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set 30

Cfa: Rádio telescópios espreitam estrelas escondidas no centro da nossa galáxia Via Láctea

http://eternosaprendizes.com/2015/07/05/spitzer-revela-zeta-ophiuchi-uma-estrela-fugitiva-e-seu-arco-frontal-de-choque/

Zeta Ophiuchi: a estrela fugitiva e o seu arco frontal de choque. Créditos: NASA, JPL-Caltech, Spitzer Space Telescope

De fato, o centro da nossa galáxia Via Láctea é uma região misteriosa. O núcleo galáctico não apenas reside a milhares de anos-luz de distância, mas está também escondido por enorme quantidade de poeira cósmica. Assim, a maior parte das estrelas em seu interior são invisíveis para a maioria dos telescópios. Pesquisadores do CfA sugerem uma nova maneira de limpar a neblina interestelar e detectar as estrelas ali escondidas. Os cientistas propõem observar os comprimentos de onda de rádio originados pelas estrelas supersônicas.

O principal autor do artigo sobre o tema, Idan Ginsburg, membro do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics (CfA) explicou:

Há muito que nós não sabemos sobre a natureza do centro galáctico e nós queremos aprender muito mais. Usando essa técnica, nós poderemos encontrar estrelas que ninguém jamais observou.

A longa trajetória da luz desde o centro da nossa galáxia até aqui na Terra é obscurecida por tanta poeira que entre trilhões de fótons de luz visível que se dirigem para a Terra, somente um fóton atingirá nossos telescópios. Por outro lado, as ondas de rádio, uma radiação de outra parte do espectro eletromagnético, possuem energia mais baixa e comprimentos de onda maiores. O rádio pode atravessar a poeira cósmica de forma ilesa.

Por outro lado, estrelas em si não são brilhantes o suficiente nas frequências das ondas de rádio para que nós possamos detectá-las a essas distâncias. Contudo se uma estrela está viajando velozmente através do gás interestelar a situação muda. O material soprado pela estrela como vento estelar pode empurrar os gases interestelares e criar uma onda de choque. E por meio de um processo chamado de radiação síncrotron, os elétrons acelerados por essa onda de choque produzem emissões de rádio que nós podemos potencialmente detectar.

Ginsburg explicou:

De alguma forma, nós estamos procurando por um equivalente cósmico do boom sônico causado por um avião quando rompe a barreira do som.

Para criar uma onda de choque, a estrela tem que estar se movendo a uma velocidade de milhares de quilômetros por segundo. Isso é possível no centro galáctico, já que as estrelas podem ser influenciadas pela forte gravidade de um buraco negro supermassivo. Quando uma estrela atinge uma posição próxima a um buraco negro, ela pode adquirir a velocidade necessária para criar essa onda de choque.

Os cientistas sugerem procurar por esse efeito em uma estrela bem conhecida, a S2. Essa estrela é quente e brilhante o suficiente para ser observada em infravermelho apesar de toda a poeira do núcleo da Via Láctea. S2 fará sua maior aproximação do buraco negro central galáctico no final de 2017 e começo de 2018. Quando isso acontecer, os rádios astrônomos poderão apontar suas antenas na sua direção e medir sua emissão de rádio gerada pela sua onda de choque.

O coautor Avi Loeb do CfA, esclareceu:

A S2 será o teste ‘azul de tornassol’ [1]. Se ela for vista nas ondas de rádio, então potencialmente nós poderemos usar esse método para encontrar estrelas menores e mais apagadas, as estrelas que não podem ser observadas de outra maneira.

O trabalho foi relatado no artigo assinado por de Idan Ginsburg, Xiawei Wang, Avi Loeb e Ofer Cohen do CfA, publicado em Montlhy Notices of the Royal Astronomical Society.

Nota

[1] Azul de tornassol é um indicador solúvel em água extraído de certos líquens. Torna-se vermelho em condições de baixo pH, ácidas, e azul em condições de alto pH, básicas. A mudança de cor ocorre para variações no pH de 4,5 a 8,3. Não é adequado para titulações porque há alterações na cor para grandes variações do pH, mas é usado como um indicador pouco preciso de acidez ou de alcalinidade, tanto em solução, como em papel de tornassol (papel absorvente embebido em solução de tornassol). É utilizado quando se quer determinar, simplesmente, se a solução é ácida ou básica, pois o Tornassol não providencia nenhuma informação adicional, por exemplo, o valor do pH ácido ou básico.

Fonte

CfA: Radio Telescopes Could Spot Stars Hidden in the Galactic Center

Artigo Científico

Detecting Stars at the Galactic Centre via Synchrotron Emission

._._.

1509.06251v1-Detecting-Stars-at-the-Galactic-Centre-via-Synchrotron-Emission

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