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jan 14

14 de janeiro de 2005 – Huygens pousa na lua Titã

Não Há Dia Sem História
14 de janeiro de 2005
A sonda Huygens pousa em Titã

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Ilustração da sonda Huygens pousada em Titã. Créditos: ESA/NASA

Em 14 de janeiro de 2005, há 10 anos, a humanidade obteve um close up da paisagem de uma lua exótica e criogênica que pode ser capaz de suportar vida como a conhecemos.

A sonda Huygens da Agência Espacial Europeia (ESA) pousou no solo da maior lua de Saturno, Titã, após ser lançada pela espaçonave robótica Cassini. Pela primeira vez na história, uma sonda pousou suavemente em um mundo do Sistema Solar exterior.

Carolyn Porco, líder do time de coordenação das imagens da Cassini, escreveu em um texto sobre o pouso da sonda Huygens:

Lembro-me claramente da sensação de sonho que é estar em um universo um momento e noutro universo no momento seguinte. Mas não foi um sonho. Tínhamos, sem dúvida, viajado até Titã, 10 vezes mais longe do Sol do que a Terra e tocado em Titã. O Sistema Solar pareceu subitamente um local um pouco menor.

A Cassini chegou ao sistema de Saturno em Julho de 2004 e portanto já havia observado Titã quando a Huygens lá pousou. No entanto, o módulo de Huygens nos enviou informações impossíveis de obter sem ser de perto, um tesouro de dados que começou durante a viagem de descida por duas horas e meia da Huygens através da atmosfera espessa da gigantesca lua.

Carolyn Porco disse, na ocasião:

As imagens capturadas pela sonda Huygens e divulgadas ao público na mesma noite eram tudo o que as imagens de órbita não traziam: visões da superfície da lua, detalhadas com requintes e sem filtros, que contavam uma história inequívoca desse mundo.

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A lenta descida da sonda Huygens em Titã, com seus paraquedas acionados, capturadas pela lente ‘olho-de-peixe’ da sonda. Créditos: NASA/ESA/JPL/Universidade do Arizona

Essas fotografias revelaram o que parecia ser uma linha costeira, bem como canais sinuosos obviamente esculpidos por líquidos, acrescentou Carolyn. Mas o líquido não era água. Titã tem um sistema meteorológico com base em hidrocarbonetos.

Eram evidências circunstanciais mas incontestáveis da presença de hidrocarbonetos líquidos que tínhamos dificuldade em encontrar a partir de órbita, evidências incrivelmente emocionantes. Depois da alunissagem, seguiu-se outra visão inesquecível, por baixo de um céu nublado um chão coberto por seixos que se estendia até ao horizonte da lunar.

A Huygens enviou dados para a Terra a partir da superfície criogênica de Titã durante 72 minutos, antes de ficar sem bateria.

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Tomadas aéreas do local de alunissagem da Huygens, capturadas pela sonda quando descia pela atmosfera de Titã. Créditos: ESA/NASA/JPL/Universidade do Arizona

As medições e observações da Huygens ajudaram a elucidar o mistério que envolvia Titã. Por exemplo, a Huygens obteve um perfil detalhado da atmosfera de Titã, dominada pelo gás nitrogênio, medindo a temperatura, pressão e densidade ao longo de uma ampla gama de altitudes.

Além disso, as análises do metano atmosférico pela Huygens não suportaram a sugestão de que o elemento químico era produzido por micróbios (a maioria do metano encontrado na atmosfera da Terra tem uma origem biológica).

Para comemorar o aniversário, a ESA compilou uma lista das 10 descobertas mais importantes da Huygens.

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Uma década se passou desde que a espaçonave robótica Cassini liberou a sonda da ESA Huygens para examinar a superfície de Titã a segunda maior lua do Sistema Solar. Nosso conhecimento sobre essa lua deu um enorme salto em 14 de janeiro de 2005. Os números da missão Cassini-Huygens sobre Titã:
1ª sonda a pousar na superfície desconhecida de Titã
1 oceano global subsuperficial existe em Titã
17 moléculas foram identificadas na espessa atmosfera de Titã
35 lagos e mares de hidrocarbonetos nomeados
108 voos rasantes em Titã executados pela Cassini
-180º Celsius de temperatura superficial
43% da superfície mapeada
1.160 artigos científicos publicados
1,45 atm de pressão atmosférica
37.000 imagens capturadas

Apesar da Huygens ter cessado operações pouco depois de pousar em Titã, a Cassini continua a estudar a esta lua (juntamente com o próprio Saturno e muitas outras luas).

Por exemplo, ao longo de mais de 100 passagens, a Cassini mapeou grande parte da superfície de Titã. Assim, através do seu radar, analisou a profundidade de alguns dos maiores mares de hidrocarbonetos da lua. Adicionalmente, as medições de gravidade sugerem que Titã contém um oceano subsuperficial de água líquida.

A missão Cassini-Huygens teve um orçamento de 3,2 bilhões de dólares, em um esforço conjunto da NASA, da ESA e da Agência Espacial Italiana. Cassini-Huygens foram lançadas na viagem a Saturno em 1997. A sonda Cassini vai continuar a fazer observações até setembro de 2017. Quando terminar a sua missão, Cassini será lançada em um mergulho intencional para morrer na espessa atmosfera do planeta.

Fontes

Space.com: Epic Landing on Saturn’s Moon Titan Remembered 10 Years Later

NASA: NASA and ESA Celebrate 10 Years Since Titan Landing

._._.

1 menção

  1. Novas imagens feitas pelos rasantes da Cassini revelam detalhes inéditos dos seus anéis » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] Lançada pela NASA em 1997, a sonda robótica Cassini tem visitado o sistema de Saturno desde que lá chegou em 2004 para realizar o estudo do planeta, dos anéis, das luas e da sua vasta magnetosfera. A Cassini fez inúmeras descobertas decisivas, com destaque para a presença de um oceano global com indicações de atividade hidrotermal no interior da lua Enceladus e a existência de mares de metano líquido na lua Titã. […]

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