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nov 26

“Funil” descoberto em Marte pode ser um lugar a se buscar vida

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À esquerda: gráfico da profundidade e mapa topográfico da depressão Hellas. À direita: gráfico da profundidade e mapa topográfico da depressão Galaxias Fossae. Crédito: Joseph Levy/NASA

Uma depressão de forma incomum em Marte poderia ser um novo local para procurar sinais de vida, conforme estudo liderado por cientistas da Universidade do Texas, em Austin. A depressão foi provavelmente formada por um vulcão embaixo de um glaciar e poderá ter sido um ambiente quente e rico em produtos químicos, possivelmente adequado para a vida microbiana.

Joseph Levy, membro associado do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, declarou:

Nossa atenção foi atraída para este local porque parecia que poderia hospedar alguns dos principais ingredientes para habitabilidade: água, calor e nutrientes.

A depressão reside dentro de uma cratera empoleirada na borda da bacia Hellas em Marte e é cercada por antigos depósitos glaciais. A característica chamou a atenção de Levy em 2009, quando notou formações geológicas tipo-fissuras em imagens de depressões captadas pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) semelhantes às caldeiras de gelo na Terra, que são formações encontradas na Islândia e na Groenlândia produzidas por vulcões em erupção sob uma camada de gelo. Outra depressão na região Galaxias Fossae de Marte tem uma aparência idêntica.

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Depressão localizada dentro de uma cratera na borda da região da bacia Hellas em Marte. Uma nova pesquisa sugere que a depressão foi formada por atividade vulcânica embaixo de uma camada de gelo. Os cientistas julgam que trata-se de um ambiente que poderia ser hospitaleiro à vida microbiana. Crédito: Joseph Levy/NASA

Joseph Levy explicou:

Estas formações chamaram a nossa atenção porque são anômalas. São fraturadas concentricamente, de modo que se parecem com um alvo. Tal pode ser um padrão que observamos em materiais aqui da Terra.

Joseph Levy era pesquisador da Universidade Estatal de Portland quando viu pela primeira vez fotografias das depressões.

Entretanto, apenas em 2016 é que Levy e a sua equipe de pesquisa foram capazes de analisar mais profundamente as depressões usando imagens estereoscópicas para desvendar se foram feitas por atividade vulcânica que derreteu a superfície de gelo ou por um impacto de um asteroide. Timothy Goudge, colega de pós-doutorado no instituto, usou pares de imagens de alta resolução para criar modelos de elevação digital das depressões que permitiram uma análise aprofundada da sua forma e estrutura em 3D. Cientistas da Universidade de Brown e de Mount Holyoke também participaram na colaboração.

Joseph Levy destacou:

A grande contribuição do estudo foi o fato de termos sido capazes de medir não apenas a sua forma e aparência, mas também quanto material foi perdido para formar as depressões. Essa visão tridimensional nos permite testar esta ideia de vulcanismo ou de impacto.

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Depressão na região Galaxias Fossae de Marte, exibida a partir de várias perspectivas. Nova pesquisa sugere que a depressão foi formada pelo impacto de um asteroide. Crédito: Joseph Levy/NASA

A análise revelou que ambas as depressões partilham um raro formato de funil, com um perímetro amplo que gradualmente se estreita com a profundidade.

Joseph Levy ressaltou:

Isso nos surpreendeu e nos levou à reflexão se significava um aquecimento concentrado no centro que removeu gelo e permitiu o derramamento de material dos lados. Ou, se há uma cratera de impacto, se começou com uma cratera muito menor no passado e através da sublimação do gelo cresceu até ao tamanho aparente atual da cratera.

Depois de testarem cenários para a formação das duas depressões, os pesquisadores descobriram que provavelmente se formaram modos distintos. Os escombros espalhados em volta da depressão Galaxias Fossae sugerem que a característica foi o resultado de um impacto, mas a conhecida história vulcânica da região ainda não descarta origens vulcânicas, realça Levy. Em contraste, a depressão Hellas tem muitos sinais de origens vulcânicas. Hellas não tem os detritos circundantes de um impacto e tem um padrão de fraturas associado com a remoção concentrada de gelo por fusão ou sublimação.

A interação de lava e do gelo para formar uma depressão seria uma descoberta notável, comentou Levy, porque criaria um ambiente com água líquida e nutrientes químicos, ingredientes necessários para a vida na Terra. Levy acrescenta que a depressão Hellas e, em menor escala, a depressão Galaxias Fossae, devem ser mantidas em mente quando buscar por habitats em Marte.

Gro Pedersen, vulcanólogo da Universidade da Islândia, que não esteve envolvido diretamente com o estudo, concorda que as depressões são locais promissores para análises futuras.

Gro Pedersen comentou:

Estas características realmente se assemelham com estruturas de caldeiras de gelo encontradas aqui na Terra e justamente sob essa perspectiva devem ser de grande interesse. São relevantes tanto porque a sua existência pode fornecer informações sobre as propriedades do material subterrâneo, a potencial existência de gelo, quanto devido ao potencial para revelar interações gelo versus vulcão.

http://www.astrobio.net/mars/funnel-mars-place-look-life/

As erupções vulcânicas por baixo de gelo podem criar formações chamadas “caldeiras de gelo”, tais como a que vemos nessa imagem, capturada na região Vatnajökull da Islândia. A nova pesquisa sugere que uma depressão parecida, em Marte, poderá ser uma caldeira de gelo. Crédito: Oddur Sigurðsson/Gabinete Meteorológico da Irlanda

Os resultados foram publicados na revista Icarus.

Fontes

Astrobiology Magazine: A Funnel on Mars Could Be a Place to Look for Life

Texas Institute for Geophysics: Depressions on Mars could be Oases for Past Microbial Life

Universidade do Texas em Austin: A Funnel on Mars Could Be a Place to Look for Life

Artigo Científico

Icarus: Candidate volcanic and impact-induced ice depressions on Mars

._._.

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