Archive for category Exploração Espacial

Emily Lakdawalla mostra painel com o 21 Lutetia e os demais cometas e asteróides já visitados por sondas espaciais

Asteróides e cometas visitados por sondas espaciais. Clique na imagem para uma versão em alta resolução. Créditos: ESA, NASA, JAXA, RAS, JHUAPL, UMD, OSIRIS; Montagem: Emily Lakdawalla (Planetary Society) & Ted Stryk

Asteróides e cometas visitados por sondas espaciais. Clique na imagem para uma versão em alta resolução. Créditos: ESA, NASA, JAXA, RAS, JHUAPL, UMD, OSIRIS; Montagem: Emily Lakdawalla (Planetary Society) & Ted Stryk

Enquanto nós humanos exploramos o Universo, o recorde do asteróide de maio porte já visitado por uma sonda interplanetária foi superado recentemente. No dia 10 julho de 2010 a espaçonave robótica da ESA Rosetta deu um rasante sobre o asteróide 21 Lutetia capturando imagens e coletando informações em um esforço especial para determinar os segredos de sua história e a origem de suas cores incomuns.

No quadro acima o asteróide de 100 km de diâmetro Lutetia está sendo mostrado de forma comparativa com outros 9 asteróides e 4 cometas que já receberam visitas por espaçonaves humanas.

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Cientistas japoneses esclarecem sobre o conteúdo do interior da Lua

Através da sonda japonesa Kaguya os cientistas encontraram 245 pontos com evidências da presença do mineral olivina, oriundo do interior lunar, distribuídos nos anéis das crateras principais, tais como a cratera Schrödinger, mostrada aqui.

Através da sonda japonesa Kaguya os cientistas encontraram 245 pontos com evidências da presença do mineral olivina, oriundo do interior lunar, distribuídos nos anéis das crateras principais, tais como a cratera Schrödinger, mostrada aqui.

Os pesquisadores têm uma boa idéia dos minerais que formam a superfície da Lua, graças as milhares de rochas lunares trazidas pelos astronautas das missões Apollo e vastas quantidades de informação coletadas através de sensoriamento remoto. Mas o que fica abaixo da crosta lunar? Os cientistas japoneses acreditam ter uma resposta parcial: dados compilados pela sonda orbital lunar japonesa Kaguya sugere que o material do interior lunar, um mineral relativamente pesado chamado olivina, poderia ser encontrado nos anéis de suas crateras principais.

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Rosetta visita o asteróide 21 Lutetia no dia 10 de julho

Em 10 de julho de 2010 a espaçonave Rosetta da ESA irá passar próxima do asteróide 21 Lutetia, o maior asteróide já visitado por uma sonda espacial.

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28 de maio de 1940 – O dia em que a América ignorou Goddard

Não Há Dia Sem História

28 de maio de 1940

O dia em que a América ignorou Goddard

Dr. Robert H. Goddard

Dr. Robert H. Goddard

No dia 28 de maio de 1940, há setenta anos, em uma reunião organizada pelo diplomata Harry Guggenheim (1890-1971) à qual compareceram representantes do exército, corpo armado aéreo e escritório da aviação naval dos Estados Unidos, o professor de física e inventor do foguete, Robert Goddard, ofereceu, segundo registra o NASA History Division, todos os dados de suas pesquisas, patentes e instalações para utilização pelos serviços militares.

Não se tem informação dos detalhes da proposta, mas é óbvio que Goddart e Guggenheim estavam conscientes da importância do foguete, e dos experimentos de Goddard, na guerra e no futuro da ciência. Os serviços militares rejeitaram a oferta – num equívoco inacreditável – mantendo apenas um eventual interesse em possíveis experiências com uso de foguetes em aeronaves.

Este fato é conflitante com a versão difundida pela propaganda e pelo cinema norte-americanos, de que os alemães haviam conseguido construir suas avançadas bombas voadoras V copiando as pesquisas de Goddard.

Na realidade, os americanos passaram pela Segunda Guerra Mundial sem investir no foguete e Robert Goddard passou praticamente desconhecido. Este descuido da cultura norte-americana com um patrimônio técnico angariado por um compatriota, foi, mais tarde, um dos argumentos usados para a criação da NASA, na forma de uma agência com inteligência suficiente para “arrecadar” o pensamento científico e tecnológico dos EUA.

