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jan 31

Novas imagens feitas pelos rasantes da Cassini revelam detalhes inéditos dos seus anéis

https://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia21060_figa_1041_new.jpg

Esta imagem capturada pela espaçonave Cassini mostra uma onda de densidade no anel A (à esquerda) situada a cerca de 134.500 km de Saturno. As ondas de densidade são acúmulos de partículas em certas distâncias de Saturno. Esta característica está recheada de perturbações irregulares, as quais os cientistas chamam informalmente de “palha”. A onda em si é criada pela gravidade das luas Janus e Epimetheus, que partilham a mesma órbita em volta de Saturno. Além disso, o cenário apresenta sulcos de uma passagem recente da lua Pan. Créditos: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Fotografias recém-publicadas pelo time da missão Cassini mostram a incrível proximidade com que a espaçonave robótica está observando os deslumbrantes anéis criogênicos de Saturno. Cassini está agora na sua nova fase de “pastoreio dos anéis”.

As fantásticas imagens são algumas das visões mais próximas das partes externas dos anéis principais, fornecendo aos astrônomos uma oportunidade única, ansiosamente aguardada, de observar em detalhes algumas características com nomes exóticos de “palha” e “hélices”. Embora a Cassini já tenha demonstrado estas características antes, as órbitas atuais especiais estão dando novas oportunidades para as observar de mais perto. As novas imagens resolvem detalhes tão pequenos quanto 550 metros, uma escala que se compara aos maiores edifícios da Terra.

https://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia21057_figa.png

Esta imagem mostra uma região no anel exterior B de Saturno. A Cassini observou esta área com o dobro do nível de detalhe atingido anteriormente. Créditos: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

A Cassini está agora a meio caminho da penúltima fase da sua missão, realizando 20 órbitas que mergulham para além da borda externa do sistema principal de anéis. Estas órbitas rasantes pelos anéis começaram no mês de novembro de 2016 e vão continuar até ao final de abril de 2017, quando a Cassini irá começar o seu Grand Finale. Durante as 22 órbitas finais, a Cassini mergulhará repetidamente através do espaço entre os anéis e Saturno. O primeiro mergulho final está agendado para o dia 26 de abril de 2017. Ver o diagrama abaixo:

https://apod.nasa.gov/apod/image/1701/GrandFinale_Cassini_1600.jpg

Diagrama das órbitas finais da espaçonave Cassini. Cada órbita leva cerca de uma semana. Atualmente Cassini está executado as órbitas mostradas em verde claro – “F Ring Orbits”. Em abril de 2017 a Cassini sofrerá um empuxo gravitacional da lua Titã (ver “Titan’s Orbit” em marrom claro) para saltar para as órbitas mais próximas desenhadas em azul escuro (“Proximal Orbits”). A última delas (“Impacting Orbit”) se dará em 15 de setembro de 2017 quando a sonda irá impactar a atmosfera de Saturno para implodir e ser totalmente destruída. O final da Cassini tem por objetivo eliminar qualquer chance de eventual contaminação em volta de Saturno e suas luas, uma vez que a nave não foi totalmente esterilizada quando partiu da Terra em 15 de outubro de 1997.

Por ora, a veterana sonda está viajando além das fronteiras externas dos anéis a cada semana (“F Ring Orbits”), reunindo algumas das melhores imagens dos anéis e das luas. Assim, a Cassini já enviou as melhores imagens de todos os tempos das pequenas luas Daphnis e Pandora.

http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA21055

O melhor close-up de Pandora pela Cassini

Algumas das estruturas vistas nessas imagens recentes da Cassini não foram observáveis com este nível de detalhe desde que a sonda da NASA chegou no sistema de Saturno em meados de 2004. Naquele tempo, os detalhes finos das palhas e hélices, provocados por partículas anulares aglomeradas e pequenas quase-luas (moonlets), respectivamente, nunca tinham sido vistos antes (embora as hélices estivessem presentes em imagens da chegada da Cassini, foram só descobertas em uma análise posterior conduzida no ano seguinte).

A Cassini aproximou-se um pouco mais dos anéis durante a sua chegada a Saturno, mas a qualidade das imagens primordiais não era tão alta quanto nas imagens novas, agora transmitidas. Veja exemplos de imagens antigas nos links: 12 e 3. Essas poucas e preciosas observações apenas retratavam o lado retroiluminado dos anéis e a equipe optou na época por períodos curtos de exposição para minimizar manchas devido ao rápido movimento da Cassini enquanto saltava sobre o plano dos anéis. Isto resultou em imagens cientificamente deslumbrantes, mas ligeiramente escuras e com ruído.

https://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia21058.png

Esta imagem mostra uma parte do anel exterior B de Saturno. A Cassini observou esta área no dobro do nível de detalhe daquele atingido anteriormente. Pelo que se pode notar, ainda existem bem mais detalhes finos para serem observados. Créditos: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Agora, em contraste, as imagens ampliadas que a Cassini começou a capturar nas suas órbitas de pastoreio (e que também capturará na sua fase Grand Finale) são obtidas tanto nos lados iluminados como retroiluminados dos anéis. Em vez de apenas uma breve passagem de algumas horas, a Cassini está efetuando várias dúzias de passagens durante os meses finais da missão.

Carolyn Porco, cientista líder do time de imagens da Cassini, no Instituto de Ciência Espacial em Boulder, Colorado, EUA, declarou:

Como fui a pessoa que planejou aquelas primeiras imagens dos anéis durante a inserção orbital inicial – que permaneceram as nossas visões mais detalhadas dos anéis durante os últimos 13 anos – eu agora estou surpresa pela melhor qualidade dos detalhes nesta nova coleção. Como seria apropriado, acabarmos a missão com as melhores imagens dos anéis de Saturno jamais coletados.

Depois de quase 13 anos analisando os anéis de Saturno, o time da Cassini tem agora uma compreensão mais profunda e rica do que tem observado, no entanto, os astrônomos ainda antecipam novas surpresas que estão para surgir.

https://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/pia21059_figa.png

Esta imagem da sonda robótica Cassini da NASA mostra uma área do anel A de Saturno. Convém explicar que a fotografia contém muitos riscos brilhantes e pequenos devido aos raios cósmicos e à radiação de partículas carregadas perto do planeta. Créditos: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Matthew Tiscareno, cientista da Cassini que estuda os anéis de Saturno no Instituto SETI, em Mountain View, Califórnia, explicou:

Estas passagens de raspão representam a abertura de uma janela inteiramente nova nos anéis de Saturno e, ao longo dos próximos meses, esperamos dados ainda mais inebriantes à medida que apontamos as nossas câmeras em outras partes dos anéis mais próximas do planeta.

Matthew Tiscareno planejou as novas imagens para a equipe que opera as câmeras da Cassini.

Lançada pela NASA em 1997, a sonda robótica Cassini tem visitado o sistema de Saturno desde que lá chegou em 2004 para realizar o estudo do planeta, dos anéis, das luas e da sua vasta magnetosfera. A Cassini fez inúmeras descobertas decisivas, com destaque para a presença de um oceano global com indicações de atividade hidrotermal no interior da lua Enceladus e a existência de mares de metano líquido na lua Titã.

Fontes

NASA:

NASA Photojournal: PIA21055: Pandora Up Close

APOD: Cassini’s Grand Finale Tour at Saturn

._._.

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