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nov 11

Fermi: detectada a assinatura da antimatéria em raios

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Tempestades elétricas podem produzir antimatéria e a seguir raios-gama, conforme detectado pelo observatório espacial Fermi

O telescópio Fermi encontrou evidências de que também há pósitrons, partículas de antimatéria, nas tempestades atmosféricas terrestres.

Desenhado para varrer os céus de milhares a bilhões de anos-luz além do Sistema Solar buscando os raios gama, o Telescópio Espacial Fermi de Raios Gama também tem captado uma vibração de choque a partir da Terra. Durante seus primeiros 14 meses de operação, o observatório espacial já detectou 17 explosões de raios gama associadas a tempestades elétricas terrestres. O intrigante é que algumas destas explosões contêm uma surpreendente assinatura de antimatéria.

Durante duas recentes tormentas elétricas, o telescópio Fermi encontrou evidências de que há pósitrons, não somente elétrons, nas tempestades da Terra. Crédito: Axel Rouvin/Flickr

Durante duas recentes tormentas elétricas, o telescópio Fermi encontrou evidências de que há pósitrons, não somente elétrons, nas tempestades da Terra. Crédito: Axel Rouvin/Flickr

Durante duas tormentas recentes, o telescópio Fermi registrou emissões de raios gama de uma energia particular e poderosa que somente poderia ter sido produzida pelo decaimento de pósitrons energéticos, o equivalente dos elétrons de antimatéria. Estas observações são as primeiras deste tipo em tempestades elétricas. Michael Briggs da Universidade de Alabama em Huntsville anunciou estas intrigantes descobertas no Simpósio Fermi em 05 de novembro de 2009.

É uma surpresa haver encontrado a assinatura de pósitrons durante uma tormenta de raios, disse Briggs.

Tempestades de raios sobre as Américas conforme a Rede Mundial de Localização de Raios

Tempestades de raios sobre a Europa e África conforme a Rede Mundial de Localização de Raios

Os 17 flashes de raios-gama que o Fermi detectou aconteceram justamente antes, durante e imediatamente depois dos relâmpagos, conforme rastreamento realizado pela Rede Mundial de Localização de Raios.

Durante as tempestades elétricas anteriormente observadas por outra espaçonave, os elétrons energéticos movendo-se na direção da nave freavam e produziam raios gama. A incomum assinatura de pósitrons vista por Fermi sugere que a orientação normal de um campo elétrico associado com uma tormenta elétrica de alguma maneira se inverte em um dado momento, disse Briggs.

Assim, os cientistas estão agora trabalhando para modelar e entender como poderiam ter acontecido estas inversões de campo. Mas, por enquanto, comenta Briggs, a resposta ainda está em o ar.

O registro dos flashes de raios gama (que têm potencial suficiente para danificar aviões durante as tormentas) não é algo novo. Os primeiros foram detectados por meio do Observatório Compton de Raios Gama da NASA no início da década de 90.

O satélite RHESSI da NASA que principalmente observa raios-X e raios gama procedentes do Sol, já detectou 800 explosões de raios gama terrestres, assinala Briggs.

Fontes e referências

Science News: Signature of antimatter detected in lightning [Fermi telescope finds evidence that positrons, not just electrons, are in storms on Earth] por Ron Cowen

Experientia docet: Raios, trovões e antimatéria

AstroPT: Raios de Antimatéria

2 menções

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