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30 de abril de 2015 – A longa missão MESSENGER chegou ao fim com a queda planejada da sonda em Mercúrio

Não Há Dia Sem História
30 de abril de 2015
Choque da MESSENGER em Mercúrio encerra a missão operacional

http://www.nasa.gov/sites/default/files/thumbnails/image/messengerstill.jpg

A sonda MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) viajou durante mais de seis anos e meio antes de entrar em órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011, se chocou com o planeta em 30 de abril de 2015, encerrando a longa missão. Créditos: NASA/JHU APL/Instituto Carnegie de Washington

Em 30 de abril de 2015, há um ano, chegou ao fim a missão MESSENGER.

Depois de extraordinárias descobertas científicas e inovações tecnológicas, a sonda MESSENGER da NASA, lançada em 2004 para estudar Mercúrio, impactou a superfície do menor dos planetas, no dia 30 de abril de 2015, quando seu combustível se esgotou.

A espaçonave robótica MESSENGER (MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) colidiu com a superfície de Mercúrio a mais de 3,91 km/s no lado do planeta oposto à Terra. Segundo as estimativas do evento de impacto, os engenheiros da NASA não seriam capazes de ver em tempo real a localização exata da queda.

Os controladores da missão no Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory (APL), Laurel, Maryland, confirmaram que a MESSENGER impactou a superfície de como previsto, em 3:26 p.m. EDT. O fim da operação foi constatado alguns minutos depois, em  3:40 p.m. EDT, quando os sinais deixaram de ser detectados na estação da Deep Space Network (DSN) em Goldstone, Califórnia, que seria a hora em que a sonda iria emergir de trás de Mercúrio, o que não ocorreu. A conclusão da missão também foi independentemente constatada pelo time de Radio Science DSN, que também estava monitorando os sinais da espaçonave.

Os Preparativos Finais

Em 14 de abril de 2015 (terça-feira), os operadores da missão no Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA, haviam completado a quarta manobra da série de correções orbitais destinadas a retardar o impacto da sonda na superfície de Mercúrio. A última manobra ocorreu na sexta-feira, dia 24 de abril de 2015.

http://www.nasa.gov/image-feature/unmasking-the-secrets-of-mercury

A MESSENGER revelou os segredos do menor dos planetas. Créditos: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington

Daniel O’Shaughnessy, engenheiro de sistemas da missão, explicou, antes da última manobra de 24 de abril:

Depois desta última manobra, nós iremos finalmente declarar que a espaçonave estará sem combustível, pois esta manobra gastará praticamente todo o nosso gás hélio. Nesse momento, a sonda espacial não será mais capaz de combater o empurrão da gravidade solar.

Embora Mercúrio seja um dos vizinhos planetários mais próximos da Terra, pouco se sabia sobre este pequeno planeta anteriormente da missão MESSENGER.

John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington, afirmou:

Pela primeira vez na história, agora temos conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que mostra ser um mundo fascinante como parte do nosso Sistema Solar diversificado. Embora as operações da sonda terminem, estamos a celebrar a MESSENGER como mais do que uma missão bem-sucedida. É o início de uma longa jornada para analisar os dados que, esperamos, revelarão os diversos mistérios científicos de Mercúrio.

A sonda viajou por mais de seis anos e meio antes de ser inserida na órbita de Mercúrio no dia 18 de março de 2011. O objetivo principal da missão era o de orbitar o Mercúrio e recolher dados durante o período equivalente a um ano terrestre. A boa saúde da sonda, o combustível restante e as novas questões levantadas pelas descobertas iniciais resultaram na aprovação de dois prolongamentos das operações, permitindo com que a missão continuasse durante quatro anos, o que acarretou em mais importantes descobertas científicas.

Uma descoberta chave, realizada em 2012, reforçou a hipótese que Mercúrio abriga água congelada abundante e outros materiais voláteis nas suas crateras polares permanentemente em sombras.

Os dados indicaram que o gelo nas regiões polares de Mercúrio, casso fosse espalhado por uma área equivalente a uma grande cidade, teria uma espessura superior a 3 km. Pela primeira vez, os cientistas começaram a ver claramente um capítulo na história de como os planetas interiores, incluindo a Terra, adquiriram água e alguns dos blocos químicos de construção da vida.

Uma camada enegrecida que cobre a maioria dos depósitos da água congelada suporta a teoria que compostos orgânicos, assim como a água, foram entregues a partir do Sistema Solar exterior nos planetas interiores e tal pode ter levado à síntese química prebiótica e consequentemente à formação da vida na Terra.

Sean Solomon, investigador principal da missão e diretor do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em Palisades, Nova Iorque, comentou:

A água, agora armazenada em depósitos de gelo no chão de crateras de impacto permanentemente à sombra nos polos de Mercúrio, foi provavelmente entregue ao planeta mais interior por impactos de cometas e asteroides ricos em compostos voláteis. Esses mesmos impactos também provavelmente forneceram o material orgânico escuro.

Em adição as descobertas científicas, a missão proporcionou muitos marcos tecnológicos, incluindo o desenvolvimento de um guarda-sol cerâmico vital, resistente ao calor e altamente reflexivo que isolou os instrumentos e os componentes eletrônicos da sonda da radiação solar direta, cruciais para o sucesso da missão por causa da proximidade de Mercúrio em relação ao Sol. A tecnologia vai ajudar a informar os projetos futuros para missões planetárias dentro do nosso Sistema Solar.

Helene Winters, gerente do projeto da missão no APL, explicou:

O lado frontal do guarda-sol rotineiramente acusava temperaturas superiores a 300º Celsius, ao passo que a maioria dos componentes à sombra operava perto da temperatura ambiente (20º C). Esta tecnologia que protegeu os instrumentos da MESSENGER foi a chave para o sucesso da missão durante a operação principal e durante as operações estendidas.

Fontes

NASA Spacecraft Achieves Unprecedented Success Studying Mercury

NASA Completes MESSENGER Mission with Expected Impact on Mercury’s Surface

Unmasking the Secrets of Mercury

._._.

1 menção

  1. Cientistas da MESSENGER revelam a causa da superfície de Mercúrio ser tão escura » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] 30 de abril de 2015 – A longa missão MESSENGER chegará ao fim quando a sonda se chocar com M… […]

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