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mar 17

Via Láctea é uma galáxia enrugada e 50% maior do que pensávamos!

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A Via Láctea é uma galáxia “ondulada” e pode ser 50% maior do que pensávamos. Crédito: Instituto Politécnico Rensselaer

Novas descobertas sugerem que o disco galáctico tem uma arquitetura com várias ondas concêntricas e consequentemente a Via Láctea é pelo menos 50% maior do que antes estimávamos. A pesquisa foi realizada por um time internacional liderado pela Professora Heidi Jo Newberg do Instituto Politécnico Rensselaer. Os cientistas revisitaram os dados astronômicos da pesquisa de rastreamento SDSS (Sloan Digital Sky Survey) a qual, em 2002, estabeleceu a presença de um anel saliente de estrelas além do plano conhecido da Via Láctea.

Heidi Newberg, professora de física, física aplicada e astronomia na Escola de Ciências de Rensselaer, disse:

Em essência, o que descobrimos é que o disco da Via Láctea não é tão somente um disco de estrelas em um plano achatado, trata-se de uma estrutura enrugada (ondulada), A partir da posição do Sol e olhando para fora da nossa galáxia, vemos pelo menos quatro ondulações no disco da Via Láctea. Apesar de apenas podermos olhar para uma fração da galáxia com estes dados, assumimos que este padrão se estabelece através do disco galáctico.

Yan Xu, cientista dos Observatórios Astronômicos Nacionais da China (parte da Academia Chinesa de Ciências em Pequim), ex-cientista visitante de Rensselaer e autor principal do artigo, explicou:

É importante ressaltar que os resultados mostram que as características previamente identificadas como anéis são de fato componentes do disco galáctico, estendendo-se pela extensão conhecida da Via Láctea desde 100.000 anos-luz até 150.000 anos-luz,

Através da pesquisa, astrônomos já tinham observado que o número de estrelas da Via Láctea diminui rapidamente a cerca de 50.000 anos-luz do centro da Galáxia e, em seguida, aparece um anel de estrelas a cerca de 60.000 anos-luz do centro. O que vemos agora é que este anel aparente é na realidade uma ondulação no disco. Além disso, podem muito bem existir outras ondulações mais distantes ainda não observadas.

A pesquisa intitulada “Rings and Radial Waves in the Disk of the Milky Way” foi financiada parcialmente pela NSF (National Science Foundation) e publicada na revista The Astrophysical Journal.

Newberg, Xu e colaboradores usaram dados do SDSS para mostrar uma assimetria oscilante na contagem de estrelas da sequência principal de cada lado do plano galáctico, começando a partir do Sol e olhando para o lado oposto ao do centro da Galáxia. Em outras palavras, quando olhamos para fora da Galáxia a partir do Sol, o plano médio do disco é perturbado para cima, depois para baixo, depois para cima e novamente para baixo (como uma ondulação).

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A densidade da luz detectada na Via Láctea revela seus contornos ondulatórios. Crédito: Instituto Politécnico Rensselaer

Glen Langston, gerente do programa da NSF, comentou:

É fundamentalmente importante enriquecer nosso conhecimento da estrutura da Via Láctea. A NSF está orgulhosa por apoiar os esforços de mapear o formato da nossa Galáxia além dos limites até então desconhecidos.

A nova pesquisa foi construída a partir de uma descoberta de 2002, na qual Newberg estabeleceu a existência do “Anel de Unicórnio” (ou Anel de Monoceros), um “excesso de densidade” estelar nas orlas exteriores da galáxia que apresenta uma protuberância para cima do plano galáctico. Na ocasião, Newberg notou evidências de outro excesso de densidade estelar, entre o Anel de Monoceros (Unicórnio) e o Sol, mas foi incapaz de prosseguir na investigação. Agora, com mais dados disponíveis a partir da SDSS, os cientistas retornaram na tentativa de elucidar este mistério.

Newberg explicou:

Eu queria entender o que era este outro excesso de densidade. Estas estrelas eram anteriormente consideradas estrelas do disco, mas elas não apresentavam a distribuição da densidade que seria de esperar para as estrelas tipicamente pertencentes ao disco, Por isso pensei: ‘bem, talvez seja outro anel, ou uma galáxia anã altamente perturbada’.

Quando os cientistas revisitaram os dados, encontraram quatro anomalias: um para norte do plano galáctico a 2 kpc (kiloparsecs; um parsec equivale a 3,26 anos-luz) do Sol, um para sul do plano entre 4 e 6 kpc, um terceiro para norte entre 8 a 10 kpc e evidências de um quarto para sul na faixa de 12 a 16 kpc distante do Sol. O Anel de Monoceros (Unicórnio) está associado com a terceira ondulação. Os pesquisadores descobriram ainda que as oscilações parecem alinhar com as posições dos braços espirais da Via Láctea.

Newberg disse que as descobertas suportam outra pesquisa recente, incluindo uma constatação teórica de que uma galáxia anã ou que um “caroço” de matéria escura, passando pela Via Láctea, produziria um efeito semelhante de ondulação. De fato, as ondulações poderiam eventualmente serem utilizadas para medir a distribuição da matéria escura em nossa galáxia.

Newberg explicou:

É relativamente parecido com o que aconteceria se atirássemos uma pedra em uma superfície de água parada, as ondas irradiam para fora do ponto de impacto. Se uma galáxia anã passa pelo disco, puxa gravitacionalmente o disco para cima quando entra e puxa o disco para baixo quando atravessa, e isto cria um padrão ondulatório que se propaga para fora. Se você considerar o contexto das pesquisas anteriores realizadas há 2 ou 3 anos, você concluirá o que está por trás disto.

Newberg investiga atualmente a estrutura e evolução da nossa Galáxia, usando estrelas como marcadores do halo e do disco galáctico. Estas estrelas por sua vez são usadas para rastrear a distribuição de densidade da matéria escura na Via Láctea.

Fontes

Instituto Rensselaer: The Corrugated Galaxy—Milky Way May Be Much Larger Than Previously Estimated

Artigo Científico

ArXiv.org: Rings and Radial Waves in the Disk of the Milky Way

._._.

2 comentários

  1. Rogério de Andrade da Silva

    EU QUERO SABER O QUE É AQUELA ILUMINAÇÃO TODA NO MEIO DA VIA LACTEA

    1. ROCA

      A luminosidade no meio da galáxia é devida a alta concentração de estrelas no bojo central da Via Láctea. A quantidade de estrelas no bojo é muito maior que na periferia.

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