômetros!

Graças à nitidez sem precedentes das imagens [2] obtidas pelo Interferômetro do Very Large Telescope e a uma técnica nova que consegue remover as estrelas centrais da imagem de modo a vermos o que está ao seu redor, a equipe pôde obter pela primeira vez todos os blocos constituintes do sistema IRAS 08544-4431.

A estrutura mais proeminente da imagem é claramente o disco resolvido. O limite interior do disco, observado pela primeira vez nestas imagens, corresponde muito bem ao que se espera do começo de um disco de poeira: a poeira próxima da estrela evapora-se devido à violenta radiação emitida por estes objetos.

http://www.eso.org/public/images/eso1608d/

Esta imagem colorida mostra a rica paisagem celeste na constelação da Vela, em torno da estrela dupla envelhecida IRAS 08544-4431, a qual pode ser vista como a estrela moderadamente brilhante no exato centro da imagem. Esta imagem foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2 e inclui também outros objetos interessantes. No fundo da imagem podemos ver a Nebulosa do Lápis (NGC 2736), juntamente com as nuvens laranja de regiões de formação estelar e os filamentos azuis que fazem parte dos Restos da Supernova da Vela. Créditos: ESO/Digitized Sky Survey 2 & Davide De Martin

O autor principal Michel Hillen acrescentou:

Ficamos surpresos ao descobrir um brilho mais fraco que vem muito provavelmente de um pequeno disco de acreção que se encontra em torno da estrela companheira. Sabíamos que esta estrela era dupla, mas não esperávamos ver a companheira de forma direta. É realmente graças ao imenso salto em desempenho fornecido pelo novo detector PIONIER que conseguimos ver as regiões mais internas deste sistema distante.

A equipe descobriu que os discos em torno das estrelas velhas são na realidade muito semelhantes aos discos que formam planetas em torno de estrelas jovens. Teremos ainda que determinar se realmente se poderá formar uma segunda geração de planetas em torno destas estrelas velhas, no entanto esta possibilidade é claramente intrigante.

Hans Van Winckel concluiu:

As nossas observações e modelos abrem uma nova janela no estudo da física destes discos, assim como na evolução estelar de estrelas duplas. Pela primeira vez as complexas interações entre sistemas binários próximos e o meio empoeirado ao seu redor podem ser resolvidas no espaço e no tempo.

Este trabalho foi descrito no artigo científico intitulado “Imaging the dust sublimation front of a circumbinary disk”, assinado por M. Hillen et al., a ser publicado em Astronomy & Astrophysics Letters.

http://www.eso.org/public/images/eso1608c/

Este mapa mostra a localização (círculo vermelho) da estrela dupla envelhecida IRAS 08544-4431 na constelação da Vela, onde estão assinaladas todas as estrelas visíveis a olho nu numa noite escura e límpida. Esta estrela pode ser vista através de um pequeno telescópio, aparecendo como um único ponto de luz tênue bastante comum. Créditos: ESO/IAU and Sky & Telescope

Notas

[1] O nome do objeto indica que se trata de uma fonte de radiação infravermelha que foi detectada e catalogada pelo satélite IRAS nos anos 1980.

[2] A resolução do VLTI, quando usado com os quatro Telescópios Auxiliares, foi cerca de um milissegundo de arco (um milésimo de 1/3.600 de grau).

Fonte

ESO: eso1608 — Sharpest View Ever of Dusty Disc Around Aging Star – VLTI finds discs around aging stars similar to those around young ones

Artigo Científico

Imaging the dust sublimation front of a circumbinary disk

._._.

eso1608a-Imaging-the-dust-sublimation-front-of-a-circumbinary-disk

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