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maio 20

20 de maio de 1923 – Rádio Sociedade do Rio de Janeiro

Não Há Dia Sem História

20 de maio de 1923

Rádio Sociedade do Rio de Janeiro

No dia 20 de maio de 1923, há 93 anos, o jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, trazia uma uma nota que, na época, talvez não tenha sido tão interessante quanto é hoje:

Foi instalada hontem a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Por entre o mais communicativo enthusiasmo de cerca de 300 pessoas entre professores, engenheiros, médicos, advogados, industriaes, estudantes e operários, installou-se, hontem, no gabinete de Physica da Escola Polytechnica, sob a presidência do Dr. Henrique Morize, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Lidos os estatutos, já aprovados pelos socios fundadores, todos presentes applaudiram-nos e assignaram-nos, quer como socios effectivos, quer como associados. O professor Morize mandou proceder à eleição do conselho director, que, por proposta do Dr. Dulcídio Pereira, foi escolhido por acclamação, entre os applausos dos presentes. O conselho diretore ficou assim constituido: presidente, Henrique Morize; secretário, Roquete Pinto; thesoureiro, Demócrito Lartigaut Seabra; directores: Francisco Lafayette, Carlos Guinle, Luis Betin Paes Leme, Alvaro Osório de Almeida, Costa Lima e Mário de Souza.

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O que estava nascendo, no gabinete de Physica da escola Politechnica sob a presidencia do Dr. Henrique Morize era nada menos do que a radiodifusão educativa brasileira. Os telecursos, as rádios educativas, as reservas de mercado cultural, a TVE, tudo nascia alí. A proposta da Rádio Sociedade era difundir cultura. E se ainda não havia muitos rádios em poder da população, isto não seria problema por muito tempo. Havia boas novas. Ao final da cerimônia, o presidente Dr. Henrique Morize communicou que a empresa General Electric iria installar uma fábrica e iniciar a fabricação de válvulas, no Brasil, o que agilizaria a produção de receptores, além de abaixar o preço.

As barreiras não cairam muito facilmente. Roquete Pinto, o secretário de Henrique Morize, em 1927, quatro anos mais tarde, conclamaria o Brasil através do microfone da própria Rádio Sociedade:

CADA BRASILEIRO QUE CARECE DE CULTURA, DEVE ENCONTRAR NO MUNICÍPIO MEIOS DE POSSUIR SEU PAR DE FONES E O SEU CRISTAL; OS MUNICÍPIOS CONSEGUIRÃO FACILMENTE – DESDE QUE NÃO SE ENTREGUEM AOS EXPLORADORES GANANCIOSOS E MALVADOS – UM TIPO DE RECEPTOR LOCAL POPULAR QUE PODERÁ CUSTAR A TERÇA PARTE DO PREÇO DE UMA SANFONA.

Mas quem era esse Henrique Morize, que fez uma rádio e deu um microfone a Roquete Pinto? Nesta foto (abaixo), ele é o magro alto, de terno marrom, que está sentado ao lado do sujeito de terno branco e bigode, sentado bem no meio. É Henrique Morize. O de bigote e terno claro é o físico alemão Albert Einstein. A foto foi tirada em 9 de maio de 1925.

Visita do Dr Albert Einstein ao Observatório Nacional no dia 09 de maio de 1925, na frente do prédio principal, no Campus de 40.000 m², inaugurado três anos antes, como sede do Observatório no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Visita do Dr Albert Einstein ao Observatório Nacional no dia 09 de maio de 1925, na frente do prédio principal, no Campus de 40.000 m², inaugurado três anos antes, como sede do Observatório no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Henrique Morize: A construção da cultura na República

Henri Charles Morize ou Henrique Morize (Beaune, 31 de dezembro de 1860 – 19 de março de 1930) foi um engenheiro industrial, geógrafo e engenheiro civil francês, naturalizado brasileiro. Trabalhou também como astrônomo. Radicou-se no Brasil em 1874. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) de 1916 a 1926 e diretor do Observatório Nacional (ON) entre 1908 e 1929. Era também Doutor em Ciências Físicas e Matemáticas e foi 2º Comissário da Comissão da República Argentina (1902-1904) do Ministério das Relações Exteriores.

Ele foi o terceiro diretor do Observatório Nacional, sucedendo o astrônomo francês Emmanuel Liais e o engenheiro belga – e também astrônomo – Louis Crulls. Morize, tudo indica, conseguiu superar algumas divergências que existiam na condução da política cultural e científica brasileira e se dedicou intensamente à produção de resultados.

Nasceu em Beaune (França) tendo se naturalizado brasileiro em 1884, quando passou a ser aluno-astrônomo no ON. Teve problemas de saúde o que o levou a completar o curso de engenheiro industrial somente em 1890. No ano seguinte, assumiu o cargo de astrônomo no ON, onde já desempenhava o cargo de 3º astrônomo. Foi também catedrático de física experimental na Escola Politécnica do Rio de Janeiro de 1898 a 1925.

Em 1908, assumiu a direção do ON, cargo que ocupou por 20 anos. Organizou e chefiou a missão brasileira que observou o eclipse em Sobral em 1919. Participou, em 1916, como membro fundador da Sociedade Brasileira de Ciências (mais tarde, Academia Brasileira de Ciências), da qual foi presidente até 1926, quando passou a ser membro benemérito.

Milton W.

._._.

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