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13 de março de 1855 – Percival Lowel

Não Há Dia Sem História

Percival Lowell

13 de março de 1855

Percival Lowell no Observatório Lowell

Percival Lowell no Observatório Lowell

No dia 13 de março de 1855 nascia, há 161 anos, na costa Leste dos Estados Unidos, em Boston, Massachusetts, o astrônomo e matemático Percival Lowell, ou talvez um lunático que passou quase a vida inteira pesquisando as possibilidades de vida em Marte.

Um lunático? Sim. Por um lado, sim. Uma faceta de Percival Lowell nasce presa à pompa e à circunstância de uma sólida família da região mais tradicional dos EUA. O irmão foi reitor, a irmã, poetisa. Gradua-se em Harward, mas nunca faz uso prático disto. Gasta anos em viagens frívolas, até que se convence de que bisbilhotar a vida de marcianos pode ser uma atividade útil. Excêntrico, mas de bom saldo, queima um monte de dinheiro para construir um telescópio num “fim de mundo”, no Arizona, no qual nunca descobre nada, e acaba homenageado pela irmandade internacional dos que apreciam ociosidade, por ter calculado a existência de um rochedo gelado flutuando para lá de Netuno, sem, contudo, tê-lo localizado realmente, embora a fortuna gasta na construção do telescópio…

O fato de ele ter-se dedicado a pesquisar Marte, quando Marte era considerado a fortaleza de alienígenas que atacariam a Terra, só engrossa o caldo amargo de sua faceta “popular”. De certa maneira, ele forneceu um dos assuntos prediletos aos matutos americanos enquanto estes mastigavam “pringle’s” da Procter Gamble ou um sanduiche do MacDonald’s.

Por outro lado, temos um Percival Lowel pesquisador, obstinado, construtor de um observatório astronômico. Este Percival iluminista não está ao alcance do positivismo prático do “american way of life”. E para conhecê-lo precisamos analisar o lugar que ele escolheu para trabalhar e no qual deixou impressa sua obra.

Lowell_Mars_channels

Os famosos “canali” de Marte, como desenhado por Lowell

A pequena cidade de Flagstaff, Arizona, não tem nada de Boston ou de New York. Fica a quase 2.100 metros de altitude e, hoje, não tem mais de 60 mil habitantes. Flagstaff significa Pico da Bandeira, o nome da maior montanha do Arizona, que fica dentro da área do município. Embora no inverno caia neve, o ar é seco e as noites costumam ser estreladas.

Uma estradinha percorre por dentro de um bosque de pinheiros, saido centro da cidade  e conduz a um lugar de nome sugestivo: Mars Hill, Colina de Marte. Foi ali que Lowel, vindo da grande e iluminada metrópole do Leste, construiu – e usou! – o seu telescópio. Pensar em quantas vezes Lowel andou por aquele caminho pode ser a chave para entender a grandiosidade de sua obra.

Após sua morte, em 13 de novembro de 1916, o olho de Mars Hill localizou Plutão e os anéis de Netuno. Mais tarde, o Observatório Lowel ajudou a NASA a escolher os locais de pouso das missões Apollo, na Lua.

A cidade de Flagstaff apoia um movimento de preservação ambiental centrado na questão da poluição luminosa – um legado da passagem de Lowel, por lá.

Milton W.

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