Archive for category Exobiologia

Refinando a hipótese da Terra Rara: o que seria ‘o suficientemente adequado’ para os exoplanetas?

Para a menina “Cachinhos Dourados” da popular história “Cachinhos Dourados e os Três Ursos”, a sopa não deveria ser muito fria ou muito quente... A temperatura certa é tudo o que ela necessitava.

Para a menina “Cachinhos Dourados” da popular história “Cachinhos Dourados e os Três Ursos”, a sopa não deveria ser muito fria ou muito quente... A temperatura certa é tudo o que ela necessitava.

Para um exoplaneta similar a Terra hospedar a vida complexa como nós conhecemos (a vida multicelular), a temperatura é sem dúvida fundamental, mas o que mais é importante? O que faz com que a temperatura de uma ‘exo-Terra’ seja “suficientemente justa”?

Estudos recentes concluíram que responder estas perguntas pode ser surpreendentemente difícil e que algumas das respostas são até curiosas.

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Cientistas desafiam a teoria da “sopa primordial” como explicação básica para a origem da vida

Fontes hidrotermais oceânicas: o berço da vida?

Fontes hidrotermais oceânicas: o verdadeiro berço da vida?

Durante 80 anos os biólogos têm aceitado que a vida começou em uma ‘sopa primordial’ de moléculas orgânicas, antes de evoluir para fora dos oceanos, milhões de anos mais tarde.

BioEssaysAgora, a teoria da ‘sopa primordial’ foi virada de cabeça para baixo por um artigo pioneiro publicado no BioEssays que afirma que foi a energia química da Terra, procedente dos respiradouros hidrotermais oceânicos, que deu o primeiro impulso para a vida.

Teoria obsoleta: que fazer com os livros de biologia?

“Os livros [antigos de biologia, nos quais nós aprendemos este assunto] alegam que a vida surgiu de uma sopa orgânica e que as primeiras células cresceram fermentando estes compostos orgânicos para gerar energia sob a forma de ATP. Nós agora fornecemos uma nova perspectiva sobre o porquê da antiga visão familiar não funcionar de forma alguma (!)”, disse o líder da equipe, Dr. Nick Lane, do University College em Londres.

“Nós apresentamos a alternativa de que a vida surgiu a partir dos gases atmosféricos (H2, CO2, N2 e H2S) e que a energia para a vida primordial veio pelo uso de gradientes geoquímicos existentes nos fundos dos oceanos em um tipo especial de fontes hidrotermais de alta profundidade – do tipo que está repleta de compartimentos minúsculos, ou poros, interconectados”.

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A Terra é Rara? Ou não?

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A Terra e a Lua em montagem feita a partir de imagens da sonda Mariner 10, que se dirigia para Vênus e Mercúrio em 1973. A Terra e a Lua estão em escala real de tamanho. Crédito: NASA

Se as civilizações alienígenas ou a vida inteligente extraterrestre são realmente raras em nossa galáxia, a Via Láctea, então é provável que não iremos ouvir algo dos ET antes do Sol tornar-se uma gigante vermelha, em cerca de cinco bilhões anos, no entanto, se contatarmos os alienígenas inteligentes antes disso, nós teremos muitas boas conversas antes da Terra ser esterilizada.

Essa é a conclusão de um recente estudo realizado por Duncan Forgan e Ken Rice, baseado na hipótese da Terra Rara de Peter Ward e D. Brownlee, no qual eles criaram um modelo computacional de uma galáxia hipotética, que simula a Via Láctea onde vivemos, processando esta simulação por 30 vezes. Como premissa, os cientistas consideraram em  sua galáxia simulada que a vida inteligente formou-se em plantas similares a Terra apenas, tal como estabelece a hipótese da Terra Rara.

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Nova técnica para detectar exoplanetas tipo Terra a partir de observatórios terrestres

Concepção artística do exoplaneta HD 189733b, do telescópio que o estudou e sua composição química. Crédito: NASA

Concepção artística do exoplaneta HD 189733b, do telescópio que o estudou e sua composição química. Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os astrônomos descobriram uma nova técnica que utiliza telescópios terrestres para estudar as atmosferas de planetas extrasolares, acelerando a nossa procura por planetas tipo-Terra que apresentam moléculas relacionadas com a presença da vida. O artigo que descreve a pesquisa, A ground-based near-infrared emission spectrum of the exoplanet HD 189733b, foi publicado em 04 de fevereiro de 2010 na revista Nature.

