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ago 14

O deslocamento continental e suas implicações na evolução da Terra

Imagem: O registro paleomagnético da Bacia de Amadeus na Austrália (marcado pela estrela) indica uma grande mudança da posição do supercontinente Gondwana em relação ao pólo sul. Crédito: Mitchell Ross / Universidade de Yale.

Imagem: O registro paleomagnético da Bacia de Amadeus na Austrália (marcado pela estrela) indica uma grande mudança da posição do supercontinente Gondwana em relação ao pólo sul. Crédito: Mitchell Ross / Universidade de Yale.

A Terra primitiva representou um fascinante laboratório para o desenvolvimento da vida. Assim, o estudo do comportamento da Terra a longo das eras deve render indícios sobre como a vida poderia evoluir em outros mundos. Por esta razão, novos trabalhos científicos sobre os movimentos dos continentes no passado remoto sempre nos chama a atenção. Neste recente estudo foi descoberto que o supercontinente Gondwana parece ter sofrido uma rotação de 60 graus através da superfície da Terra durante um período altamente interessante do ponto de vista biológico, o início do Cambriano. O Cambriano  foi uma fecunda era quando os principais grupos de animais complexos apareceram em uma sucessão acelerada.

Mapa da Terra no início do Cambriano: o continente maior do Sul é a Gondwana. O segundo em tamanho, à esquerda, é a Laurentia (a parte central da América do Norte), os dois menores são a Báltica, no centro ao sul (parte da Europa) e a Sibéria, no centro ao norte (mesma região no oeste russo)

Mapa da Terra no início do Cambriano: o supercontinente do Sul é a Gondwana. O segundo em tamanho, à esquerda, é a Laurentia (a parte central da América do Norte), os dois menores são a Báltica, no centro ao sul (parte da Europa) e a Sibéria, no centro ao norte (mesma região no oeste russo)

Gondwana é o que chamamos de precursor do sul do supercontinente que dominava o planeta, uma vasta região que acabaria por separar-se da Laurásia aproximadamente 200 milhões de anos atrás, quando o supercontinente [Pangea] se dividiu em duas grandes áreas. O artigo da wikipédia nos dá noções básicas sobre Gondwana, que incluía a maior parte da massa de terra do hemisfério sul, aglutinando as atuais áreas que correspondem à Antártida, América do Sul, África, Madagascar, Austrália, Nova Guiné e Nova Zelândia, juntamente com o subcontinente indiano e a Arábia (embora os dois últimos tenham, obviamente, se mudado depois para o hemisfério norte).

Mapa da Terra há 550 milhões de anos mostra a formação de Gondwana

O rápido movimento do supercontinente

O movimento do massivo continente Gondwana foi relativamente rápido, com algumas regiões deslocando-se a uma velocidade de pelo menos 8 a 24 centímetros por ano, há 525 milhões de anos. Compare isso com o ritmo das mudanças de hoje, que não superam mais do que 4 centímetros por ano. A pergunta intrigante é se os resultados da mudança da posição relativa entre o polo sul e o continente Gondwana foi resultado do deslocamento das placas tectônicas (as placas tectônicas estão em constante movimento relativo entre si) ou se nesta era ocorreu um “verdadeiro deslocamento polar”, que envolveria a rotação do núcleo interno de massa sólida sob o núcleo externo líquido em relação ao eixo de rotação da Terra, mudando a localização dos polos geográficos.

Deslocamento polar?

O que o autor líder do estudo, Ross Mitchell (Yale University) sugere é que o cenário mais provável foi que o “verdadeiro deslocamento polar” causou a elevada taxa de movimento do Gondwana, que excedeu a velocidade costumeira do deslocamento das placas tectônicas no passado durante algumas centenas de milhões de anos. Mas, devemos considerar que os argumentos sobre deslocamento polar contra as placas tectônicas têm sido discutidos por décadas. Mitchell só pode afirmar: “Se o verdadeiro desvio polar causou a mudança, isto faz sentido. Se a mudança foi devido ao movimento tectônico de placas, teríamos que fornecer novas explicações extraordinárias”.

Explosão Cambriana

Mas vamos voltar ao tema principal, que trata de qual efeito a migração teria tido sobre o meio ambiente terrestre e seus seres vivos. Neste modelo, por exemplo, o Brasil migrou de perto do polo sul para os trópicos, um tipo de movimento que teria afetado as concentrações de carbono e os níveis dos oceanos. Aqui está o que Mitchell tem a dizer sobre estes resultados:

“Ocorreram dramáticas mudanças ambientais durante a era Cambriana, justamente ao mesmo tempo em que Gondwana estava passando por este deslocamento massivo. Além de aumentar nossa compreensão das sobre o movimento das placas tectônicas e do verdadeiro deslocamento polar, este fenômeno poderia trazer grandes implicações para entendermos as causas da explosão da vida animal durante a era cambriana.”

A evolução da vida na Terra e a explosão Cambriana: até há 600 milhões de anos, a vida na Terra consistia basicamente de algas, bactérias e plâncton. Então, no início da era Cambriana, em uma explosão criativa de diversidade que durou apenas 10 milhões de anos, a Natureza produziu uma variedade inigualável de animais multicelulares - os ancestrais de todas as criaturas que hoje nadam, voam e andam pelo nosso mundo. O que causou a explosão Cambriana? Este é um enigma que há décadas atormenta os cientistas.

A evolução da vida na Terra e a explosão Cambriana: até há 600 milhões de anos, a vida na Terra consistia basicamente de algas, bactérias e plâncton. Então, no início da era Cambriana, em uma explosão criativa de diversidade que durou apenas 10 milhões de anos, a Natureza produziu uma variedade inigualável de animais multicelulares – os ancestrais de todas as criaturas que hoje nadam, voam e andam pelo nosso mundo. O que causou a explosão Cambriana? Este é um enigma que há décadas atormenta os cientistas.

Será fascinante ver como esse trabalho irá inspirar novas pesquisas que visam explicar os efeitos do deslocamento dos continentes na evolução biológica terrestre. Mitchell e sua equipe desenvolveu seu trabalho ao estudar a magnetização de rochas antigas na Bacia de Amadeus da Austrália central.

Este artigo foi assinado por Ross Mitchell, David Evans e Taylor Kilian, com o título “Rapid Early Cambrian Rotation of Gondwana”, publicado em Geology Vol. 38, nº 8 (Agosto de 2010), páginas 755-758.

Fontes

O artigo acima é uma tradução livre (com adaptações editoriais e complementos), baseada nas fontes abaixo:

Artigo Científico

._._.

1 menção

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