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jan 13

As estrelas mais distantes da Via Láctea provavelmente foram roubadas de outra galáxia, a ‘anã de Sagitário’

https://www.cfa.harvard.edu/sites/www.cfa.harvard.edu/files/images/pr/2017-02/1/hires.jpg

Neste diagrama criado por simulação computacional, a oval vermelha marca o disco da Via Láctea e o ponto vermelho representa a localização da galáxia ‘anã de Sagitário’. Os círculos amarelos representam estrelas que foram arrancadas da galáxia anã e ejetadas para o espaço. Cinco das 11 estrelas mais distantes conhecidas na nossa Galáxia foram provavelmente “roubadas” desta maneira. Créditos: Marion Dierickx/CfA

As 11 estrelas mais distantes conhecidas da nossa Galáxia estão localizadas a cerca de 300.000 anos-luz da Terra, bem além do disco espiral da Via Láctea. Uma nova pesquisa feita por astrônomos de Harvard mostra que metade dessas estrelas podem ter sido arrancadas de outra galáxia: a ‘anã de Sagitário’. Além disso, esses corpos são membros de um longo fluxo estelar que se estende um milhão de anos-luz no espaço, isto é, 10 vezes o diâmetro da nossa Galáxia.

Marion Dierickx, autora principal do artigo, pertencente ao Cfa (Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica), declarou:

Os fluxos de estrelas que foram mapeados até agora são como riachos em comparação com o rio gigante de estrelas que prevemos que será eventualmente observado.

A galáxia ‘anã de Sagitário’ é uma das dúzias das diminutas galáxias satélites que envolvem a nossa Via Láctea. Ao longo da história do Universo, essa galáxia satélite completou várias órbitas em redor da nossa Galáxia. Em cada passagem, as marés gravitacionais geradas pela Via Láctea puxaram e empurraram a galáxia menor, distorcendo-a como um elástico.

Dierickx e o seu orientador de doutoramento, Avi Loeb, físico teórico de Harvard, usaram modelos computacionais para criar simulações dos movimentos da ‘anã de Sagitário’ ao longo dos últimos 8 bilhões de anos. Eles variaram a sua velocidade inicial e ângulo de aproximação à Via Láctea para determinar quais os cenários que melhor correspondiam às observações correntes.

Avi Loeb explicou:

A velocidade de partida e o ângulo de aproximação têm um grande efeito na órbita, assim como a velocidade e o ângulo de um lançamento de um míssil afeta a sua trajetória.

Segundo os cientistas relataram, no começo do processo de simulação, a ‘anã de Sagitário’ tinha uma massa na ordem das 10 bilhões de massas solares, ou seja, cerca de 1% da massa da Via Láctea. Os cálculos de Dierickx mostram que, ao longo do tempo, a infeliz galáxia anã perdeu cerca de um-terço das suas estrelas e um total de nove-décimos da sua matéria escura. Isto resultou em três fluxos estelares distintos que alcançam um milhão de anos-luz a partir do centro da Via Láctea. Os fluxos estendem-se até à fronteira do halo da Via Láctea e são algumas das maiores estruturas observáveis no céu.

Além disso, cinco das 11 estrelas mais distantes na nossa Galáxia têm posições e velocidades que coincidem ao que seria de esperar de estrelas roubadas da ‘anã de Sagitário’. As outras seis não parecem ser da ‘anã de Sagitário’, mas podem ter sido removidas de galáxia(s) anã(s) diferente(s).

Programas de mapeamento celeste tais como o SDSS (Sloan Digital Sky Survey) traçaram um dos três fluxos previstos por estas simulações, mas não em toda a extensão que os modelos sugerem. Instrumentos futuros como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que irá detectar estrelas muito mais tênues no céu, deverão ser capazes de identificar os outros fluxos.

Marion Dierickx sugeriu que:

Existem lá fora ainda mais ‘intrusos’ originados da ‘anã de Sagitário’ à espera de serem encontrados.

As descobertas foram serão publicados em The Astrophysical Journal e estão disponíveis online.

Fonte

Harvard CfA: Farthest Stars in Milky Way Might Be Ripped from Another Galaxy

Artigo Científico

Predicted Extension of the Sagittarius Stream to the Milky Way Virial Radius

._._.

1611.00089v1 – Predicted Extension of the Sagittarius Stream to the Milky Way Virial Radius

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