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fev 19

Cientistas esclarecem a origem do campo magnético que recobre o Sol

http://arxiv.org/pdf/1408.2369v1.pdf

A imagem mostra como o fluxo magnético é transmitido. Os contornos vermelhos indicam elementos de intra-rede que contribuem para a teia magnética geral, enquanto os contornos verdes mostram cancelações de fluxo. Os contornos azuis representam concentrações do campo magnético. A fronteira das células supergranulares é definida em rosa. Créditos: IAA-CSIC, M. Gosic et al. – página 3.

O campo magnético que cobre o Sol e determina o seu comportamento, os ciclos de 11 anos que produzem notórios fenômenos tais como as manchas e tempestades solares, também tem um outro lado: uma teia (ou rede) magnética que cobre toda a superfície do Sol em repouso e cujo fluxo magnético resultante é maior do que o das áreas ativas. Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) revelou onde se origina o fluxo que alimenta esta teia.

O contorno da teia magnética solar coincide com os limites dos supergrânulos, estruturas originadas pelo plasma que sobe para a superfície (efeito semelhante às bolhas feitas por água fervente), formando objetos que atingem eventualmente cerca de 20 mil km de diâmetro.

Milan Gošic, cientista líder do estudo, afirmou:

Nós descobrimos que dentro destes supergrânulos, chamados de intra-rede, pequenos elementos magnéticos surgem e viajam para os limites exteriores e interagem com a teia magnética solar.

O acompanhamento destes elementos até agora pouco conhecidos foi por si só um avanço considerável, mas o cálculo da sua contribuição para a teia magnética solar surgiu como uma notável surpresa: estes pequenos elementos podem gerar e transferir, no espaço de tempo de apenas 14 horas, todo o fluxo magnético detectado na teia.

Louis Bellot (IAA-CSIC), membro da equipa de investigação, esclareceu:

Levando-se em consideração que apenas cerca de 40% deste fluxo acaba na teia, nós achamos que a intra-rede pode repor o fluxo da teia em 24 horas.

O modelo dominante até então postulava por um lado que os campos magnéticos da teia resultavam da deterioração de zonas ativas como as manchas solares e, por outro lado, de estruturas conhecidas como regiões efêmeras, que fornecem uma série de fluxos mas que não são muito comuns.

Mudança de Paradigma

Nesse sentido, o estudo assinado por Gošic et al. deflagrou uma mudança de paradigma porque mostrou que as regiões efêmeras são demasiadamente escassas para ter um impacto significativo.

Milan Gošic (IAA-CSIC), explicou:

Ao longo de 40 horas nós detectamos apenas duas regiões efêmeras, pelo que a sua contribuição à teia não pode ser mais do que 10% do fluxo total. Em contraste, os pequenos elementos na intra-rede são contínuos e claramente dominantes.

A descoberta foi feita no decorrer de extraordinariamente longas sequências temporais de observação (da ordem de 40 horas) com o observatório solar japonês de alta-resolução HINODE, estabelecendo um recorde para este tipo de instrumento, que tornou possível o acompanhamento da evolução das células supergranulares durante toda a sua vida.

Luis Bellot (IAA-CSIC) comentou:

Acredita-se que os elementos magnéticos da intra-rede e as suas interações com a teia possam ser responsáveis pelo aquecimento das camadas superiores da atmosfera solar, um dos problemas não resolvidos mais prementes da Física Solar.

O estudo dos elementos magnéticos com dados do Hinode vão permitir uma utilização científica mais eficiente dos dados da missão SolO (Solar Orbiter) da ESA, para a qual a IAA-CSIC está construindo o instrumento IMAX.

Fonte

IAA-CSIC: The origin of the magnetic field covering the Sun has been discovered

Artigo Científico

Astrophysical Journal: The Solar Internetwork. I. Contribution to the Network Magnetic Flux

ArXiv.org: The Solar Internetwork. I. Contribution to the Network Magnetic Flux

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