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out 03

Caronte tem sua história colorida e violenta revelada pela New Horizons

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Imagem de Caronte em cores reforçadas. A sonda New Horizons capturou esta imagem a cores e em alta-resolução de Caronte antes da maior aproximação do dia 14 de julho de 2015. O mosaico combina imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera). As cores foram processadas para melhor realçar as propriedades da superfície em Caronte. A paleta de cores não é tão diversa como a de Plutão: o tom mais avermelhado é o da região polar norte, informalmente conhecida como Mordor Macula. Caronte mede 1.214 km de diâmetro. A imagem resolve detalhes tão pequenos quanto 2,9 km. Créditos: NASA/JHUAPL/SwRI

A espaçonave New Horizons enviou a melhor imagem em cores e com alta resolução, até a data, mostrando detalhes da maior lua de Plutão. Estas fotografias retratam uma história surpreendentemente complexa e violenta de Caronte.

Caronte tem cerca da metade do diâmetro de Plutão (1.214 km) e por isso é o maior satélite do Sistema Solar em tamanho relativo ao seu planeta. Muitos cientistas da missão New Horizons pensavam a a lua Caronte fosse monótona, apenas um mundo assolado por crateras. Em vez disso, estão descobrindo uma paisagem repleta de montanhas, desfiladeiros, deslizamentos, variações de cor na superfície e muito mais.

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As imagens de alta resolução de Caronte foram obtidas pelo dispositivo LORRI (Long Range Reconnaissance Imager) a bordo da sonda New Horizons, pouco antes da maior aproximação de dia 14 de julho de 2015. Os dados foram sobrepostos com cores reforçadas via instrumento Ralph/MVIC (Multispectral Visual Imaging Camera). As terras altas encrateradas no topo estão fraturadas em uma série de desfiladeiros, substituídas em baixo por planícies da informalmente conhecida Vulcan Planum. A cena cobre o diâmetro de Caronte (1.214 km) e resolve detalhes tão pequenos quanto 0,8 km. Créditos: NASA/JHUAPL/SwRI

Ross Beyer, membro do GGI (Geology, Geophysics and Imaging) do Instituto SETI e do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Mountain View, na Califórnia, EUA, destacou:

Nós pensávamos que a probabilidade era baixa de observar essas características tão interessantes em um satélite de um mundo tão distante no nosso Sistema Solar, mas eu não poderia estar mais alegre com o que estamos vendo.

As imagens de alta resolução do hemisfério de Caronte voltado para Plutão, capturadas pela New Horizons enquanto a sonda passava pelo sistema de Plutão no dia 14 de julho de 2015 e transmitidas para a Terra em 21 de setembro, revelam detalhes de um cinturão de fraturas e desfiladeiros logo ao norte do equador dessa lua. Este grande sistema de cânions se estende por mais de 1.600 km em toda a face de Caronte e provavelmente até para o outro lado do satélite. Estimado em quatro vezes o tamanho do Grande Canyon nos EUA e com áreas duas vezes mais profunda, essas fendas e desfiladeiros indicam uma perturbação geológica titânica no passado de Caronte.

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Esta composição com cores enriquecidas de Plutão (abaixo e à direita) e Caronte (acima e à esquerda) foi obtida pela sonda New Horizons quando passava pelo sistema plutoniano no dia 14 de julho de 2015. A imagem realça as diferenças entre Plutão e Caronte. As cores e o brilho, tanto de Plutão como de Caronte, foram processados de modo idêntico para permitir uma comparação direta das suas características à superfície e para realçar a semelhança entre a região polar e avermelhada de Caronte e o terreno equatorial de Plutão. Plutão e Caronte são vistos aproximadamente com os seus tamanhos relativos corretos, mas a sua separação não está em escala. As fotografias combinam imagens azuis, vermelhas e infravermelhas obtidas pelo instrumento Ralph/MVIC da sonda New Horizons. Créditos: NASA/JHUAPL/SwRI

John Spencer, vice-líder do time do GGI no SwRI (Southwest Research Institute), Boulder, Califórnia afirmou:

Parece que a crosta de Caronte foi rasgada. Considerando seu tamanho relativamente a Caronte, esta característica geológica é muito parecida com o vasto sistema de desfiladeiros Valles Marineris em Marte.

O time de cientistas também descobriu que as planícies ao sul dos cânions de Caronte (Vulcan Planum) têm menos crateras grandes do que as regiões para norte, indicando que são notavelmente mais jovens. A suavidade das planícies, bem como as suas ranhuras e sulcos leves, são sinais claros de material que aflorou em larga-escala redesenhando a superfície.

Uma possibilidade para a superfície suave seria algum tipo de atividade vulcânica gelada, chamada de criovulcanismo.

Paul Schenk, membro da missão New Horizons e do Instituto Lunar e Planetário de Houston, EUA, explicou:

O time está discutindo a possibilidade de que oceano interno de água possa ter congelado há muito tempo e que a resultante mudança de volume pode ter levado Caronte a rasgar-se, permitindo com que esse criovulcanismo, à base de água, alcançasse a superfície nessa época.

Imagens com maior resolução que essas e novos dados de composição de Caronte ainda serão enviados à Terra à medida que a New Horizons transmite as informações armazenadas na sua memória digital durante o próximo ano. Enquanto isso acontece, “eu prevejo que a história de Caronte se torne ainda mais espetacular!”, exclamou Hal Weaver, cientista do projeto da missão e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, EUA.

A sonda New Horizons está atualmente a 5 bilhões de quilômetros da Terra e todos seus sistemas estão em boa saúde e operando normalmente.

Fonte

NASA: Pluto’s Big Moon Charon Reveals a Colorful and Violent History

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