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ago 17

Aminoácido descoberto pela sonda Stardust no cometa Wild 2 causa comoção nos cientistas que buscam pela vida extraterrestre

Concepção artística da sonda Stardust (‘poeira das estrelas’) aproximando-se do cometa Wild 2 para atravessar a sua cauda de gás e poeira. A área branca representa o núcleo cometário. A grade coletora é o dispositivo com formato de raquete de tênis que se estende para fora da traseira da espaçonave. Crédito: NASA/JPL

Concepção artística da sonda Stardust (‘poeira das estrelas’) aproximando-se do cometa Wild 2 para atravessar a sua cauda de gás e poeira. A área branca representa o núcleo cometário. A grade coletora é o dispositivo com formato de raquete de tênis que se estende para fora da traseira da espaçonave. Crédito: NASA/JPL

Cientistas da NASA descobriram o aminoácido glicina, um dos blocos fundamentais da vida, em amostras do cometa Wild 2 recolhidas pela sonda Stardust [que significa ‘poeira das estrelas’] da NASA.

A Glicina é um dos Blocos Fundamentais para a Vida

“A glicina é um aminoácido usado pelos organismos vivos para construir proteínas e esta é a primeira vez que se descobre um aminoácido em um cometa”, declarou a Dra. Jamie Elsila do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. “A nossa descoberta suporta a teoria que alguns dos ingredientes da vida se formaram no espaço e foram trazidos para a Terra há muito tempo atrás por impactos de meteoritos e cometas.”

Dra. Jamie Elsila é a autora principal desta pesquisa, a ser publicada na revista Meteoritics and Planetary Science. A pesquisa foi apresentada em 16 de agosto, durante uma reunião da Sociedade Química Americana em Washington, EUA.

Missão Stardust: dois grandes impactos das partículas no aerogel são aqui bem vísveis.

Missão Stardust: dois grandes impactos das partículas no aerogel estão bem vísveis.

“A descoberta da glicina em um cometa suporta a idéia que os principais blocos da vida são provenientes do espaço e fortalece o argumento de que a vida no Universo pode ser comum em vez de rara”, disse o Dr. Carl Pilcher, diretor do Instituto de Astrobiologia da NASA, um dos patrocinadores a pesquisa.

As proteínas são os blocos fundamentais na construção das moléculas da vida, usadas em tudo, desde as estruturas como os cabelos até as enzimas, os catalisadores que aumentam ou regulam as reações químicas. Assim como as 26 letras do alfabeto são organizadas em combinações quase ilimitadas para formar palavras, a vida usa 20 diferentes tipos de aminoácidos em uma gigantesca variedade de combinações para construir milhões de diferentes proteínas.

Concepção artística das partículas coletadas pelo aerogel na grade de coleta. As áreas esverdeadas representam o aerogel. Os choques com o material coletado são as manchas em verde-claro nas áreas em formato de gotas. As partículas são representadas por pontos na base das gotas. Crédito: NASA/JPL

Concepção artística das partículas coletadas pelo aerogel na grade de coleta. As áreas esverdeadas representam o aerogel. Os choques com o material coletado são as manchas em verde-claro nas áreas em formato de gotas. As partículas são representadas por pontos na base das gotas. Crédito: NASA/JPL

A sonda Stardust passou pela densa nuvem de gás e poeira que rodeava o núcleo cometário gelado do Wild 2 em 02 de janeiro de 2004. À medida que a Wild 2 atravessava este material, uma grade especial coletora, cheia de aerogel (um material esponjoso, composto por mais de 99% espaço vazio), gentilmente capturava amostras de gás e da poeira cometária. A grade com aerogel voltou alojada em uma cápsula que se libertou da sonda e que desceu com ajuda de para quedas na Terra em 15 de janeiro de 2006. Desde então os cientistas de todo o mundo estiveram ocupados analisando as amostras para aprender os segredos da formação dos cometas e a história do nosso Sistema Solar.