Os cientistas desenvolveram a nova técnica ao usar um telescópio infravermelho da NASA, no Havaí, para identificar um tipo de molécula orgânica na atmosfera do exoplaneta HD 189733b, do tamanho de Júpiter, situado a cerca de 63 anos-luz de distância.

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Pode haver vida em exoplanetas que orbitam estrelas maiores que o Sol?

É possível a formação de mundos em volta de estrelas massivas da classe A e B?

É possível a formação de mundos em volta de estrelas massivas da classe A e B?

Os exobiólogos há muito especulam sobre vida extraterrestre em exoplanetas que orbitam estrelas como o nosso Sol (das classes espectrais G e K), mas ultimamente tem-se também pensado a respeito das estrelas da classe M (anãs vermelhas). Seriam as anãs vermelhas cercadas de algum exoplaneta habitável? Ou alguma exolua? Vamos deixar as anãs vermelhas para outro debate…

Assim, vamos tratar aqui do outro extremo estelar e responder a pergunta:

Seriam as estrelas das classes A e B, 2 a 15 vezes mais massivas que o Sol, candidatas a hospedar exoplanetas habitáveis?

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Vamos descobrir em breve uma exolua tal como a lua Pandora do filme Avatar?

Nesta concepção artística vemos um planeta gigante hipotético com uma lua 'tipo-Terra' similar a exolua Pandora do filme Avatar. Pesquisas recentes mostram que se econtrarmos tal exolua na zona habitável de uma estrela próxima, o telescópio James Webb Space Telescope será capaz de estudar sua atmosfera e detectar gases importantes para a vida tais como o dióxido de carbono, o metano, o vapor d'-água e o oxigênio. Crédito: David A. Aguilar, CfA

Nesta concepção artística vemos um planeta gigante hipotético com uma enorme lua 'tipo-Terra' similar a exolua Pandora do filme Avatar. Pesquisas recentes mostram que se econtrarmos tal exolua na zona habitável de uma estrela próxima, o telescópio James Webb Space Telescope será capaz de estudar sua atmosfera e detectar gases importantes para a vida tais como o dióxido de carbono, o metano, o vapor d'-água e o oxigênio. Crédito: David A. Aguilar, CfA

O novo sucesso do cinema “Avatar” se passa em uma lua habitável e habitada chamada Pandora, que orbita o planeta fictício gigante gasoso Polyphemus no sistema real de Alfa Centauri.

Embora as luas que conseguem suportar a vida como Pandora ou a lua coberta de florestas de Endor (do filme Star Wars) sejam criações da ficção científica, os astrônomos estão ainda por descobrir as luas extrasolares (exoluas). Entretanto, a existência de exoluas tem relevância científica e os pesquisadores poderão em breve não só conseguir descobri-las como também analisar suas atmosferas buscando por sinais da presença de vida como a conhecemos, tais como a existência de oxigênio e de vapor d’-água.

“Se Pandora existisse, nós potencialmente poderemos detectá-la e estudar sua atmosfera nos próximos anos”, disse a astrofísica Lisa Kaltenegger do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, Massachusetts. EUA.

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Poderá a maré galáctica ter alguma influência sobre a vida na Terra?

A nuvem de Oort foi influenciada pelas marés galácticas? Crédito: Jon Lomberg

A nuvem de Oort foi influenciada pelas marés galácticas? Crédito: Jon Lomberg

Seria a maré galáctica bastante forte para influir nos cometas de a Nuvem de Oort e assim ter ajudado a formar o nosso planeta?

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Podem as Super Terras serem superiores para hospedar a vida?

Podem as super terras serem superiores a hospedar a vida? O exoplaneta recém descobero orbita a estrela Gliese 667 C a qual pertencem a um sistema triplo de estrelas. Este exoplaneta com 6 vezes a massa da Terra circula em volta de sua estrela hospedeira de baixa massa (anã vermelha) a uma distância de 'apenas' 5% da distância Terra x Sol. A estrela mãe é companheira de duas outras estrelas anãs vermelhas, que podem ser vistas nesta concepção artística à esquerda. Crédito: ESO

Podem as Super Terras serem superiores para hospedar a vida? O exoplaneta Gliese 667 Cb recém descoberto orbita a estrela Gliese 667 C a qual pertence a um sistema triplo de estrelas. Este exoplaneta com 6 vezes a massa da Terra circula em volta de sua estrela hospedeira de baixa massa (anã vermelha) a uma distância de apenas 5% da distância Terra x Sol. A estrela mãe é companheira de duas outras estrelas anãs vermelhas, que podem ser vistas nesta concepção artística, acima e à esquerda. Crédito: ESO

Os astrônomos já descobriram centenas de exoplanetas similares ao planeta Júpiter em nossa galáxia. Entretanto, alguns exoplanetas que foram encontrados orbitando estrelas distantes têm tamanhos mais próximos ao da Terra. Isto dá esperanças aos astrobiólogos os quais julgam que estamos mais próximos de encontrar vida em planetas rochosos com água líquida.

