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jul 02

Clima quente em Marte? Formações geológicas indicam que isso ocorreu recentemente

Possíveis canais fluviais em Ius Chasma. Crédito: HiRise

Possíveis canais fluviais em Ius Chasma. Crédito: HiRise

Marte teve um clima significativamente mais quente do que se pensava em seu passado recente, indicam novas pesquisas feitas por um time de pesquisadores liderado por um cientista britânico. A pesquisa, patrocinada pelo Science and Technology Facilities Council (STFC) do Reino Unido, foi publicada na Earth and Planetary Science Letters. Trata-se, portanto, de uma boa notícia para a nossa busca pela vida em Marte, pois quanto mais curto o período de tempo desde o último clima quente no planeta, maiores as chances que alguns organismos que possam ter vivido nesse clima mais quente tenham sobrevivido e ainda estejam vivos sob a superfície do planeta vermelho.

Escarpas com nichos, longas esporas ramificadas e canais possivelmente de origem fluvial. Crédito: NASA/JPL/UofA

Escarpas com nichos, longas esporas ramificadas e canais possivelmente de origem fluvial. Crédito: NASA/JPL/UofA

O Dr. Matthew Balme, da Open University, fez a nova descoberta ao estudar imagens detalhadas das formações rochosas equatoriais que se originaram do aquecimento de solos rico em gelo. O seu trabalho sugere que a superfície marciana passou por ciclos de degelo recentes, há cerca de 2 milhões de anos. Assim ele concluiu que Marte não se apresenta em condições de congelamento contínuo há bilhões de anos, como se pensava anteriormente.

Imagens de alta resolução da HiRise facilitaram a descoberta

As imagens de alta-resolução, que mostram uma variedade de formações rochosas interessantes, foram obtidas pelo projeto HiRISE (High Resolution Imaging science Experiment), pelas câmeras a bordo da missão MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.

Dr. Matthew Balme afirmou: “as características desta região foram anteriormente interpretadas como resultantes de atividades vulcânicas. As imagens incrivelmente detalhadas capturadas pela HiRISE mostram, por outro lado,  que estas características foram efetivamente causadas pela expansão e contração do gelo, além do degelo do solo rico em gelo. Tudo isto sugere um clima muito diferente daquele que vemos hoje”.

Todas estas formações rochosas analisadas encontram-se dentro de um canal  possivelmente fluvial, que se julga ter estado ativo recentemente, de 2 até 8 milhões de anos atrás. Tendo em vista que estas formações encontram-se dentro, e entrecortam, formações pré-existentes do canal, esta situação sugere que estas formações também foram criadas dentro desta janela de tempo.

Imagem em alta resolução da HiRISE mostra as formações em polígonos. Crédito: NASA/JPL/U of A

Imagem em alta resolução da HiRISE mostra as formações em polígonos. Crédito: NASA/JPL/U of A

As fotos em alta resolução da HiRISE mostram superfícies com padrões poligonais, canais ramificados, blocos de detritos e estruturas tais como montículos e cones. Todas estas formações são semelhantes às estruturas da Terra, típicas em áreas de terreno congelado onde o gelo se derrete.

Presença de água recente é uma boa notícia para a busca da vida em Marte

Dr. Balme acrescentou: “Estas observações nos mostram não apenas que existia gelo próximo ao equador marciano nos últimos milhões de anos, mas também que o gelo derreteu para formar água líquida, a qual depois voltou a se congelar. E esta situação provavelmente repetiu-se durante muitos ciclos. Sabendo que a água líquida é considerada essencial para a vida, estes tipos de ambientes podem ser um grande local para procurar evidências da presença de vida no passado de Marte“, refere Balme.

O professor Keith Mason, CEO do STFC (Science and Technology Facilities Council),  disse: “Esta nova pesquisa revelou mais sobre Marte e forneceu evidências fascinantes sobre processos geológicos semelhantes aos da Terra. A história do nosso planeta vizinho e a questão se o mesmo alguma vez já teve vida, há muito tem fascinado a humanidade. Compreender os processos geológicos correntes na superfície de Marte e o papel do clima no passado e no presente incrementa nosso conhecimento sobre a história do planeta e a probabilidade de um dia detectarmos evidências da existência de vida no passado ou no presente. Cientistas britânicos estão envolvidos em várias iniciativas de estudo de Marte, os quais estão ajudando a compor uma imagem deste misterioso planeta”.

Fontes e referências:

Universe Today: Landforms Indicate “Recent” Warm Weather on Mars

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