«

»

maio 13

Astrônomos encontram o irmão perdido do Sol e abrem caminho para uma reunião cósmica familiar

http://mcdonaldobservatory.org/sites/default/files/images/news/gallery/HD%20162826-RGB.jpg

O irmão do Sol, a estrela HD 162826, não é visível a olho nu, mas pode ser visto através de binóculos no céu noturno, perto da brilhante estrela Vega. Créditos: Ivan Ramirez/Tim Jones/Observatório McDonald

Um time de pesquisadores, liderado pelo astrônomo Ivan Ramirez, Universidade do Texas, Austin, EUA, descobriu evidências do primeiro “irmão” conhecido do Sol, ou seja, uma estrela que provavelmente nasceu na mesma nuvem de gás e poeira cósmica que o nosso Sol. Os métodos de Ramirez ajudarão os astrônomos na busca por outros irmãos solares. Isto poderá nos levar a um melhor entendimento de como e onde o nosso Sol se formou e também como o nosso Sistema Solar tornou-se hospitaleiro para a vida.

Ramirez declarou:

Queremos saber onde nascemos. Se pudermos descobrir em que parte da Galáxia o Sol se formou, podemos restringir melhor as condições primordiais do Sistema Solar. E isso pode ajudar-nos a compreender porque é que estamos aqui.

Adicionalmente, existe uma hipótese, “pequena, mas não nula”, disse Ramirez, que estes irmãos solares possam abrigar vida. Nos seus primeiros momentos dentro do aglomerado onde nasceram, Ramirez explicou, as colisões podem ter ejetado estilhaços de planetas e estes fragmentos podem ter viajado entre sistemas solares. Talvez até possam ter sido responsáveis por trazer a vida primitiva à Terra. Ramirez afirmou:

Por isso, pode-se argumentar que os irmãos do Sol são candidatos-chave na busca por vida extraterrestre.

http://images.hngn.com/data/images/full/24810/star-hd-162826.png?w=600

HD 162826, o irmão do Sol, destacado pela seta amarela. Crédito: Ramirez/UTexas

O irmão do Sol que a equipe selecionou é a estrela HD 162826, 15% mais massiva que o Sol, localizada a 110 anos-luz de distância na direção da constelação de Hércules. HD 162826 não é visível a olho nu, mas pode ser facilmente observada com binóculos, não muito longe da brilhante estrela Vega (constelação de Lira).

HD 162826 – o irmão perdido do Sol

A equipe identificou HD 162826 como irmão do Sol ao investigar 30 possíveis candidatos descobertos por vários grupos de cientistas espalhados pelo globo, que trabalham na caça por irmãos do Sol. A equipe de Ramirez estudou em profundidade 23 destas estrelas com o Telescópio Harlan J. Smith do Observatório McDonald e as 7 demais estrelas (visíveis apenas do Hemisfério Sul) com o Telescópio Magalhães do Observatório de Las Campanas no Chile. Todas estas observações usaram espectroscopia de alta-resolução para obter uma leitura profunda da sua composição química.

Ressaltamos que são necessários vários fatores para realmente identificar um irmão do Sol, acrescentou Ramirez. Além da análise química, a equipe também incluiu informações sobre as órbitas das estrelas, onde estiveram e para onde estão indo nos seus percursos em volta do centro da nossa Via Láctea. Considerando tanto a composição química como as órbitas, os cientistas restringiram o conjunto dos candidatos até chegar a um só: HD 162826.

Ninguém sabe se este sistema irmão contém exoplanetas potencialmente habitáveis. Mas por “sorte e coincidência”, disse Ramirez, a equipe de Pesquisa Planetária do Observatório McDonald já tem observado o comportamento de HD 162826 há mais de 15 anos. Os estudos de Michael Endl e William Cochran, Universidade do Texas, bem como os cálculos de Rob Wittenmyer, Universidade de Nova Gales do Sul, descartaram até hoje a presença de quaisquer planetas gigantes em uma órbita perto desta estrela (os chamados ‘Júpiteres quentes’) e indicam que também é improvável existir um análogo de Júpiter neste sistema. Os estudos, no entanto, não descartam a possível presença de planetas rochosos terrestres por lá.

Só um?

A descoberta de somente um único irmão solar até hoje é intrigante, mas Ramirez ressaltou que esta campanha de busca tem um propósito maior: criar um roteiro de como identificar irmãos do Sol, em preparação para o dilúvio de dados esperados em breve a partir das pesquisas que virão da missão Gaia da ESA, a qual visa criar o maior e mais preciso mapa tridimensional da Via Láctea.

Os dados do Gaia “não vão ser limitados à vizinhança solar”, comentou Ramirez, realçando que o observatório espacial vai fornecer distâncias precisas e movimentos próprios para bilhões de estrelas, o que permitirá aos astrônomos caçarem irmãos solares até em todo o caminho até o centro da nossa Via Láctea.

O número de estrelas que podemos estudar vai aumentar 10.000 vezes!

Ele disse que o roteiro preparado pela sua equipe irá acelerar o processo de filtragem dos potenciais irmãos solares.

Não compensa investir muito tempo em analisar todos os detalhes de cada estrela. Podemos concentrar-nos em certos elementos químicos fundamentais que serão muito úteis.

Estes elementos são aqueles que variam muito entre as estrelas, que de outra forma têm composições químicas muito similares. Estes elementos químicos altamente variáveis são em grande parte dependentes de onde na Galáxia a estrela se formou. A equipe de Ramirez identificou os elementos bário e ítrio como particularmente úteis.

Assim que sejam identificados mais irmãos do Sol, os astrônomos estarão um passo mais perto de saber onde e como nossa estrela-mãe se formou. Para alcançar esse objetivo, os especialistas da dinâmica farão modelos para traçar as órbitas de todos os irmãos solares para trás no tempo, afim de descobrir onde os caminhos se intersectam: o berçário estelar original que gerou fornada de estrelas irmãs do Sol.

O artigo científico será publicado na edição de 1 de junho de 2014 da revista The Astrophysical Journal.

Fonte

Universidade do Texas: Astronomers Find Sun’s ‘Long-Lost Brother,’ Pave Way for Family Reunion

Artigo Científico

ELEMENTAL ABUNDANCES OF SOLAR SIBLING CANDIDATES

._._.

1 menção

  1. Nosso Sol nasceu tardiamente, muito tempo depois do frenesi de nascimento estelar da Via Láctea » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] nosso Sol teve um nascimento tardio. O frenesi de nascimento estelar na Via Láctea alcançou o seu pico há 10 bilhões de anos, mas o […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

error: Esse blog é protegido!