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jan 22

ASAS-SN-15lh: a supernova mais luminosa já detectada

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Impressão artística de como apareceria a poderosa supernova super luminosa ASAS-SN-15lh a partir de um exoplaneta localizado a 10.000 anos-luz de distância do fenômeno, na galáxia hospedeira dessa supernova. Crédito: Wayne Rosing

Um time de astrônomos descobriu a supernova mais luminosa já observada, denominada ASAS-SN-15lh.

As supernovas são violentas explosões estelares e alguns dos objetos mais brilhantes do Universo. Os registos humanos documentam a existência de tais fenômenos há quase 2.000 anos. Nas duas últimas décadas os astrônomos descobriram uma nova categoria rara de supernovas super luminosas, cem a mil vezes mais brilhantes que as supernovas mais comuns. Os cientistas sugerem a teoria de que estas supernovas super luminosas são alimentadas por magnetares, estrelas de nêutrons com campos magnéticos extremamente poderosos, com o magnetismo fornecendo o motor da luminosidade imensa. De acordo com esta teoria, a rotação do campo magnético amplia a energia da explosão, aumentando a luminosidade do evento.

Por mais contra intuitivo que possa parecer, as supernovas super luminosas são muito difíceis de se detectar. Isto porque são raras e tendem a formar-se em galáxias de baixa luminosidade com formação estelar vigorosa, ao passo que os estudos do céu tradicionalmente usados para localizar supernovas têm tradicionalmente usado como alvo galáxias brilhantes com taxas baixas de formação estelar.

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Comparação entre uma imagem a cores falsas pré-explosão pelo DES (Dark Energy Survey) e uma imagem a cores falsas pós-explosão pela rede LCOGT de 1 metro. Crédito: Benjamin Shappee

A recém descoberta supernova super luminosa foi registrada pela equipe do programa ASAS-SN (All Sky Automated Survey for SuperNovae), uma colaboração internacional com sede na Universidade Estatal do Ohio, EUA, que usa uma rede de telescópios com 14 cm de abertura espalhados pelo mundo para varrer o céu visível a cada duas ou três noites à procura de supernovas muito brilhantes. Trata-se do único levantamento da variabilidade de todo o céu em em operação, o qual é capaz de encontrar supernovas regulares em até 350 milhões de anos-luz da Terra.

Benjamin Shappee, membro do Instituto Carnegie para Ciência, Washington, EUA, explicou:

No dia 14 de junho de 2015, nós avistamos uma explosão em uma galáxia a uma distância desconhecida, As observações subsequentes, incluindo aquelas feitas no nosso Observatório de Las Campanas por Nidia Morrell e Ian Thompson, permitiram com que o time confirmasse a existência da supernova [superluminosa] ASAS-SN-15lh.

O espectro da supernova tem correspondência com o de outras supernovas super luminosas pobres em hidrogênio. Mas só quando foram realizadas novas observações de acompanhamento é que Subo Dong, membro do Instituto Kavli para Astronomia e Astrofísica, autor principal do estudo, e o resto da equipe perceberam o quanto incomum é esta supernova.

http://www.skyandtelescope.com/wp-content/uploads/ASASSN-15lh-light-curve.jpg

A curva de luz de ASAS-SN-15lh é bem mais luminosa do que outras supernovas, mesmo aquelas na classe de “superluminosa”. No seu pico, ASAS-SN-15lh foi 200 vezes mais brilhante que uma supernova do Tipo Ia e duas vezes mais brilhante que a detentora anterior do recorde, iPTF13ajg.
Crédito: Sky & Telescope

De fato, tratava-se de uma supernova duas vezes mais luminosa que a detentora anterior do recorde, iPTF13ajg. Na verdade, no seu pico, ASAS-SN-15lh foi quase 50 vezes mais luminosa que toda a nossa Galáxia Via Láctea.

Nidia Morrell comentou:

Quando o primeiro espectro du Pont ficou disponível, como usual, eu verifiquei rapidamente qual tipo de supernova essa se tratava. Para minha surpresa, nem fui capaz de dizer que era uma supernova. A minha primeira reação foi: ‘isto é interessante, devíamos recolher mais dados’. Só quando obtivemos espectros de mais alta resolução, pelo SALT (Southern African Large Telescope) e pelo Telescópio Magalhães, é que percebi quão distante estava a galáxia hospedeira [3,8 bilhões de anos-luz] e consequentemente quão luminosa era a supernova.

Além disso, os astrônomos determinaram que a galáxia a qual pertence ASAS-SN-15lh é muito atípica para uma supernova superluminosa, o que levanta questões sobre como estes tipos de supernovas se formam. A sua galáxia hospedeira não é a típica galáxia de baixa luminosidade e com formação estelar onde as supernovas superluminosas anteriores foram avistadas. A galáxia de ASAS-SN-15lh é, de fato, mais luminosa que a nossa própria Via Láctea.

Benjamin Shappee completou:

A espantosa quantidade de energia liberada por esta supernova sugere a teoria de formação por magnetar. Será necessário mais trabalho para entender a fonte de energia deste objeto e para compreender se existem outras supernovas semelhantes além no Universo.

Fonte

Carnegie Science: DISCOVERY: MOST-LUMINOUS EVER SUPERNOVA

._._.

1507.03010v3-ASASSN-15lh-A-Highly-Super-Luminous-Supernova

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