Robert Huttchings Goddard nasceu em Worcester, Massachusetts, em 5 de outubro de 1882 e faleceu em Phoenix, Arizona, numa data particularmente sinistra, 10 de agosto de 1945 – o “day after” dos ataques nucleares feitos contra o Japão. Ele, ainda bem jovem, publicou livros sobre propulsão a reação e fez a primeira experiência de lançamento de um pequeno foguete, impulsionado por combustível líquido, que subiu doze metros e atingiu cinquenta metros de distância. Suas pesquisas foram a vanguarda, na época. Apenas dois nomes se equiparam ao dele: o do alemão Hermann Oberth (1894-1989) e do russo Konstantin Tsiolkovski (1857-1935).

A NASA homenageou Robert Goddard dando o seu nome a uma de suas principais unidades, o Goddard Space Flight Center e relaciona suas principais contribuições à astronáutica, num sumário informativo.

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21 de maio de 1970 – Soyuz 9: pioneira em permanência prolongada

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21 de maio de 1970

Soyuz 9: pioneira em permanência prolongada

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No dia 21 de maio de 1970, há 40 anos, dois cosmonautas soviéticos, Andrian Grigoryevich Nicolayev e Vitali Ivanovich Sevastianov, estavam concentrados na guarnição de Tyuratan, Cazaquistão. Eles se preparavam para a primeira experiência de longa permanência no espaço, a bordo da Soyuz 9. Nicolayev e Sebastianov cumpriam um forte programa de condicionamento mental e físico. A engenharia de alimentos do programa espacial tentava descobrir a alimentação correta para cosmonautas em órbita. Eles estavam chegando à conclusão de que a dieta ideal se constituía de, exatamente, 2.800 kcal, com 105 g de proteína, 102 g de gordura, 342 g de carboidratos, e 847 g de água. Exatamente no dia 21 irrompeu um surto de disenteria na guarnição. Os dois não foram afetados. Mas uma ironia é que os engenheiros de alimentos, que sabiam tão bem o que um cosmonauta deve comer, não tenham sido capazes de evitar uma disenteria na guarnição onde os cosmonautas estavam sendo treinados.

Andrian Grigoryevich Nicolayev

Andrian Grigoryevich Nicolayev

O lançamento da Soyuz 9 fora planejado numa reunião no dia 30 de dezembro de 1969 e sua data foi marcada para o dia 22 de abril, aniversário de Lenin. Aí começaram os problemas. A decisão política da escolha da data gerou conflitos com o pessoal técnico. Mas uma seqüência de imprevistos foi causando adiamentos e ela só voou no dia 1 de junho. A fase de treinamentos foi tumultuada. Nicolayev era marido de Valentina Tereskova, a primeira mulher a voar em órbita, o casal era uma celebridade e não havia como mantê-los longe da curiosidade popular. Por outro lado, a KGB procurava manter a operação em sigilo. A central de treinamento era comandada por Nikolai Kamanin, um fundamentalista da causa soviética, obstinado por disciplina e que, há indícios, defendia outra tripulação para aquela missão. No dia 25 de maio Kamanim pegou Nicolayev e Sevastianov fumando. Fumar era terminantemente proibido. Kamanim, furibundo, tentou retirá-los da missão e escalar a tripulação de reserva, mas já era tarde para isso. Além do mais, Sevastianov era aluno da “academia” de Sergey Korolev e um intelecto privilegiado, enquanto Nicolayev, também chamado de “homem de ferro” tinha o organismo mais resistente entre todos os cosmonautas soviéticos – capaz de suportar tranquilamente quatro dias dentro de uma cápsula, sem conhecimento do tempo, uma resistência que provavelmente seria solicitada numa missão de 18 dias.

Vitali Ivanovich Sevastyanov

Vitali Ivanovich Sevastyanov

A escolha da tripulação pode ter sido um fator de sucesso da missão. A grande complexidade dos objetivos acabou forçando os operadores a abrirem mão de confortos para os cosmonautas, em prol de autonomia. Para economizar energia, a nave foi deixada girando, o que causou enjôos. O nível de carbono no ar da cápsula nunca pode ser mantido num nível adequado. As dificuldades foram grandes. Além do mais, não eram experimentalmente conhecidos os efeitos de uma permanência tão prolongada sobre o organismo humano. Nicolayev e Sevastyanov foram, literalmente, cobaias. Ninguém poderia relatar, com absoluta certeza, o que efetivamente poderia ocorrer com eles.

