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jul 27

Órion: A história de três cidades estelares

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A OmegaCAM — a câmera de grande angular óptica montada no Telescópio de Rastreamento do VLT do ESO (VST) — capturou de forma detalhada a Nebulosa de Órion e o seu aglomerado associado de estrelas jovens, dando origem a esta imagem. Este objeto famoso, o local de nascimento de muitas estrelas massivas, é uma das maternidades estelares mais próximas de nós, situada a cerca de 1.350 anos-luz de distância. Crédito: ESO/G. Beccari

A partir de nova observações obtidas com o Telescópio de Rastreamento do VLT do ESO, astrônomos descobriram três populações distintas de estrelas bebês no Aglomerado da Nebulosa de Órion. Esta descoberta inesperada ajuda a compreender melhor como é que se formam este tipo de aglomerados, sugerindo que a formação estelar pode acontecer em surtos, onde cada um ocorre numa escala de tempo muito mais rápida do que se pensava anteriormente.

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A OmegaCAM — a câmera de grande angular óptica montada no Telescópio de Rastreamento do VLT do ESO (VST) — capturou de forma detalhada a Nebulosa de Órion e o seu aglomerado associado de estrelas jovens, dando origem a esta imagem. Este objeto famosa, onde nascem muitas estrelas massivas, é uma das maternidades estelares mais próximas de nós, situada a cerca de 1,350 anos-luz de distância. Nesta imagem as diferentes populações de estrelas jovens estão assinaladas com cores diferentes. As azuis são as mais velhas e as vermelhas as mais jovens, com as verdes indicando estrelas de idade intermediária. Estas estrelas parecem ter-se formado em 3 episódios distintos de formação estelar durante os últimos 3 milhões de anos. Crédito: ESO/G. Beccari

OmegaCAM — a câmera de grande angular óptica montada no Telescópio de Rastreamento do VLT do ESO (VST) — capturou de forma detalhada a Nebulosa de Órion e o seu aglomerado associado de estrelas jovens, dando origem a esta imagem. Este objeto é uma das maternidades estelares mais próximas de nós, onde nascem tanto estrelas de grande como de pequena massa, situada a cerca de 1350 anos-luz de distância [1].

Esta imagem é mais do que apenas uma fotografia bonita. Uma equipe de astrônomos, liderada pelo astrônomo do ESO Giacomo Beccari, usou estes dados de qualidade sem precedentes para medir de forma precisa o brilho e as cores de todas as estrelas do aglomerado da Nebulosa de Órion. Estas medições permitiram aos astrônomos determinar a massa e idade das estrelas. Surpreendentemente, os dados revelaram três sequências de potenciais idades diferentes.

Giacomo Beccari,  o autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados, declarou:

Ao analisar pela primeira vez os dados, ficamos bastante surpreendidosA excelente qualidade das imagens OmegaCAM revelou sem sombra de dúvidas que estamos a observar três populações estelares distintas nas regiões centrais de Órion.

Monika Petr-Gotzens, co-autora do artigo, e que também trabalha no ESO em Garching, explicou:

Este resultado é extremamente significativo. O que estamos vendo é que, neste aglomerado, as estrelas na fase inicial das suas vidas não se formaram todas em simultâneo, o que quer dizer que o nosso conhecimento relativa à formação de estrelas em aglomerados pode ter que ser modificado.

Os astrônomos investigaram cuidadosamente a possibilidade dos diferentes brilhos e cores de algumas das estrelas terem origem em estrelas companheiras escondidas, em vez de indicarem idades diferentes, o que faria com que as estrelas parecessem mais brilhantes e vermelhas do que o são na realidade. No entanto, esta explicação implicaria a existência de propriedades bastante diferentes desses pares, propriedades que nunca foram observadas anteriormente. Outras medições das estrelas, tais como velocidades de rotação e espectros, apontam também para que as suas idades sejam diferentes [2].

Beccari concluiu:

Embora não possamos ainda refutar formalmente a possibilidade destas estrelas serem binárias, parece muito mais natural aceitar que estamos observando três gerações de estrelas que se formaram em sucessão durante um intervalo de tempo de cerca de 3 milhões de anos.

Os novos resultados sugerem fortemente que a formação estelar no aglomerado da Nebulosa de Órion ocorre em surtos e mais rapidamente do que se pensava anteriormente.

Este trabalho foi descrito no artigo científico intitulado “A Tale of Three Cities: OmegaCAM discovers multiple sequences in the color­ magnitude diagram of the Orion Nebula Cluster” de G. Beccari et al., publicado na revista especializada Astronomy & Astrophysics.

Notas

[1] A Nebulosa de Órion tem sido estudada com o auxílio de muitos dos telescópios do ESO, incluindo através de imagens obtidas no visível com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros (eso1103) e de imagens infravermelhas do VISTA (eso1701) e do instrumento HAWK-I montado no Very Large Telescope (eso1625).

[2] Este grupo descobriu também que cada uma das três gerações diferentes de estrelas gira a velocidades diferentes — as estrelas mais jovens giram mais depressa enquanto que as estrelas mais velhas giram mais devagar. Neste cenário, as estrelas teriam se formado em rápida sucessão, num intervalo de tempo de cerca de 3 milhões de anos.

Fonte

ESO: eso1723 — Science Release / A Tale of Three Stellar Cities

Artigo Científico

A Tale of Three Cities: OmegaCAM discovers multiple sequences in the color­ magnitude diagram of the Orion Nebula Cluster

 

._._.

eso1723a – A Tale of Three Cities

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