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jul 12

EBLM J0555-57Ab é a menor estrela já medida até hoje

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Uma estrela do tamanho de Saturno, a menor em tamanho já medida, foi descoberta pelos astrônomos liderados pela Universidade de Cambridge. Créditos: A. Boetticher et al. 2017

A menor estrela já mensurada foi descoberta por um time de astrônomos orientado pela Universidade de Cambridge. Com um tamanho ligeiramente maior que o de Saturno, a atração gravitacional em sua superfície estelar é quase 300 vezes mais forte do que os humanos sofrem aqui na Terra.

A estrela é provavelmente tão pequena quanto as estrelas podem ser, pois tem apenas massa suficiente para permitir a fusão dos núcleos dos átimos de hidrogênio em hélio. Se fosse menor, a pressão no centro da estrela já não seria suficiente para permitir a ocorrência deste processo. A fusão do hidrogênio é também o que impulsiona o Sol e os cientistas estão tentando replicar este processo como uma poderosa fonte de energia aqui na Terra.

Estas estrelas muito pequenas e fracas são também as melhores candidatas possíveis à detecção de exoplanetas parecidos com a Terra que podem abrigar água líquida à superfície, como TRAPPIST-1, uma anã ultrafria orbitada por sete mundos temperados do tamanho da Terra, recentemente estudada.

A estrela recém-medida EBLM J0555-57Ab está localizada a cerca de 600 anos-luz de distância. Esse objeto faz parte de um sistema binário e foi identificada enquanto passava em frente da sua companheira de maior porte, em um método normalmente utilizado para se detectar exoplanetas, não propriamente estrelas.

Alexander Boetticher, autor principal do estudo e estudante de mestrado no Laboratório Cavendish e Instituto de Astronomia de Cambridge, declarou:

Nossa descoberta revela quão pequenas as estrelas podem ser. Caso esta estrela tivesse uma massa ligeiramente menor, a reação de fusão do hidrogênio no seu núcleo não poderia ser sustentada e a estrela tornar-se-ia uma anã marrom (em Portugal: anã castanha).

EBLM J0555-57Ab foi identificada pelo programa WASP, uma experiência de busca de exoplanetas gerenciada pelas Universidades de Keele, Warwick, Leicester e St. Andrews. A estrela EBLM J0555-57Ab foi detectada quando passava em frente (transitava) a sua companheira de maior porte, formando o que denominamos por ‘sistema binário eclipsante’. A estrela principal tornou-se mais tênue de forma periódica, revelando a assinatura de um objeto em órbita. Graças a esta configuração especial, os investigadores puderam medir com precisão a massa e o tamanho de quaisquer companheiras em órbita, neste caso uma estrela pequena. A massa de EBLM J0555-57Ab foi determinada graças ao método Doppler (oscilação ou velocidade radial), usando dados do espectrógrafo CORALIE e foi estimada em 85 ± 4 vezes a massa do planeta Júpiter.

Von Boetticher explicou:

Esta estrela é menor e provavelmente mais fria do que alguns dos exoplanetas gigantes gasosos que identificamos até agora. Embora seja uma característica fascinante da física estelar, muitas vezes é mais difícil medir o tamanho dessas estrelas tênues de baixa massa do que o tamanho de muitos dos exoplanetas maiores. Felizmente, podemos encontrar estas estrelas pequenas com o equipamento que usamos para descobrir exoplanetas, quando orbitam uma estrela companheira maior num sistema binário. Pode parecer incrível, mas encontrar uma estrela pode, por vezes, ser mais difícil do que encontrar um exoplaneta.

Esta estrela recentemente medida tem uma massa comparável à estimativa atual para a anã vermelha TRAPPIST-1, mas tem um raio quase 30% menor.

O coautor Amaury Triaud, pesquisador sênior do Instituto de Astronomia de Cambridge, destacou:

As estrelas menores fornecem condições ideais para a descoberta de exoplanetas similares a Terra e para a exploração remota das suas atmosferas. No entanto, antes que possamos estudar exoplanetas, precisamos de entender a sua estrela. Isso é fundamental.

Embora as anãs vermelhas sejam as estrelas mais numerosas do Universo, as estrelas com menos de 20% da massa do Sol são ainda pouco compreendidas, uma vez que são difíceis de detectar devido ao seu pequeno tamanho e brilho muito baixo. O projeto EBLM, que identificou a estrela deste estudo, visa eliminar esse lapso no conhecimento.

O professor Didier Queloz, coautor do estudo e do Laboratório Cavendish de Cambridge, concluiu:

Graças ao projeto EBLM, atingiremos uma compreensão muito maior dos exoplanetas em órbita das estrelas mais comuns, os exoplanetas como aqueles que orbitam TRAPPIST-1.

Os detalhes foram publicados em A&A (Astronomy & Astrophysics).

Fontes

Phys.org: Smallest-ever star discovered by astronomers

Universidade de Cambridge: Smallest-ever star discovered by astronomers

._._.

1706.08781 – The EBLM project III. A Saturn-size low-mass star at the hydrogen-burning limit

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