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mar 28

SDSS J0104+1535: astrônomos descobrem a anã marrom (anã castanha) mais pura e mais massiva até a data

http://www.ras.org.uk/images/stories/press/Brown_Dwarf/halo_brown_dwarf.jpeg

Impressão artística da recém-descoberta anã marrom (anã castanha, em Portugal). Crédito: John Pinfield

Um time internacional de astrônomos identificou uma anã marrom (anã castanha), um objeto estelar sem massa suficiente para desencadear a fusão nuclear em seu núcleo, com a composição mais “pura” e a massa mais alta já conhecida. O objeto, conhecido como SDSS J0104+1535, é um membro do halo galáctico, a região situada nas bordas externas da nossa Via Láctea, composto basicamente por estrelas antigas. Os cientistas relataram a descoberta em MNRAS (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society).

As anãs marrons (anãs castanhas) são os objetos intermediários que ficam entre os planetas e as estrelas anãs vermelhas. A sua massa é demasiadamente pequena para realizar a plena fusão nuclear de hidrogênio em hélio, com a consequente liberação de energia, mas geralmente são significativamente mais massivas que os planetas.

O objeto SDSS J0104+1535 está localizado a 750 anos-luz de distância na direção da constelação de Peixes. Essa anã marrom (anã castanha) tem baixíssima metalicidade, pois é composta por gases cerca de 250 vezes mais puros que o do Sol, ou seja, consiste de mais de 99,99% de hidrogênio e hélio. Estima-se ter sido formada há cerca de 10 bilhões de anos e as medições também sugerem que possui uma massa equivalente a 90 vezes a de Júpiter, o que a torna na anã marrom (anã castanha) mais massiva já encontrada até hoje.

Anteriormente, os cientistas não sabiam se as anãs marrons (anãs castanhas) podiam ser criadas a partir de gás tão primordial. Essa descoberta aponta o caminho para uma maior população, ainda por descobrir, de anãs marrons (anãs castanhas) extremamente puras oriunda passado antigo da nossa Galáxia.

O time de pesquisa foi liderado pelo Dr. ZengHua Zhang do IAC (Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias).

Zhang explicou:

Nós realmente não esperávamos ver anãs marrons [anãs castanhas] assim tão puras. Tendo encontrado uma, entretanto, isso nos sugere a possível existência de uma população muito maior até agora desconhecida. Eu ficaria muito surpreso se não existissem objetos semelhantes lá fora, à espera de serem encontrados.

O objeto SDSS J0104+1535 foi classificado como uma ultra-subanã do tipo L usando o seu espectro no visível e no infravermelho próximo, medido pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO. Esta classificação se baseou em um esquema recentemente estabelecido pelo próprio Dr. Zhang.

Fonte

RAS: Astronomers identify purest, most massive brown dwarf

Artigo Científico

MNRAS: Primeval very low-mass stars and brown dwarfs – II. The most metal-poor substellar object

._._.

1702.02001 – Primeval very low-mass stars and brown dwarfs – II – The most metal-poor substellar object

2 comentários

  1. Lucas Silva

    Com 90 massas jovianas não deveria ser uma anã vermelha? Acho que já vi uma estrela com menos massa que isso.

    1. ROCA

      Seu comentário é muito pertinente. A anã marrom em questão tem (teoricamente) massa para se tornar estrela anã vermelha, mas não o fez devido a baixíssima metalicidade (99,99% de hidrogênio + hélio).

      Como contra-exemplo cito estrela VB10 que tem 78,5 vezes a massa de Júpiter e conseguiu se tornar uma estrela anã vermelha extrema, no limite mínimo de massa.

      Sobre a VB10 e seu exoplaneta gigante leia:

      Pode um exoplaneta ter o mesmo tamanho de sua estrela mãe?
      http://eternosaprendizes.com/2009/06/22/pode-um-exoplaneta-ter-o-mesmo-tamanho-de-sua-estrela-mae/

      \o/

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