Praticamente toda a tecnologia de longa permanência no espaço, que hoje o homem domina, começou a ser angariada nesta missão Soyuz 9. A decolagem foi no dia 1 de junho de 1970, às 19h00min de Greenwich, e o pouso ocorreu no dia 19 às 11h58min50seg. O tempo total de vôo foi de 17,71 dias. Os americanos estavam experimentando permanências de cinco dias, em média, nas suas duas missões realizadas até então, com sucesso, à Lua. Em abril, a missão Apollo 13 havia sido abreviada para quatro dias, devido à explosão de um tubo de oxigênio, a meio caminho da ida – a euforia pelo regresso, com vida, dos três astronautas americanos era o grande assunto que monopolizava a atenção, e a aventura da Soyuz 9 passou quase despercebida no Ocidente. Hoje, quarenta anos depois, a Estação Espacial Internacional recebe turmas de visitantes de todas as nacionalidades, com missões diferentes a cumprir. As permanências prolongadas são normais. Esta adaptação do Homo sapiens ao ambiente espacial obviamente não é antropológica – não havendo os que a possibilitam (a cápsula, os mecanismos de manutenção ambiental e toda a parafernália) o homem volta à superfície da Terra e continua a ser um bípede terrestre. Mas é uma evolução notável, inédita na história da humanidade. E isso tudo aconteceu em menos de quarenta anos.

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19 de maio de 2004 – O vôo rasante da Hayabusa sobre a Terra

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19 de maio de 2004

O vôo rasante da Hayabusa sobre a Terra

A Terra vista pela Hayabusa

No dia 19 de maio de 2004, há seis anos, a sonda japonesa Hayabusa, lançada em 9 de maio de 2003 do centro de lançamentos de Kagoshima, realizou um “swing by” sobre a Terra – passando a apenas 3.700 km, usando a assistência gravitacional do nosso planeta – e seguiu rumo ao seu destino, o asteróide 25143 Itokawa.

A astronáutica japonesa se caracteriza pelos projetos arrojados e pelo estudo de novas tecnologias. E a Hayabusa é uma prova disto. A sonda, um paralelepípedo com volume de 3,2 m³ e meia tonelada de massa, tem motores de propulsão iônica e sua missão era atingir o asteróide Itokawa, fotografá-lo, pousar nele, recolher amostras e trazer estas amostras para a Terra. O vôo rasante do dia 19 de maio de 2004 foi mais um detalhe do sofisticado projeto japonês.

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15 de maio de 1960 – Korabl Sputnik 1 (”Sputnik 4″)

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15 de maio de 1960

Korabl Sputnik 1 (”Sputnik 4″)

O último simulador antes de Gagarin

Russia-Moscow-VDNH-Rocket_R-7-1

Foguete VDNH R-7-1, Moscou, Rússia

No dia 15 de maio de 1960, há cinquenta anos, um míssil balístico R 7 Semyorka, de alcance intercontinental, foi disparado da plataforma de Baikonur, no Cazaquistão, União Soviética. Devorando vorazmente querosene e oxigênio líquido na razão de cem toneladas em menos de dezoito minutos, o R 7 subiu inclinando-se sobre a Ásia e o Pacífico e colocou uma massa de 2,5 toneladas numa órbita com apogeu de 514 km.

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14 de maio de 1973 – Lançamento do Skylab

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14 de maio de 1973

Lançamento do Skylab

Skylab

Skylab

No dia 14 de maio de 1973, há 37 anos, foi lançada a missão Skylab I, que colocou no espaço a primeira estação espacial de porte médio (77 toneladas e até 9 tripulantes), o Skylab. [Lembramos que a primeira estação espacial foi a minúscula Salyut 1, lançada 2 anos antes pelo Soviéticos, em 19 de Abril de 1971, com 19 toneladas e 3 tripulantes].

Skylab Logo

A Skylab I foi a primeira missão do programa espacial Skylab desenvolvido pela NASA. Foi lançada do Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral em 14 de Maio de 1973 em um foguete Saturno V não tripulado e tinha como objetivo principal colocar em órbita o laboratório/estação espacial Skylab.

Vibrações no lançamento do foguete causaram a separação do escudo protetor contra meteoróides, que acabou arrastando consigo um dos painéis solares da estação. O Skylab foi então manobrado para que o outro painel captasse o máximo de energia, mas isso provocou um super-aquecimento. Esses problemas só foram resolvidos muitos dias depois quando chegou à estação espacial a missão tripulada Skylab II.

