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30 de março de 2006 – Missão Centenário: um chapéu brasileiro na ISS

Não Há Dia Sem História

30 de março de 2006

Missão Centenário: um chapéu brasileiro na ISS

O foguete Soyus TMA 7 foi lançado de Baikonur, no Cazaquistão, Ásia Central, às oito e meia da manhã do dia 30 de março de 2006, há dez anos, levando um brasileiro. Ainda eram 02h30min em Greenwich e onze e meia da noite do dia 29, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Iss012e24238.jpg

Soyuz TMA 7

O Sol de uma manhã de primavera estava completando sua passagem sobre o oceano Pacífico e já se espalhava sobre a Ásia. O foguete Soyus subiu, inclinando-se no rumo sudeste, até atingir uma altitude de cerca de 340 km, cruzando o hemisfério iluminado da Terra, para ir ao encontro da Estação Espacial Internacional (ISS), a qual ela alcançaria dali a dois dias.

Três astronautas estavam acomodados na exígua cápsula esférica de comando da nave. Os dois tripulantes da missão ISS EO-13. Eram eles o russo Pavel Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams. Junto deles, o passageiro encarregado da missão ISS EP-10, o engenheiro militar brasileiro – paulista de Bauru – Marcos Cesar Pontes, o primeiro sul americano a ir ao espaço.

A Soyus TMA-8, de bandeira russa e pertencente à agência Roskosmos, acoplou-se à escotilha do módulo Zarya da ISS às 04h19min (de Greenwich) do dia 1 de abril, quase 50 horas após o lançamento. Vinogradov e Williams permaneceriam na ISS até o final de setembro de 2006. Já o brasileiro Marcos Pontes cumpriria sua missão ISS EP-10, em “turno corrido”, até o dia 8, quando retornaria à Terra, a bordo da Soyus TMA-7, com os astronautas Valery Tokarev e Bill McArthur.

Missão ISS EP-10

Sete experimentos constituíam o âmbito científico da missão ISS EP-10: Gosum, Dnarm, Smek, Nip, Cemex, Wmhp e sementes e Clorofila:

  1. Experimento Gosum: Avaliação do crescimento das sementes em condições de espaço, em comparação com as sementes cultivadas no terreno;
  2. Experimento Dnarm: Estudo do efeito da radiação de alto nível sobre mecanismos de reparação do ADN em condições de micro gravidade;
  3. Experimento Smek: Mini laboratório para estudo do efeito da micro gravidade sobre a cinética das enzimas (FEI);
  4. Experimento Nip: Nuvens de interação proteica (Cenpra);
  5. Experimento Cemex: Desempenho da análise termodinâmica e avaliação das características técnicas do evaporador capilar. Avaliação das tecnologias propostas de evaporadores para as futuras aplicações em condições de espaço;
  6. Experimento Wmhp: Estudo de processos de dinâmica dos fluidos em condições de microgravidade;
  7. Experimento Chrophil: Observação da cromatografia do processo da clorofila em gravidade zero com visão educacional (germinação de feijão, coordenados por equipe da Secretaria de Educação de São José dos Campos, São Paulo, com participação de alunos.

Missão Centenário

No ano de 2006 completava-se o centenário do primeiro voo com um aeródino mais-pesado-que-o-ar. No Campo de Bagatelle, Paris, o inventor autodidata brasileiro, Alberto Santos Dumont (1873-1932), efetivamente elevou-se do chão por alguns metros, usando um engenho que explorava reações aerodinâmicas, impelido por uma hélice movida por um motor à explosão interna. Sem auxílio ou interferência de outros mecanismos. Indubitavelmente, foi a primeira aparição do avião na história da humanidade.

A Agência Espacial Brasileira, então, incluiu, na missão, uma cerimônia cívica de grande valor histórico e inquestionável bom-gosto. Mandaram junto com Marcos Pontes uma réplica do célebre chapéu, que era uma peça inseparável da indumentária de Alberto Santos Dumont. Entre as imagens que chegaram da ISS, mostrando o astronauta brasileiro, apareceram aquelas em que ele usava o famoso chapéu. Uma concepção brilhante, de imenso valor histórico.

Polêmicas

A Missão Centenário ocorreu em um ano em que havia eleições gerais, no Brasil. Alguns setores dentro do governo procuraram usar o feito – cujos méritos são da aviação e da astronáutica brasileira – com fins eleitorais. Por outro lado, alguns setores de oposição ao governo, entenderam que denunciar o alegado uso eleitoral daquela – belíssima! – missão seria mais importante do que valorizá-la. Resultou um debate mesquinho, inócuo, que infelizmente subtraiu os espaços jornalísticos que poderiam ser usados com fins mais úteis.

Milton W.

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