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abr 10

Kepler 1649b: Vênus 2.0 foi descoberto em volta de estrela anã vermelha próxima

https://www.universetoday.com/wp-content/uploads/2017/04/Kepler-1649b-Low-res-RGB.jpg

Impressão artística de um homólogo de Vênus orbitando uma estrela uma anã vermelha, classse M. Crédito: Danielle Futselaar

Astrônomos descobriram um exoplaneta a 219 anos-luz de distância que parece ser um homólogo de Vênus, usando o Telescópio Espacial Kepler da NASA. Este mundo recém-descoberto é apenas ligeiramente maior do que a Terra e orbita a estrela de temperatura relativamente amena Kepler-1649, que possui 1/5 do diâmetro do nosso Sol.

O exoplaneta abraça com firmeza (gravitacionalmente) sua estrela hospedeira, completando uma órbita a cada 9 dias. Esta órbita justa faz com que o fluxo de radiação da estrela hospedeira que alcança o exoplaneta seja 2,3 vezes maior do que o fluxo solar na Terra. Para comparação, o fluxo solar de Vênus é 1,9 vezes do que o valor terrestre.

Essa descoberta fornecerá mais informações sobre a natureza de exoplanetas em redor de anãs vermelhas (classe M), que constituem largamente o tipo mais comum de estrelas no Universo. Embora essas estrelas sejam mais vermelhas, mais frias e mais tênues do que o Sol, as recentes descobertas exoplanetárias revelaram casos em que mundos tipo-Terra orbitam as anãs classe M em órbitas que os colocam na zona habitável da estrela. Mas esses mundos podem, inevitavelmente, não serem análogos da Terra, que tem um clima extremamente apropriado para a vida como a conhecemos. Podem também ser análogos de Vênus, com atmosferas espessas, efeito estufa descontrolado e temperaturas escorchantes.

De acordo com a cientista Isabel Angelo do Instituto SETI o estudo de exoplanetas parecidos com Kepler-1649b, um provável análogo de Vênus, é:

Cada vez mais importante para entendermos os limites das zonas habitáveis das anãs vermelhas classe M.

Há diversos fatores, como a variabilidade estelar e os efeitos de maré, que tornam esses exoplanetas diferentes de exoplanetas do tamanho da Terra em redor de estrelas parecidas com o Sol.

Alguns dizem que Vênus é um planeta ‘irmão’ da Terra, porém, em vários aspectos, isso não pode ser considerado como uma verdade. Apesar de Vênus ter quase o mesmo tamanho que a Terra e de estar ‘apenas’ 40% mais próximo do Sol, sua atmosfera e temperatura são extremamente diferentes da Terra. Se queremos achar vida em mundos tipo-Terra, devemos tentar entender melhor os sistemas exoplanetários.

Elisa Quintana, cientista do Instituto SETI e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, pertencente ao time que descobriu Kepler-1649b, destacou:

Muitas pessoas estão focadas na descoberta de outras Terras. Mas os análogos de Vênus são igualmente importantes.

Tendo em vista que que estão prestes a serem lançados novos telescópios, que nos permitirão estudar atmosferas, o foco tanto em análogos da Terra como em análogos de Vênus poderá ajudar-nos a decifrar porque é que em nosso Sistema Solar, um permite que a vida se desenvolva e o outro não, apesar de terem massas parecidas, densidades comparáveis, etc etc.

Fontes

Universe Today: VENUS 2.0 DISCOVERED IN OUR OWN BACK YARD

Instituto SETI: POSSIBLE VENUS TWIN DISCOVERED AROUND DIM STAR

Astronomical Journal: Kepler-1649b: An Exo-Venus in the Solar Neighborhood

._._.

Angelo_2017_AJ_153_162 – Kepler-1649b – An Exo-Venus in the Solar Neighborhood

1 comentário

  1. CARLOS ABRAHAM DUARTE

    É bom lembrar que Vênus NEM SEMPRE foi o que é hoje, e que existem fortes evidências no sentido de que, num passado ultrarremoto, alguns bilhões de anos atrás (alguns astrofísicos postulam que até uns “meros” 800-700 milhões de anos atrás), Vênus já possuiu oceanos e um clima global mais ameno e hospitaleiro à vida-tal-qual-conhecemos – até mais do que Terra no mesmo período! A questão é: o que, quando e onde saiu errado p/a que, em determinada fase de sua evolução planetária, nosso “astro-irmão” fosse vítima de tão avassalador efeito estufa que terminou por transformá-la na “gêmea feia e má” de nossa aprazível Terra? A perda de seu campo magnético pode ser a chave do enigma (como tb parece ser o caso de Marte, que igualmente perdeu seus oceanos e atmosfera mais densa que presumivelmente possuía há alguns bilhões de anos). Portanto, quando se rotula tal exoplaneta como “Vênus 2.0”, “Exo-Vênus” etc-e-tal, a que fase da evolução de Vênus estamos querendo nos referir? Contemporânea, e hostil à vida? Ou há 3 ou 4 bilhões de anos, quando ainda havia um ambiente potencialmente habitável? Nesse caso, o conhecimento da IDADE da estrela-mãe do exoplaneta seria fundamental para nos situarmos quanto ao estágio pelo qual o referido planeta estaria passando e evitarmos de cair no simplismo dos clichês.

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