“Na realidade, nós analisamos as folhas de alumínio dos lados das pequenas câmaras que continham o aerogel na grade de coleta”, disse Elsila. “À medida que as moléculas de gás passam pelo aerogel, algumas se colam às camadas. Passamos dois anos testando e desenvolvendo nosso equipemento, para torná-lo preciso e sensível o suficiente para analisar tais amostras incrivelmente minúsculas”.

Manipulação da grade com aerogel na sala limpa

Manipulação da grade com aerogel na sala limpa

Anteriormente, algumas análises preliminares nos laboratórios Goddard já tinham detectado a glicina, tanto nas folhas de alumínio como em uma amostra do aerogel. No entanto, como a glicina é usada pela vida terrestre, no início a equipe não foi capaz de eliminar a hipótese de contaminação a partir de fontes na Terra. “Era possível que a glicina, que descobrimos originalmente, fosse proveniente do manuseio ou da fabricação da própria Stardust”, disse Elsila. A nova pesquisa usou análises isotópicas da folha para eliminar esta possibilidade.

Os Isótopos de Carbono Confirmam a Origem Extraterrestre da Glicina

Os isótopos são variações de um mesmo elemento químico com diferentes pesos ou massas. Por exemplo, o elemento mais comum do carbono, o Carbono 12, tem seis prótons e seis nêutrons no seu centro (núcleo). No entanto, o isótopo de Carbono 13 é mais pesado porque tem um nêutron a mais em seu núcleo. Uma molécula de glicina espacial tende a ter mais átomos de Carbono 13 que a glicina encontrada na Terra. Isto foi o que a equipe descobriu. “Nós descobrimos que a glicina trazida pela Stardust tem uma assinatura isotópica de carbono extraterrestre, indicando que originou do cometa [e não de uma possível contaminação aqui na Terra]”, disse Elsila.

Dr. Daniel Glavin e Dr. Jason Dworkin do instituto Goddard da NASA também participaram do time de pesquisadores. “Com base nos resultados da folha e do aerogel, é altamente provável que o lado inteiro do cometa exposto à grade de coleta da Stardust esteja recheado com glicina que se originada no espaço”, acrescentou Glavin.

Partícula do cometa Wild 2 capturada no aerogel da grade de coleta da sonda Stardust

Partícula do cometa Wild 2 capturada no aerogel da grade de coleta da sonda Stardust

“A descoberta dos aminoácidos nas amostras do cometa é muito excitante e profunda”, disse Donald E. Brownlee, professor da Universidade de Washington em Seattle e líder da pesquisa da Stardust. “É também um triunfo impressionante que realça as capacidades avançadas dos estudos em laboratório de materiais extraterrestres primitivos”.

A sonda Stardust ('poeira das estrelas'), ilustrada pela NASA/JPL

A sonda Stardust ('poeira das estrelas'), ilustrada pela NASA/JPL

A pesquisa foi patrocinada pelo programa Stardust Sample Analysis da NASA e pelo NASA Astrobiology Institute. O JPL (Jet Propulsion Laboratory), em Pasadena, California, coordena a missão Stardust e responde ao Science Mission Directorate da NASA em Washington, EUA. A organização Lockheed Martin Space Systems, em Denver, Colorado desenvolveu e operou a sonda Stardust.

Para aprender mais sobre a missão Stardust [‘poeira das estrelas’], visite http://stardustnext.jpl.nasa.gov/.

Para mais informações sobre o time de astrobiologia do centro Goddard da NASA, visite http://astrobiology.gsfc.nasa.gov/analytical.

Fontes e Referências:

NASA: NASA Researchers Make First Discovery of Life’s Building Block in Comet

Astronomy.com: Life’s building block discovered in comet

Science Daily:

Space.com: Life’s Building Block Found in Comet

New Scientist: Found: first amino acid on a comet por Maggie McKee

Centauri Dreams: Amino Acid Detected in Comet Debris

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