Os planetas rochosos encontrados até agora são efetivamente mais massivos que o nosso. Dimitar Sasselov, professor de astronomia na Universidade de Harvard, ressalta que os cientistas cunharam o termo “Super-Terra” para refletir sua massa maior que a da Terra,  e não para indicar quaisquer qualidades superiores.

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O mistério sobre origem do metano na atmosfera marciana ganha novas pistas

Os cientistas ainda não sabem o suficiente para dizer com certeza qual é a fonte do metano em Marte. Nesta ilustração, a água subsuperficial, o dióxido de carbono e o aquecimento interno do planeta Marte se combinam para libertar metano. Embora não tenhamos evidências da haver atividade vulcânica atual em Marte, metano aprisionado em "gaiolas de gelo" poderá ter sido liberado. Crédito: NASA/Susan Twardy

Os cientistas ainda não sabem o suficiente para dizer com certeza qual é a fonte do metano em Marte. Nesta ilustração, a água subsuperficial, o dióxido de carbono e o aquecimento interno do planeta Marte se combinam para libertar metano. Embora não tenhamos evidências de haver atividade vulcânica atual em Marte, o metano possivelmente aprisionado em "gaiolas de gelo" poderá ter sido liberado. Crédito: NASA/Susan Twardy

A presença do metano sempre causa frisson nos astrônomos…

O mistério da presença do metano na atmosfera de Marte continua intrigando os cientistas. Agora, em novo estudo publicado em 9 de dezembro de 2009, na revista Earth and Planetary Science Letters, os cientistas eliminaram a possibilidade do metano ter sido trazido à Marte por meteoritos, levantando novas esperanças que o gás tenha sido gerado por atividades biológicas no Planeta Vermelho.

O metano tem um curto ciclo de vida em Marte, cerca de poucas centenas de anos, porque é constantemente destruído pelas reações químicas na atmosfera do planeta, causadas pela luz solar. Assim, o metano não resiste muito tempo sob a luz do Sol que o destrói rapidamente, formando outras moléculas orgânicas. Por esta razão o descobrimento de metano em qualquer ponto do Sistema Solar sempre causa frisson nos astrônomos,  já comentado em “Como Titã conseguiu sua atmosfera rica em Metano?“.

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Está a vida baseada no cianureto gerado pelos impactos espaciais?

O impacto de um projétil, simulando um asteróide a 6 km/s, gerou o cianureto, elemento importante na formação dos aminoácidos, blocos formadores da vida. Credito da imagem: P. H. Schultz, Universidad Brown y AVGR

O impacto de um projétil, simulando um asteróide a 6 km/s, gerou o cianureto, elemento importante na formação dos aminoácidos, blocos formadores da vida. Crédito da imagem: P. H. Schultz, Universidade Brown e AVGR

A vida na Terra pode ter sido construída sobre uma fundação de cianureto que foi gerado nas ferozes passagens dos asteróides através da atmosfera. Este cenário foi sugerido por novos experimentos de impacto em altas velocidades.

A Terra provavelmente não nasceu com uma grande quantidade de material orgânico (moléculas complexas de carbono que a vida necessita). Na verdade, a Terra formou-se demasiadamente perto do Sol para que tais compostos químicos orgânicos se condensassem originalmente no disco primordial de gás e poeira cósmica que girava no disco de matéria torno do proto-sistema Solar.

Uma possibilidade é que a matéria orgânica se formou na Terra depois de que o planeta se assentou, por exemplo, em reações químicas induzidas pelos raios nas tempestades atmosféricas. Este cenário foi proposto através do experimento de Stanley Miller na Universidade de Chicago na década de 1950. Este cenário tens restrições pois as reações químicas associadas somente poderiam acontecer na atmosfera inicial terrestre, repleta de metano e hidrogênio. Posteriormente, estudos e análises do registro geológico antigo trouxeram evidências de que a hipótese de Stanley Miller é improvável.

Outros estudos têm sugerido que os blocos básicos da vida procedem de cometas e asteróides que impactaram a Terra, pois estes objetos contêm altas concentrações de material orgânico. No entanto, o tremendo calor do impacto haveria poderia ter queimado grande parte do material, convertendo-o em moléculas mais simples como o dióxido de carbono.

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