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fev 16

A Terra vista do espaço: gelo e nuvens exóticas no Estreito de Bering

"Ruas de nuvens" se formam no Estreito de Bering. Crédito: NASA Earth Observatory

“Ruas de nuvens” se formam no Estreito de Bering. Crédito: NASA Earth Observatory

Os ventos do mar do Norte empurraram o gelo marítimo na direção do sul e formaram ‘ruas de nuvens’, fileiras paralelas de nuvens sobre o estreito de Bering, em meados de janeiro de 2010. O dispositivo Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) do satélite Terra da NASA capturou esta imagem em 16 de janeiro de 2010. A fronteira leste da Federação da Rússia, embranquecida pela neve e pelo gelo, aparece no canto superior esquerdo da imagem. Ao leste da Rússia se estende o mar congelado no Estreito de Bering. Ao longo da orla sul do mar de gelo predominam gavinhas onduladas, formadas de gelo fino recém-formado.

As ‘ruas de nuvens’ correm na direção do vento norte, que ajuda a formá-las. Quando o vento que emerge a partir da superfície fria do mar congelado sopra sobre a atmosfera mais aquecida e úmida do oceano aberto, cilindros giratórios de ar podem surgir. Nuvens se formam ao longo do ciclo ascendente nos cilindros, onde o ar está subindo e o céu permanece claro ao longo do ciclo descendente, onde o ar está em queda. Assim, as ‘ruas de  nuvens’ correm na direção sudoeste.

Tanto estreito quanto raso, o Estreito de Bering permite que uma pequena quantidade de água salgada circule entre o Oceano Pacífico e o Oceano Ártico. Esta água morna do Pacífico pode desempenhar um papel central nas correntes oceânicas e formação de gelo do mar Ártico. Além disso, águas mornas que fluíram passando pelo estreito para o Oceano Ártico podem ter ajudado na redução da extensão do gelo do Ártico desde a virada do século XXI. Da mesma forma, um estudo publicado em janeiro de 2010 concluiu que, ao longo dos últimos 100.000 anos, as subidas e descidas do nível dos oceanos alternadamente abriram e fecharam diversas vezes o Estreito de Bering. A situação atual do Estreito, por sua vez, afetou as correntes oceânicas, as quais influenciaram na taxa de derretimento de gelo durante o último período glacial.

O efeito do fechamento do Estreito de Bering e o clima global. Crédito: Nature/UCAR

O efeito do fechamento do Estreito de Bering e o clima global. Crédito: Nature/UCAR

A importância do Estreito de Bering no clima global

Os cientistas tem analisando uma cadeia de eventos que levaram a aquecimentos e esfriamentos globais de larga escala através do hemisfério norte nas ultimas eras do gelo. Com a expansão das geleiras terrestres, os níveis oceânicos decresceram no Estreito de Bering (à esquerda, ao norte) e cortaram o fluxo de água relativamente mais fresca proveniente do Pacífico norte que circulava através do Oceano Ártico até o Oceano Atlântico, que tem maior índice de salinidade. Assim, as alterações nas correntes oceânicas incrementaram o fluxo da água do Atlântico em direção do norte a partir dos trópicos, trazendo o aquecimento no Norte do Atlântico (à direita, em vermelho escuro) que provocou o degelo e afetou os padrões climáticos e nível do mar através do mundo.

Fontes e referências

NASA Earth Observatory: Ice and Clouds in the Bering Strait

Imagem cedida pela NASA Jeff Schmaltz, MODIS Rapid Response Team na NASA GSFC. Legenda por Michon Scott baseada na interpretação de imagens por Walt Meier, National Snow and Ice Data Center.

Hu, A., Meehl, G.A., Otto-Bliesner, B.L., Waelbroeck, C., Han, W., Loutre, M.-F., Lambeck, K., Mitrovica, J.X., Rosenbloom, N. (2010). Influence of Bering Strait flow and North Atlantic circulation on glacial sea-level changes. Nature Geoscience. doi: 10.1038/ngeo729.

Science Daily: Bering Strait influenced Ice Age climate patterns worldwide

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