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fev 23

Qual o destino dos asteroides do Sistema Solar? Uma nova visão se apresenta.

http://cdn.phys.org/newman/gfx/news/hires/2016/puzzlingaste.jpg

Nessa impressão artística a órbita de um asteroide é alterada quando o mesmo passa próximo de Júpiter, da Terra ou de Vênus, de forma que a sua nova trajetória o leva para perto do Sol. Em sequência, o intenso calor solar faz com que a superfície do asteroide se expanda e se fragmente em escombros de material. A medida que o material superficial se desintegra, são gerados blocos de tamanhos diversos de poeira os quais se espalham ao longo da órbita do asteroide a medida que o tempo passa. Se a cauda de poeira e escombros intersecta a Terra, uma chuva de meteoros é gerada. Crédito: Lauri Voutilainen

Nós sabemos que o entendimento dos NEOS (Near-Earth Objects), os objetos próximos da Terra, é vital não apenas para assessorar futuras pesquisas de asteroides e missões de exploração espacial, mas também para traçar os riscos de potenciais impactos na Terra. Há projetos tais como o Catalina Sky Survey e o agora desativado parceiro no hemisfério sul Siding Spring Survey que são sobretudo descobridores de corpos menores do Sistema Solar, com objetivos mais específicos de achar objetos que apresentam possível ameaça ao nosso planeta. Infelizmente nós perdemos a continuidade do esforço do projeto Siding Spring em 2013 devido a problemas financeiros, mas o Catalina Sky Survey (CSS) continua em robusta operação.

O recenseamento destes objetos do Sistema Solar se baseia em dados do telescópio de 1,5 metros no pico de Monte Lemmon (Arizona) junto com outro instrumento de 68 centímetros próximo, situado no Monte Bigelow. Agora temos notícias que Mikael Granvik (Universidade de Helsinki) e um time internacional de pesquisadores selecionaram cerca de 100.000 imagens fornecidas pelo Catalina Sky Survey para estudar as propriedades de cerca de 9.000 NEOs detectados em um período de 8 anos. O principal objetivo é construir um modelo para a população de NEOs, dando-nos uma melhor visão sobre suas origens e subsequentes trajetórias.

Efeito Yarkovsky

Os cientistas estimam que a maioria dos “objetos próximos da Terra” são originados do Cinturão Principal de Asteroides que reside entre as órbitas de Marte e Júpiter. Uma órbita individual de um asteroide pode variar ao longo do tempo por efeitos causados pelo calor solar liberados para o espaço por suas estruturas irregulares (efeito Yarkovsky), um processo nomeado em homenagem ao engenheiro russo Ivan Osipovich Yarkovsky, o qual notou que mesmo uma força tênue como essa pode resultar em efeitos cumulativos na órbita do asteroide. O astrônomo da Estônia Ernst J. Öpik foi responsável por subsequentemente chamar a atenção da sociedade astronômica sobre o efeito, depois da publicação de Ivan O. Yarkovsky. Desde 2.000 o fenômeno chama-se Efeito Yarkovsky–O’Keefe–Radzievskii–Paddack ou Efeito YORP

As órbitas dos asteroides podem eventualmente ser afetadas pelos gigantes gasosos Júpiter e Saturno, mudando suas trajetórias e eventualmente podem ser empurrados para dentro do Sistema Solar Interior. Consequentemente, esta população defletida de suas órbitas originais forma o grupo de NEOs, classificados assim de acordo com o critério da Universidade do Havaí, quando sua menor distância do Sol durante uma órbita é menor que 1,3 UA (1 UA = unidade astronômica – a distância média entre a Terra e o Sol).

Os astrônomos julgavam que a maioria dos NEOs terminavam suas vidas caindo no Sol, mas agora aprendemos que nem todos os objetos têm esse fim extremo. Usando cálculos desenvolvidos por Robert Jedicke (Universidade do Havaí, EUA), o projeto de modelagem da população de NEOs (Near-Earth Object) foi capaz de computar as probabilidades que asteroides em diferentes orbitas deveriam ter sido detectados pela pesquisa CSS (Catalina Sky Survey). Usando dados da CSS e distribuições teóricas das orbitas dos NEOs originadas em diferentes partes do Cinturão Principal de Asteroides, os cientistas desenvolveram a modelagem mais detalhada da população dos NEOs até a data.

O modelo dos NEOs, entretanto, previa a existência de 10 vezes mais objetos em órbitas que se aproximam do Sol em até 10 vezes o diâmetro solar que o número o qual tem sido realmente observado. A eliminação desses asteroides pode ser concretizada se assumirmos que um grande número de NEOs são efetivamente destruídos a medida que se movem para perto do Sol. Os asteroides em si não caem propriamente no Sol, mas são destroçados à medida que se aproximam do mesmo. Os asteroides de menor albedo (mais escuros) são destruídos mais longe do Sol que os de maior albedo (mais brilhantes), o que nos conta sobre sua estrutura interna e composição.

Granvik vê essa constatação como o mais significativo resultado da nova pesquisa:

Talvez a mais intrigante descoberta desse estudo será tornar possível o teste dos modelos dos interiores dos asteroides simplesmente rastreando suas órbitas e tamanhos. Isso é realmente notável e completamente inesperado quando nós iniciamos a construção dessa nova modelagem dos NEOs.

O trabalho também ajuda a explicar as chuvas de meteoros que deveriam seguir o caminho dos asteroides ou cometas dos quais eles foram ejetados e, ainda assim, a maioria dos fluxos de meteoros não tem sido associadas a objetos conhecidos. Dessa forma o estudo de Granvik e equipe conclui que os objetos progenitores desses fluxos meteóricos foram destruídos quando se aproximaram demasiadamente do Sol.

O artigo assinado por Granvik et al., intitulado “Super-catastrophic Disruption of Asteroids at Small Perihelion Distances” foi publicado na Nature 530 em 18 de fevereiro de 2016, páginas 303–306.

Fontes

Centauri Dreams: A New Look at Asteroid Distribution

Phys.org: Puzzling asteroid observations explained by destruction of asteroids close to sun

Artigo Científico

Nature: Super-catastrophic Disruption of Asteroids at Small Perihelion Distances

._._.

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