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nov 21

Time internacional de astrônomos descobre importante superaglomerado de galáxias escondido atrás da Via Láctea

http://www.mpe.mpg.de/6662987/news161116

O superaglomerado de Vela e suas amplas redondezas: a imagem mostra a distribuição das galáxias dentro e em redor do superaglomerado de Vela (marcado como VSC – Vela SuperCluster na elipse maior). O centro da imagem, a chamada Zona de Exclusão (Zone of Avoidance), está encoberta pela Via Láctea (com os seus campos estelares e camadas de poeira em cinza), que obscurece todas as estruturas que residem atrás. A cor indica as distâncias de todas as galáxias entre meio a um bilhão de anos-luz (em tons de amarelo para o pico do superaglomerado de Vela, em verde para objetos mais próximos e em laranja para objetos mais distantes). A elipse marca a extensão aproximada do superaglomerado de Vela, atravessando o Plano Galáctico. A estrutura foi revelada graças a um novo levantamento espectroscópico. Dada a sua proeminência em ambos os lados do plano da Via Láctea, seria altamente improvável que estas estruturas de larga-escala não estivessem efetivamente ligadas através do Plano Galáctico. A estrutura pode ser similar, em massa agregada, com a Concentração Shapley (marcada como SC na elipse menor), embora muito mais extensa. O superaglomerado de galáxias denominado por “Grande Atrator”, localizado muito mais próximo da Via Láctea, é um exemplo de uma grande estrutura em teia que atravessa o Plano Galáctico, embora seja muito menor que o superaglomerado de Vela. A parte central e obscurecida por poeira do superaglomerado de Vela permanece ainda a ser mapeada. Também podem ser vistas as duas galáxias satélites da Via Láctea mais destacáveis: a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, localizadas para sul do Plano Galáctico. Crédito: Thomas Jarrett (UCT)

Um time internacional de astrônomos descobriu uma desconhecida concentração massiva de galáxias na direção da constelação de Vela, que denominaram ‘superaglomerado de Vela’. A atração gravitacional desta grande concentração de massa na nossa vizinhança cósmica poderá ter um efeito importante no movimento do nosso ‘Grupo Local de Galáxias’, incluindo a Via Láctea. A existência desse superaglomerado poderá ajudar a explicar a direção e amplitude da velocidade peculiar do Grupo Local em relação à CMB (Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas).

Os superaglomerados estão entre as maiores e mais massivas estruturas conhecidas no Universo. Eles agrupam aglomerados de galáxias e muralhas que medem até 200 milhões de anos-luz no céu. O superaglomerado mais famoso é o Superaglomerado Shapley, situado a cerca de 650 milhões de anos-luz, que contém duas dúzias de aglomerados massivos, que emitem raios-X, onde já se mediu a velocidade de milhares de galáxias. Os cientistas julgavam até então que Shapley era o maior do seu tipo em nossa vizinhança cósmica.

Agora, um time de astrônomos multinacional (África do Sul, Holanda, Alemanha e Austrália), que inclui dois cientistas do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre em Garching, Alemanha, descobriu outro massivo superaglomerado, situado um pouco mais distante (800 milhões de anos-luz), que cobre uma área do céu ainda maior do que o Superaglomerado Shapley. O superaglomerado de Vela tem passado despercebido devido à sua localização, atrás do plano da Via Láctea, onde a poeira e as estrelas obscurecem as galáxias de fundo, resultando em uma larga faixa sem fontes extragalácticas. Os resultados do time sugerem que o superaglomerado de Vela pode ser tão massivo quanto Shapley, o que indica que a sua influência sobre os fluxos locais de massa é comparável à de Shapley.

A descoberta foi baseada em observações espectroscópicas multi-objeto de milhares de galáxias parcialmente obscurecidas. Observações realizadas em 2012 com o reformado espectrógrafo do SALT (Southern African Large Telescope), confirmaram que oito novos aglomerados residiam dentro da área de Vela. Observações espectroscópicas subsequentes com o Telescópio Anglo-Australiano na Austrália forneceram milhares de desvios para o vermelho de galáxias e revelaram a vasta extensão desta nova estrutura.

A professora Renée Kraan-Korteweg, da Universidade de Cidade do Cabo, que liderou este estudo e tem vindo a investigar esta região há mais de uma década, exclamou quando o time analisava os espectros do novo levantamento:

Eu não podia acreditar que uma estrutura tão grande aparecesse de maneira tão proeminente!

Os cientistas Hans Böhringer e Gayoung Chon, membros do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, fizeram uma pesquisa na região do superaglomerado buscando por aglomerados galácticos com forte emissão em raios-X e encontraram dois aglomerados gigantes na região coberta pelo levantamento de desvios para o vermelho e outros aglomerados massivos na vizinhança imediata. A dupla assim confirmou:

Esta descoberta mostra que o superaglomerado de Vela tem uma densidade de matéria significativamente maior que a média, tornando-se uma estrutura grande e predominante. 

No entanto, ainda resta muito a se realizar: são necessárias observações de acompanhamento para revelar toda a extensão, massa e influência do superaglomerado de Vela. Até o presente, esta região do céu tem sido minimamente estudada e a parte mais próxima da Via Láctea ainda menos devido à grande densidade estelar e às camadas de poeira que bloqueiam a nossa visão. As observações planejadas com a nova instalação de radioastronomia MeerKAT irão, em particular, ajudar a mapear esta região obscurecida e serão obtidos novos desvios para o vermelho óticos com o novo espectrógrafo multi-objeto, Taipan, na Austrália.

O levantamento em andamento de aglomerados luminosos em raios-X, conduzidos pelo time do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, Hans Böhringer e Gayoung Chon, foi recentemente estendido para dar cobertura a essa faixa de banda da Via Láctea. A área do superaglomerado de Vela e o seu ambiente vão receber atenção especial.

Gayoung Chon concluiu:

Já temos boas indicações de que o superaglomerado de Vela está associado a uma grande rede de filamentos cósmicos traçados por aglomerados, provendo informações sobre a estrutura em larga escala inerente a esse superaglomerado. Com o futuro programa de cobertura, atuando em vários comprimentos de onda, esperamos desvendar a sua influência total sobre a cosmografia e cosmologia.

Fonte

Max Planck: International team discovers major supercluster of galaxies hidden by Milky Way

Artigo Científico

MNRAS: Discovery of a supercluster in the ZOA in Vela

._._.

1611-04615v1-discovery-of-a-supercluster-in-the-zoa-in-vela

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