Skylab vista do módulo de comando SL-4

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A evolução da Inteligência Artificial é um requisito mandatório para as viagens interestelares

Vamos falar de uma “singularidade”, na qual a inteligência artificial chega a tão elevado nível que se situa além da atual capacidade humana de compreensão. Inevitavelmente, tal capacidade superior tem sido considerada no âmbito dos estudos da sobre a exploração interestelar.

Eerie_Silence_Paul_Davies

Alguns autores têm especulado, tal como Paul Davies o fez em The Eerie Silence (O Estranho Silêncio: renovando nossa busca pela inteligência extraterrestre), que qualquer civilização que venhamos a fazer contato no futuro provavelmente será composta tão somente por máquinas inteligentes, conseqüência natural da evolução da tecnologia de engenharia de software. Mas, mesmo sem esta habilidade singular, parece-nos óbvio, à medida que nos distanciamos da Terra, que a inteligência artificial forcosamente terá que desempenhar um papel crescente na exploração do espaço.

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05 de abril de 1960 – O memorando do Space Task Group (STG)

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05 de abril de 1960

O memorando do Space Task Group (STG)

Até que foi um dia tranqüilo, para a época…

No dia 5 de abril de 1960, há 50 anos, o Homo sapiens, depois de 1 milhão de anos de existência, estava a menos de dez anos de deixar um rastro de suas pegadas, além de um pouco de lixo, na superfície poeirenta da Lua. O pouso na Lua e, sobretudo, o retorno dos astronautas sãos e salvos, é um fato antropologicamente ímpar, sem dúvida, mas dentro da astronáutica ele é só um fato emblemático de um contexto de efervescência.

Muito do que seria necessário dominar, para ter sucesso na ida à Lua, ainda precisava ser testado e treinado, no início dos anos 60. E um bom tanto ainda precisava ser descoberto. A complexa seqüência de manobras, que comporiam a jornada, começava com um lançamento e terminava com um pouso, é verdade, mas ainda que fosse só nisso que se resumisse uma ida à Lua, ainda não haveria condições de fazer a viagem com segurança – não se tinha perfeito domínio nem mesmo sobre a exatidão do local de pouso de uma nave, em 1960. E a solicitação da jornada à Lua não se resumia em apenas um pouso. Eram dois, um deles na Lua. A odisséia começava com o lançamento da Terra e prosseguia com o abandono da órbita em direção à Lua, entrada em órbita da Lua, pouso do módulo lunar, decolagem do ascensor do módulo lunar, acoplamento ao módulo de comando, abandono da órbita da Lua em direção à Terra, reencontro da Terra em posição adequada ao reingresso e, por fim, reingresso. E ainda havia mais um passo: acertar o alvo do pouso com alguma exatidão. Pelo jeito os alvos ainda precisavam ser bem grandes, pois no dia 5 de abril de 1960, o Space Task Group (STG) emitia um memorando com especificações para modificar a cápsula Mercury, adicionando um novo controle no sistema de navegação de reentrada. A modificação visava reduzir a dispersão do ponto de impacto para menos de 10 milhas, quase vinte quilômetros, e previa um cronograma de mais de dois anos para implementar o avanço. Como se pode concluir, a ida à Lua ainda dependia de muito trabalho e o êxito era uma possibilidade ainda bem mais remota.

Esta é a súmula da comunicação do STG:

Preliminary specifications to modify the Mercury capsule by adding a reentry control navigation system. Nation: USA. Spacecraft: Mercury Mark I.

Preliminary specifications were issued by Space Task Group (STG) to modify the Mercury capsule by adding a reentry control navigation system. The modified capsule would obtain a small lifting capability (lift-over-drag ratio would equal approximately 0.26). The self-contained capsule navigation system would consist of a stable platform, a digital computer, a possible star tracker, and the necessary associated electronic equipment. Dispersion from the predicted impact point would be less than 10 miles. The prospective development called for a prototype to be delivered to NASA for testing in February 1961; and first qualified system, or Modification I, to be delivered by August 1961; and the final qualified system, or Modification II, to be delivered by January 1962. STG anticipated that four navigational systems (not including prototype or qualification units) would be required.

