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set 03

Gum 56: reciclagem cósmica na Nebulosa do Camarão

http://www.eso.org/public/images/eso1535a/

A rica tapeçaria de nuvens de gás que vemos nesta imagem faz parte da enorme maternidade estelar chamada Nebulosa do Camarão (também conhecida por Gum 56 e IC 4628). Obtida com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla no Chile, esta pode bem ser uma das melhores fotografias deste objeto. A imagem mostra nodos de estrelas quentes recém nascidas em casulos entre as nuvens que compõem a nebulosa. Crédito: ESO

Parte da nebulosa gigante Gum 56 domina esta imagem, iluminada por estrelas jovens quentes e brilhantes que nasceram no seu interior. Durante milhões de anos formaram-se estrelas a partir do gás desta nebulosa, material que é posteriormente devolvido à maternidade estelar quando as estrelas envelhecidas expelem a sua matéria lentamente para o espaço ou mais dramaticamente sob a forma de explosões de supernovas.

Profundamente embebidos nesta maternidade estelar gigante encontram-se três aglomerados de estrelas jovens quentes — com apenas alguns milhões de anos de idade — que brilham intensamente no ultravioleta. É a luz destas estrelas que faz com que as nuvens de gás da nebulosa resplandeçam. A radiação arranca os elétrons aos átomos — num processo chamado ionização — e quando estes se recombinam liberam energia sob a forma de luz. Cada elemento químico emite luz em determinada cor e as enormes nuvens de hidrogênio na nebulosa são a causa deste intenso brilho avermelhado.

Gum 56 — também conhecida por IC 4628 ou Nebulosa do Camarão — retira o seu nome do astrônomo australiano Colin Stanley Gum que, em 1955, publicou um catálogo de regiões H II. As regiões H II, tal como Gum 56, são enormes nuvens de densidade baixa, que contêm uma grande quantidade de hidrogênio ionizado.

Uma grande parte da ionização em Gum 56 é feita por duas estrelas do tipo O, que são estrelas quentes azuis-esbranquiçadas, também conhecidas por gigantes azuis devido à sua cor [1]. Este tipo de estrelas é raro no Universo, uma vez que a enorme massa destas gigantes azuis significa que não podem viver durante muito tempo. Após cerca de um milhão de anos apenas, as estrelas colapsam sobre si mesmas e terminam as suas vidas como supernovas, tal como muitas das outras estrelas massivas que se encontram no interior da nebulosa.

Além das muitas estrelas recém-nascidas dentro de casulos de poeira no interior da nebulosa, a região está ainda cheia de gás e poeira suficientes para criar uma geração ainda mais nova de estrelas. As regiões da nebulosa que estão a formar novas estrelas são visíveis na imagem como nuvens densas. O material que forma estas novas estrelas inclui os restos das estrelas mais massivas da geração anterior, que já terminaram as suas vidas e ejetaram o seu material para o meio circundante sob a forma de explosões de supernovas. Assim, o ciclo de vida e morte das estrelas continua.

Dadas as duas gigantes azuis muito incomuns e a proeminência da nebulosa nos comprimentos de onda do infravermelho e do rádio, é talvez surpreendente que esta região tenha sido até agora comparativamente pouco estudada por astrônomos profissionais. Gum 56 tem um diâmetro de cerca de 250 anos-luz, mas apesar do seu enorme tamanho tem sido descurada por observadores visuais devido ao seu fraco brilho e porque a maioria da radiação que emite se situa em comprimentos de onda invisíveis ao olho humano.

A nebulosa está a uma distância de cerca de 6.000 anos-luz de distância da Terra e pode ser encontrada no céu na constelação do Escorpião, com um tamanho projetado de quatro vezes o da Lua Cheia [2].

Esta imagem, que captura apenas uma parte da nebulosa, foi obtida pelo telescópio MPG/ESO de 2,2 metros com a câmara Wide Field Imager (WFI) através do programa Joias Cósmicas do ESO.

http://www.eso.org/public/images/eso1340d/

Este mapa mostra a proeminente constelação do Escorpião, onde estão marcadas a maioria das estrelas que podem ser vistas a olho nu num céu escuro. A localização da região de formação estelar chamada Nebulosa do Camarão (IC 4628) encontra-se assinalada com uma circunferência vermelha. Esta nuvem parece grande, no entanto é muito tênue e por isso não pode ser observada visualmente através de um pequeno telescópio. Crédito: ESO, IAU and Sky and Telescope

Notas

[1] Note que estas estrelas estão fora do campo desta imagem em particular, não aparecendo por isso na fotografia.

[2] Uma imagem de grande angular da Nebulosa do Camarão obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT foi já anteriormente publicada (eso1340a).

Fonte

ESO: eso1535 — Cosmic Recycling

._._.

1 menção

  1. IC 4628: a Nebulosa do camarão por Michael Sidonio » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] anos-luz de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a quatro luas cheias nos céus. A nebulosa IC 4628 também é catalogada como Gum 56 pelo astrônomo australiano Colin Stanley Gum. No entanto, os […]

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