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maio 14

Astrônomos descobrem que o halo gigante em torno da galáxia de Andrômeda é 1.000 vezes mais massivo do que se pensava

http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2015/15/image/

A Galáxia de Andrômeda, o nosso maior vizinho galáctico, tem um halo seis vezes maior em diâmetro e 1.000 vezes mais massivo que o medido anteriormente. Créditos: NASA, ESA e A. Feild (STScI)

Um time de astrônomos se baseou em dados do Observatório Espacial Hubble para constatar que o imenso halo de gás que envolve a Galáxia de Andrômeda, o nosso maior vizinho galáctico, é cerca de seis vezes maior em diâmetro e 1.000 vezes mais massivo do que foi medido anteriormente. O halo, escuro e quase invisível, se estende por cerca de um milhão de anos-luz além lá da sua galáxia hospedeira, em meio caminho da nossa própria Via Láctea. Esta descoberta promete nos contar mais sobre a evolução e estrutura das majestosas espirais gigantes, um dos gêneros mais comuns de galáxias no Universo Observável.

O líder da pesquisa Nicolas Lehner, membro da Universidade de Notre Dame, Indiana, EUA, explicou:

Os halos são as ‘atmosferas gasosas’ das galáxias. De acordo com os modelos de formação galáctica, as propriedades destes halos gasosos controlam a taxa em que as estrelas se formam nas galáxias.

Este halo fabuloso provavelmente contém metade da massa das estrelas da própria Andrômeda, sob a forma de um gás quente e difuso. Se o gás pudesse ser observado a olho nu, o halo teria 100 vezes o diâmetro da Lua Cheia no céu. Isto é o equivalente à área do céu coberta por duas bolas de basquete, seguradas à distância de um braço esticado.

http://eternosaprendizes.com/2009/05/16/m31-mosaico-da-galaxia-de-andromeda-por-robert-gendler/

Mosaico da M31 por Robert Gendler

A Galáxia de Andrômeda reside a 2,5 milhões de anos-luz de distância e tem um diâmetro aparente que mede cerca de 6 vezes o diâmetro da Lua Cheia. É considerada uma quase-gêmea da Via Láctea.

Uma vez que o gás no halo de Andrômeda é escuro, a equipe analisou objetos brilhantes de fundo através do gás e observou como a luz se alterava. Isto é semelhante ao ato de observar uma luz brilhante no fundo de uma piscina à noite. As “luzes” de fundo ideais para este estudo são os quasares, núcleos brilhantes e muito distantes de galáxias ativas alimentadas por buracos negros supermassivos. A equipe usou 18 quasares que residem atrás de Andrômeda para estudar como o material é distribuído além do disco visível da galáxia.

E os halos das outras galáxias?

Pesquisas anteriores do programa Halos com o dispositivo COS (Hubble Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble estudaram 44 galáxias distantes e descobriram halos como o de Andrômeda, mas previamente nunca tinha sido notado um halo tão massivo de uma galáxia vizinha. Dado que as galáxias anteriormente estudadas estavam muito mais distantes, apareciam muito menores no céu. Apenas um quasar pôde ser detectado por trás de cada galáxia distante, fornecendo apenas uma âncora de luz para distinguir o tamanho e a estrutura do halo.

Devido à relativa proximidade à Terra e à sua correspondentemente área ocupada no céu, Andrômeda fornece uma amostra extensiva dos quasares no plano de fundo.

  1. Christopher Howk, também de Notre Dame, coautor do artigo comentou:

À medida que a luz dos quasares viaja na direção do Hubble, o gás do halo absorve parte dessa luz e torna o quasar um pouco mais escuro apenas em uma pequena faixa de comprimentos de onda. Ao medir a queda no brilho, podemos calcular quanto gás existe entre nós e esse quasar.

Os cientistas usaram a capacidade ímpar do Hubble em estudar a radiação ultravioleta dos quasares. A radiação ultravioleta é absorvida pela atmosfera da Terra, o que torna difícil a observação através dos observatórios terrestres. A equipe se baseou em 5 anos de observações dos arquivos do Hubble para realizar esta investigação. Muitas das campanhas anteriores do Hubble usaram quasares para estudar o gás cósmico a maiores distâncias da de Andrômeda (mas, na direção desta galáxia), por isso este tesouro de dados já existia.

Mas, de onde veio o halo gigante?

As simulações a larga escala de galáxias sugerem que o halo se formou ao mesmo tempo que o resto de Andrômeda. A equipe também determinou que o halo é rico em elementos mais pesados que hidrogênio e hélio (elementos metálicos) e a única maneira de obter estes elementos pesados é através das explosões de estrelas, as supernovas. As supernovas entram em erupção no disco galáctico de Andrômeda e expulsam violentamente os elementos metálicos para o espaço. Ao longo da vida de Andrômeda, quase metade dos elementos pesados produzidos pelas estrelas foram expulsos bem além do disco galáctico, que tem um diâmetro de 200.000 anos-luz.

Afinal, o que é que tudo isto significa para a nossa própria Galáxia?

Considerando que vivemos dentro da Via Láctea, os cientistas não conseguem determinar se existe ou não um halo igualmente tão massivo e extenso por aqui. Se a Via Láctea realmente possuir um halo semelhante, este já estar em contato ou se fundindo com o halo de Andrômeda tranquilamente, muito antes do evento de colisão entre as duas galáxias. As observações do Hubble indicam que Andrômeda e a Via Láctea vão fundir-se para formar uma galáxia elíptica gigante daqui a aproximadamente 4 bilhões de anos.

Fontes

Hubblesite: Hubble Finds Giant Halo Around the Andromeda Galaxy

NASA: NASA’s Hubble Finds Giant Halo Around the Andromeda Galaxy

Artigo Científico

Evidence for a Massive, Extended Circumgalactic Medium Around the Andromeda Galaxy

._._.

 1404.6540v2-Evidence-for-a-Massive-Extended-Circumgalactic-Medium-Around-the-Andromeda-Galaxy

2 menções

  1. A galáxia de Andrômeda sobre os Alpes por Matteo Dunchi » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] Levantamentos de dados nos dizem que a Via Láctea irá colidir e se juntar em alguns bilhões de anos com a esta notável galáxia, maior que a nossa. […]

  2. A galáxia de Andrômeda sobre os Alpes por Matteo Dunchi

    […] Levantamentos de dados nos dizem que a Via Láctea irá colidir e se juntar em alguns bilhões de anos com a esta notável galáxia, maior que a nossa. […]

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