Minuteman I

Minuteman I

A técnica do lançamento em si, a parte do foguete, progredia bem, pois a “guerra fria” solicitava testes quase diários de mísseis. Para não deixar esfriar os músculos no ritmo quente da “guerra fria”, a plataforma de lançamentos TL 1 da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, realizava, naquele mesmo dia 5 de abril de 1960, o disparo de um míssil Minuteman, na configuração Minuteman 1 AT. Com mais de 16 metros de comprimento e quase dois de diâmetro, e pesando cerca de 30 mil kg, o enorme Minuteman podia alcançar apogeus de mais de 1.300 quilômetros. O alcance e a utilização de combustível sólido não deixavam dúvidas quanto à destinação militar de seu uso. Antes de ser usado para lançar bombas nucleares sobre os russos, porém, ele era mais útil ao desenvolvimento da propulsão a jato. Os cientistas não viam inconveniente nenhum em fazer testes para os militares.

Há indícios de que duas correntes políticas coexistiam no programa aeroespacial norte-americano durante a “guerra fria” e, nem sempre, elas concordavam plenamente. Uma delas estava mais ligada ao Pentágono, trabalhava para a Defesa, tinha horror de soviéticos e explorava a tecnologia e a ciência como instrumentos para enfrentar – e de certa maneira manter vivos – os dragões do “perigo vermelho”. Outra corrente se sentia melhor no ambiente experimental da NASA do que no ambiente pomposo do Pentágono, era descendente dos pioneiros inventores de foguetes, inclinava-se para o uso “puro” da propulsão a jato, estudava sem constrangimentos os êxitos soviéticos e explorava o medo generalizado do “perigo vermelho” para conseguir recursos para seus inventos e pesquisas; mas para conseguir estes recursos, precisavam dos economistas da Defesa, os “McNamaras”. De certa maneira, os políticos precisavam dos foguetes que os cientistas sabiam construir e, do outro lado, os cientistas precisavam dos recursos que os políticos sabiam extrair do orçamento.

X24c

X24c

Durante aqueles anos de ouro, ou melhor, de hidrogênio líquido, a coisa funcionava. No entanto, às vezes havia atritos. Uma mostra de que estas duas correntes às vezes sofriam “ignições” ocorreu naquele dia 5 de abril de 1960. Espiões do FBI descobriram, não se sabe como, que os soviéticos estariam tramando construir naves guerreiras que poderiam sobrevoar os EUA acima da atmosfera. Uma concepção totalmente inviável – mesmo que os soviéticos tivessem aventado a possibilidade, conheciam o suficiente de mecânica orbital para não perder tempo com tal impossibilidade. Mas espiões não são engenheiros e políticos não são cientistas. Alguém enfiou a minhoca na cabeça da US Air Force. Surgiu então um projeto de defesa que talvez tenha sido uma das mais esdrúxulas idéias de todo a corrida espacial. Nada menos do que uma nave armada, projetada para patrulhamento, interceptação e ataque “ar-ar”. Chamava-se SAINT, SAtellite INTerceptor. No dia 5 de abril de 1960, Herbert York, encarregado pelo Departamento de Defesa para assuntos de Pesquisa e Engenharia, aprovou o projeto, mas com a condição de que ele fosse tocado com recursos da Air Force, usando o orçamento existente, cortando outros projetos, se preciso fosse. Era o mesmo que desaprovar.

Alguém teve de ir embora com um projeto de baixo do braço. Dois anos mais tarde, o projeto SAINT era definitivamente abandonado. Herbert York (1921-2009) era físico, participara do Projeto Manhattan, e já estivera com Albert Einstein refletindo sobre não proliferação de armas atômicas. Um homem realista.

John_Houbolt e a espaçonave LOR (Lunar Orbit Rendezvous)

John Houbolt e a espaçonave LOR (Lunar Orbit Rendezvous)

Outro homem realista era o engenheiro espacial John Cornelious Houbolt (Virgínia, 1919), que naquele mesmo dia 5 de abril de 1960, estava em Nova York, fazendo uma palestra no Encontro Nacional de Aeronáutica da Sociedade de Engenharia Automotiva. Houbolt é apontado como autor de todo o projeto de engenharia da órbita lunar das naves Apollo e dos módulos lunares – o conceito de LOR, Lunar Orbit Rendezvous. Sem as idéias de Houbolt, a ida a Lua jamais teria ocorrido ainda naquela agitada década de 60.

Milton W.

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