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dez 25

ESO revela as jóias estelares azuis do aglomerado aberto Messier 47

Este magnífico panorama do aglomerado estelar Messier 47 foi capturado pela câmera Wide Field Imager, instalada no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Apesar deste jovem aglomerado aberto ser dominado por estrelas azuis brilhantes, vemos também, em contraste, algumas estrelas gigantes vermelhas. Crédito: ESO

O aglomerado estelar Messier 47 situa-se a aproximadamente 1600 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Puppis (Popa) (a ré do navio mitológico Argo). Messier foi observado pela primeira vez alguns anos antes de 1664 pelo astrônomo italiano Giovanni Battista Hodierna e descoberto mais tarde de forma independente por Charles Messier que, aparentemente, não tinha conhecimento da observação feita anteriormente por Hodierna.

Embora seja brilhante e fácil de observar, Messier 47 é um dos aglomerados abertos com menor população. São apenas visíveis cerca de 50 estrelas neste aglomerado, distribuídas por uma região com uma dimensão de ‘apenas’ 12 anos-luz, uma região diminuta se comparada com o tamanho de aglomerados similares que podem conter milhares de estrelas.

Messier 47 nem sempre foi fácil de identificar. De fato, durante anos foi dado como desaparecido, já que Messier anotou as suas coordenadas de forma errada. O aglomerado foi posteriormente redescoberto, tendo-lhe sido atribuída outra designação de catálogo NGC 2422. A certeza do erro nas anotações de Messier e a conclusão firme de que Messier 47 e NGC 2422 eram de fato o mesmo objeto apenas foi estabelecida em 1959 pelo astrônomo canadense T. F. Morris.

As cores azuis-esbranquiçadas brilhantes das estrelas em Messier 47 são indicativas da sua temperatura, com estrelas mais quentes apresentando a cor azul e as mais frias os tons avermelhados. Esta relação entre cor, brilho e temperatura pode ser visualizada através da curva de Planck. No entanto, um estudo mais detalhado das cores das estrelas usando espectroscopia dá muita informação aos astrônomos, incluindo a sua velocidade de rotação e composição química. Vemos também na imagem algumas estrelas vermelhas brilhantes,  tratam-se de estrelas gigantes vermelhas que se encontram numa fase mais avançada das suas curtas vidas do que as estrelas azuis menos massivas que duram portanto mais tempo na sequência principal [1].

http://www.eso.org/public/images/eso1441c/

Esta imagem em grande angular mostra parte da constelação da Popa (Puppis). Esta região do céu inclui alguns aglomerados estelares brilhantes, entre eles o aglomerado Messier 47, que pode ser visto no centro da imagem e o seu irmão, o aglomerado Messier 46, próximo da margem esquerda da imagem, o qual é mais rico em estrelas mas encontra-se muito mais distante, parecendo por isso bem mais tênue. Esta imagem foi criada a partir de dados do rastreamento Digitized Sky Survey 2. Créditos: ESO/Digitized Sky Survey 2 & Davide De Martin

Por mero acaso, Messier 47 parece estar próximo no céu de outro aglomerado estelar distinto, o Messier 46.

Messier 47 encontra-se relativamente perto de nós, a cerca de 1.500 anos-luz, enquanto que o Messier 46 se situa a cerca de 5.500 anos-luz de distância e contém muito mais estrelas, pelo menos 500. Apesar de conter mais estrelas, este aglomerado apresenta-se significativamente mais tênue devido à maior distância a que se encontra da Terra.

Messier 46 poderia ser considerado o irmão mais velho de Messier 47, com aproximadamente 300 milhões de anos comparado com os 78 milhões de anos de Messier 47. Consequentemente, muitas das estrelas mais massivas e brilhantes de Messier 46 viveram já as suas curtas vidas, não sendo visíveis, e por isso a maioria das estrelas que vivem no seio deste aglomerado mais velho são mais vermelhas e frias.

Esta imagem de Messier 47 foi criada dentro do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza pouco tempo de observação, combinado com tempo de telescópio inutilizado, de modo a minimizar o impacto nas observações científicas. Todos os dados são também postos à disposição dos astrônomos através dos arquivos científicos do ESO.

http://www.eso.org/public/images/eso1441b/

Este mapa mostra a constelação da Popa (Puppis) onde se assinalam todas as estrelas visíveis a olho nu em uma noite límpida e escura. Esta região do céu inclui alguns aglomerados estelares brilhantes, entre eles o aglomerado Messier 47 (marcado com um círculo vermelho) e o seu irmão, o Messier 46. Ambos os aglomerados podem ser observados através de pequenos telescópios. O aglomerado Messier 47 possui menos estrelas, mas suas estrelas são bem mais brilhantes. Créditos: ESO, IAU e Sky and Telescope

Nota

[1] O tempo de vida de uma estrela depende essencialmente da sua massa. As estrelas massivas, contendo muitas vezes a massa do Sol, têm vidas curtas medidas em milhões de anos. Por outro lado, as estrelas muito menos massivas podem continuar a brilhar durante muitos bilhões de anos. Num aglomerado, as estrelas têm todas aproximadamente a mesma idade e possuem a mesma composição química inicial. Por isso, as estrelas massivas brilhantes evoluem mais depressa, tornam-se gigantes vermelhas e terminam as suas vidas, deixando as menos massivas e mais frias vivendo ainda por muito mais tempo.

Fonte

ESO: The Hot Blue Stars of Messier 47

._._.

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