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jul 18

ESA: Contando as estrelas com o GAIA

http://www.esa.int/var/esa/storage/images/esa_multimedia/images/2015/07/stellar_density_map/15503844-1-eng-GB/Stellar_density_map.png

Mapa de densidade estelar da Via Láctea. Créditos: ESA/Gaia/Edmund Serpell

Esta imagem, baseada no banco de dados do satélite GAIA [1] da ESA, não é uma representação comum dos céus. Embora retrate um esboço da Via Láctea e das galáxias vizinhas, as Nuvens de Magalhães, esta imagem foi obtida de uma forma bastante inusitada.

À medida que o observatório GAIA [1] varre os céus para medir posições e velocidades de bilhões de estrelas com precisão sem precedentes, algumas estrelas ajudam na determinação também da sua velocidade através do sensor da câmera. Esta informação é usada em tempo real pelo sistema de controle de atitude e órbita a fim de garantir que a orientação do satélite é mantida com a precisão desejada.

Estas estatísticas de velocidade são rotineiramente enviadas para a Terra, juntamente com os dados científicos. Os dados incluem o número total de estrelas, usadas no sistema de controle de atitude, detectadas a cada segundo em cada um dos campos de visão do GAIA.

Este é último conjunto de dados, basicamente uma indicação da densidade de estrelas pelo céu, que foi usado para produzir esta visualização incomum da esfera celeste. As regiões mais brilhantes indicam concentrações mais altas de estrelas, enquanto que as regiões mais escuras correspondem a áreas do céu onde menos estrelas são observadas.

O plano da Via Láctea, onde reside a maioria das estrelas da Galáxia é, evidentemente, a seção mais brilhante da imagem, se estendendo na horizontal e especialmente brilhante no núcleo central. As regiões enegrecidas em toda esta vasta faixa de estrelas, conhecida como Plano Galáctico, correspondem as nuvens interestelares e densas de gás e poeira que absorvem luz estelar ao longo da linha de visão.

http://www.esa.int/spaceinimages/Images/2015/07/Stellar_density_map_-_annotated


Versão legendada do mapa de densidade estelar da Via Láctea. Créditos: ESA/Gaia/Edmund Serpell

O Plano Galáctico é a projeção, sobre os céus, do disco Galáctico, uma estrutura achatada com um diâmetro de aproximadamente 100.000 anos-luz e uma altura vertical de apenas 1.000 anos-luz.

Além do plano galáctico apenas são visíveis alguns objetos, principalmente a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, duas galáxias anãs vizinhas que orbitam a Via Láctea e que se destacam na parte inferior da imagem.

Alguns poucos aglomerados globulares, grandes aglomerados com até milhões de estrelas mantidas juntas pela sua gravidade mútua, polvilham também os arredores do Plano Galáctico. Os aglomerados globulares, a população mais antiga de estrelas da Galáxia, residem principalmente no halo esférico que se estende até 100.000 anos-luz do centro da Via Láctea.

O aglomerado globular NGC 104 é facilmente notado nesta imagem, imediatamente à esquerda da Pequena Nuvem de Magalhães. Outros aglomerados globulares são destacados na versão anotada da imagem.

É interessante ressaltar que a maioria das estrelas brilhantes, visíveis a olho nu e que formam as constelações do céu, não estão contabilizadas na imagem porque são demasiadamente brilhantes para serem usadas pelo sistema de controle do GAIA. Da mesma forma, a Galáxia de Andrômeda, o maior vizinho galáctico da Via Láctea, também não se destaca na imagem.

Distintamente do se possa pensar, enquanto o GAIA transporta uma câmera de 1 bilhão de pixels, esta não é uma missão destinada a obter imagens do céu. GAIA está fazendo o maior e mais preciso mapa 3D da nossa Galáxia, fornecendo uma ferramenta crucial para o estudo da formação e evolução da Via Láctea.

Nota

[1] GAIA é uma missão da ESA com o propósito de realizar o censo de 1 bilhão de estrelas tanto em nossa Via Láctea quanto nas vizinhanças galácticas afim de construir o mais preciso mapa em 3D da Via Láctea e responder questões sobre sua origem e evolução.

GAIA iniciou suas operações científicas em 25 de julho de 2014 com uma varredura especial através de uma estreita região dos céus. O processo de rastreamento regular se iniciou um mês depois, a partir de 25 de agosto de 2014.

O principal produto científico da missão será um catálogo com as posições, movimentos, brilhos e cores das estrelas pesquisadas. Uma versão intermediária do catálogo será publicada em 2016. Enquanto isso, a estratégia de observação do GAIA, com repetidas varreduras de todo o céu, irá permitir a descoberta e medição de eventos transientes na nossa galáxia.

Fonte

ESA: Counting Stars with GAIA

._._.

1 menção

  1. GAIA revela que as Nuvens de Magalhães são galáxias ligadas por uma ponte de estrelas e gás » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] of the Royal Astronomical Society) e se baseia no recenseamento estelar galáctico realizado pelo Observatório Espacial GAIA da […]

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