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maio 18

Inédito: Astrônomos do CfA descobrem 11 galáxias em fuga

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Este esquema ilustra a criação de uma galáxia em fuga. No primeiro painel, uma galáxia espiral “intrusa” aproxima-se do centro de um aglomerado de galáxias, onde uma galáxia elíptica compacta já orbita uma galáxia elíptica gigante. No segundo painel, ocorre um encontro próximo e a galáxia elíptica compacta recebe um empurrão gravitacional da intrusa. No terceiro painel, a elíptica compacta escapa o aglomerado de galáxias enquanto a intrusa é devorada pela galáxia elíptica gigante no centro do aglomerado. Créditos: CfA, NASA, ESA e Arquivos do Hubble

Nós sabemos sobre cerca de duas dúzias de estrelas em fuga e até já descobrimos um aglomerado estelar que escapava da sua galáxia para sempre. Agora, astrônomos descobriram 11 galáxias fugitivas, expulsas das suas casas (os aglomerados de galáxias) em rumo do vazio do espaço intergaláctico.

O astrônomo Igor Chilingarian, membro do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica/Universidade Estatal de Moscovo e autor principal do estudo, afirmou:

Estas galáxias enfrentam um futuro solitário, exiladas dos aglomerados de galáxias onde costumavam residir.

Um objeto cósmico é considerado fugitivo quando se desloca a uma velocidade superior à velocidade de escape do seu ambiente, o que significa que deixará a sua “casa” para nunca mais voltar. No caso de uma estrela fugitiva dentro na Via Láctea essa velocidade é superior a 500 km/s.

Por outro lado, uma galáxia em fuga tem que deslocar-se ainda mais rápido, viajando a velocidades da ordem 3.000 km/s.

https://www.cfa.harvard.edu/sites/www.cfa.harvard.edu/files/images/pr/2015-12/2/hires.jpg

O mesmo painel, mas com legendas originais do CfA.

Chilingarian e o coautor Ivan Zolotukhin, membro do Instituto de Pesquisa em Astrofísica e Planetologia de Toulouse, França/Universidade Estatal de Moscovo, começaram por identificar novos membros de uma classe de galáxias chamadas elípticas compactas. Estas minúsculas bolhas de estrelas são maiores que os aglomerados estelares, porém menores que uma galáxia normal, abrangendo apenas algumas centenas de anos-luz de diâmetro. Em comparação, a Via Láctea mede 100.000 anos-luz em diâmetro. As elípticas compactas também têm 1.000 vezes menos massa que a nossa Via Láctea.

Previamente eram conhecidas cerca 30 galáxias elípticas compactas, todas elas residentes em aglomerados de galáxias. Para localizar os novos exemplos, Chilingarian e Zolotukhin estudaram arquivos públicos dos rastreamentos fornecidos pela SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e pelo satélite GALEX.

Agora, a pesquisa identificou quase 200 inéditas galáxias elípticas compactas. Onze destas estavam completamente isoladas e situadas longe de qualquer galáxia de grande porte ou aglomerado de galáxias.

Zolotukhin explicou:

As primeiras elípticas compactas foram todas descobertas em aglomerados porque era aí que os cientistas estavam olhando. Ampliamos a busca e encontramos o inesperado.

Estas galáxias compactas isoladas foram consideradas inesperadas porque os teóricos pensavam que tinham originado em galáxias maiores que tinham sido despojadas da maioria das suas estrelas através de interações com uma galáxia ainda maior. Assim, as galáxias compactas deveriam ser todas encontradas perto de galáxias grandes.

Os astrônomos não só encontraram galáxias elípticas compactas isoladas, como também descobriram que se moviam mais rápido do que as suas irmãs residentes nos aglomerados de galáxias.

Chilingarian indagou:

Nós nos perguntamos: o que mais poderia explicar estas observações? A resposta veio através da solução clássica da interação de três corpos.

Uma estrela hiperveloz pode ser criada quando um sistema estelar binário aproxima-se de um buraco negro no centro da nossa galáxia. Uma estrela é capturada enquanto a outra é expulsa a uma tremenda velocidade, o suficiente para que esta estrela fugitiva escape da nossa galáxia.

Semelhantemente, uma galáxia elíptica compacta pode estar emparelhada com uma galáxia grande, a qual a despojou das suas estrelas. Em seguida, uma terceira galáxia intrusa junta-se à dança e lança para fora a galáxia elíptica compacta. Como castigo, a intrusa funde-se à grande galáxia remanescente.

Esta descoberta representa um sucesso relevante do Observatório Virtual, um projeto cujo objetivo é o de disponibilizar e facilitar o aceso aos dados de grandes levantamentos astronômicos. A chamada “mineração de dados” pode resultar em descobertas jamais previstas na ocasião em que os dados originais foram coletados.

Chilingarian concluiu:

Nós vislumbramos que poderíamos usar o poder dos arquivos para desenterrar algo potencialmente interessante e assim o fizemos.

Fonte

CfA: Astronomers Find Runaway Galaxies

._._.

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