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mar 25

ESO detalha a anatomia do asteroide Itokawa

Visão esquemática do astetoide (25143) Itokawa. Crédito: ESO/JAXA

Visão esquemática do astetoide (25143) Itokawa. Crédito: ESO/JAXA

Com o auxílio do New Technology Telescope (NTT) do ESO descobriu-se a primeira evidência de que os asteroides têm uma estrutura interna extremamente variada. Ao fazer medições mais precisas, astrônomos descobriram que partes diferentes do asteroide Itokawa têm densidades diferentes. Descobrir o que se encontra no interior dos asteroides, além de revelar segredos sobre a sua formação, pode também informar-nos sobre o que acontece quando corpos celestes colidem no Sistema Solar e dar-nos pistas sobre como se formam os planetas.

eso1405b - Itokawa

Com o apoio de observações muito precisas obtidas a partir de observatórios terrestres, Stephen Lowry (Universidade de Kent, RU) e colegas mediram a velocidade pela qual o asteroide próximo da Terra (25143) Itokawa gira e como é que esta taxa de rotação varia com o tempo, combinando seguidamente estas observações com trabalho teórico inovador sobre como é que os asteroides irradiam calor.

Este pequeno asteroide é bastante intrigante uma vez que apresenta a estranha forma de um amendoim, como foi revelado pela sonda japonesa Hayabusa em 2005. Para investigar a sua estrutura interna, a equipe de Lowry utilizou, entre outras [1], imagens recolhidas entre 2001 e 2013 pelo New Technology Telescope (NTT) do ESO, instalado no Observatório de La Silla, no Chile, para medir a variação do brilho do objeto à medida que este gira. Estes dados foram depois usados para deduzir o período de rotação do asteroide de modo muito preciso e determinar como é que este período varia com o tempo. Esta informação, quando combinada com a forma do asteroide, permitiu explorar o seu interior – revelando pela primeira vez a complexidade que se encontra no seu núcleo [2].

Lowry explicou:

Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteroide. Podemos ver que Itokawa tem uma estrutura extremamente variada – esta descoberta é um importante passo em frente na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar.

eso1405c - Itokawa

A rotação de um asteroide e de outros pequenos corpos no espaço pode ser afetada pela luz solar. Este fenômeno, conhecido por efeito Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP), ocorre quando a radiação solar absorvida pelo objeto é re-emitida pela sua superfície sob a forma de calor. Quando a forma do asteroide é muito irregular, o calor não é irradiado de modo homogêneo, o que cria no corpo um torque, pequeno mas contínuo, que muda a sua taxa de rotação [3][4].

A equipe de Lowry determinou que a taxa à qual o asteroide gira está lentamente a acelerar devido ao efeito YORP. A variação na velocidade de rotação é minúscula, apenas 0,045 segundos por ano, no entanto este resultado é muito diferente do esperado e apenas pode ser explicado se as duas partes deste objeto em forma de amendoim tiverem densidades diferentes.

eso1405d - Itokawa

Esta é a primeira vez que os astrônomos encontram evidências para uma estrutura interna dos asteroides extremamente variada. Até agora, as propriedades do interior dos asteroides apenas podiam ser inferidas através de medições globais aproximadas da densidade. Este resultado levou a muita especulação relativamente à formação de Itokawa. Uma possibilidade é que o asteroide se tenha formado a partir de duas componentes de um asteroide duplo depois de ter havido colisão e fusão dos dois objetos.

Lowry esclareceu:

Descobrir que os asteroides não têm interiores homogêneos tem implicações importantes, particularmente para os modelos de formação de asteroides binários. Este resultado poderá igualmente ser aplicado em trabalhos que visam diminuir as colisões de asteroides com a Terra ou em planos para futuras viagens a estes corpos rochosos.

Esta nova capacidade de sondar o interior de um asteroide é um importante passo em frente e pode ajudar-nos a desvendar muitos dos segredos destes objetos misteriosos.

Este trabalho foi descrito no artigo científico intitulado “The Internal Structure of Asteroid (25143) Itokawa as Revealed by Detection of YORP Spin-up”, assinado por Lowry et al., publicado na revista especializada Astronomy & Astrophysics.

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Notas

[1] Além do NTT foram também utilizados nas medidas de brilho os seguintes telescópios: Telescópio de 60 polegadas do Observatório Palomar (Califórnia, EUA), Observatório Table Mountain  (Califórnia, EUA), Telescópio de 60 polegadas do Observatório Steward (Arizona, EUA),  Telescópio Bok de 90 polegadas do Observatório Steward (Arizona, EUA), Telescópio Liverpool de 2 metros (La Palma, Espanha), Telescópio Isaac Newton de 2,5 metros (La Palma, Espanha) e Telescópio Hale de 5 metros do Observatório Palomar (Califórnia, EUA).

[2] Descobriu-se que a densidade do interior do asteroide varia de 1,75 a 2,85 gramas por centímetro cúbico. As duas densidades referem-se a duas partes distintas do Itokawa.

[3] Como analogia simples para o efeito YORP, se fizéssemos incidir uma luz intensa numa hélice, esta começaria a girar lentamente devido a um efeito semelhante.

[4] Lowry e colegas foram os primeiros a observar este efeito em ação num pequeno asteroide chamado 2000 PH5 (agora conhecido por 54509 YORP, veja em eso0711). As infraestruturas do ESO desempenharam também um papel crucial neste estudo anterior.

Fonte

ESO: The Anatomy of an Asteroid

Artigo Científico

The Internal Structure of Asteroid (25143) Itokawa as Revealed by Detection of YORP Spin-up

._._.

2 menções

  1. Rosetta revela a estrutura incomum do cometa 67P-Churyumov-Gerasimenko – um binário de contato » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] estrutura assimétrica nos lembra o asteroide ‘pilha de escombros’, o Itokawa, recentemente analisado pela equipe do ESO, veja imagem […]

  2. A agência japonesa JAXA anunciou missão a uma lua de Marte para recolher amostras e trazer de volta a Terra » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] e depois voltar para casa. Por exemplo, a sonda da JAXA pousou com sucesso (Hayabusa) no asteroide Itokawa, coletou amostras e as transportou de volta à Terra em uma missão de 2003 a 2011. Além disso, a […]

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