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fev 19

Pulsar em fuga produz o jato de plasma mais longo observado na Via Láctea

O jato extraordinário emitido pelo pulsar IGR J11014-6103. Esta imagem composta contém dados de raios-X do Chandra (roxo), dados de rádio do Australia Compact Telescope Array (verde) e dados ópticos da pesquisa 2MASS (vermelho, verde e azul). O pulsar e o seu jato estão no canto inferior direito desta imagem. O jato estende-se por 37 anos-luz, o mais longo já observado na Via Láctea. Crédito: raios-X: NASA/CXC/ISDC/L.Pavan et al; rádio: CSIRO/ATNF/ATCA; ótico: 2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF

O jato extraordinário emitido pelo pulsar IGR J11014-6103. Esta imagem composta contém dados de raios-X do Chandra (roxo), dados de rádio do Australia Compact Telescope Array (verde) e dados ópticos da pesquisa 2MASS (vermelho, verde e azul). O pulsar e o seu jato estão no canto inferior direito desta imagem. O jato estende-se por 37 anos-luz, o mais longo já observado na Via Láctea. Crédito: raios-X: NASA/CXC/ISDC/L.Pavan et al; rádio: CSIRO/ATNF/ATCA; ótico: 2MASS/UMass/IPAC-Caltech/NASA/NSF

O Observatório de Raios-X Chandra, da NASA, avistou um pulsar em fuga a grande velocidade de um remanescente de supernova e emitindo um gigantesco jato de partículas de alta energia – o mais longo jato de qualquer objeto na Via Láctea. O pulsar, um tipo de estrela de nêutrons, é conhecido como IGR J11014-6103 e o seu comportamento peculiar poderá vir a ser traçado retrocedendo até ao momento do seu nascimento, no colapso e subsequente explosão de uma estrela massiva.

Originalmente descoberto através do satélite INTEGRAL da Agência Espacial Europeia, o pulsar está localizado a cerca de 60 anos-luz de distância do centro do remanescente de supernova SNR MSH 11-61A, na constelação de Carina, 23.000 anos-luz distante da Terra. Com uma velocidade entre os 1.000 km/s, trata-se de um dos pulsares mais rápidos conhecidos.

Lucia Pavan, da Universidade de Genebra, na Suíça, principal autora do artigo publicado na revista Astronomy and Astrophysics, afirmou:

Nunca tínhamos visto um objeto que se movesse tão rapidamente e que também produzisse um jato. A título de comparação, este jato é quase 10 vezes maior que a distância do Sol à sua estrela mais próxima (Alfa Centauri).

IGR J11014-6103 visto em raios-X pelo observatório Chandra. Na parte superior da imagem está a remanescente de supernova MSH 11-61A. Os dois objetos provavelmente foram produzidos pela mesma explosão de supernova 10.000 a 20.000 anos atrás. Créditos: ISDC / L. Pavan

IGR J11014-6103 visto em raios-X pelo observatório Chandra. Na parte superior da imagem está a remanescente de supernova MSH 11-61A. Os dois objetos provavelmente foram produzidos pela mesma explosão de supernova 10.000 a 20.000 anos atrás. Créditos: ISDC / L. Pavan

O jato de raios-X em IGR J11014-6103 é o mais longo objeto deste tipo conhecido dentro da Via Láctea. Além da sua extensão impressionante, 37 anos-luz, apresenta uma trajetória em saca-rolhas o que sugere que o pulsar se movimenta como um pião.

IGR J11014-6103 também produz uma espécie de invólucro de partículas de alta energia que o cobre e deixa atrás de si uma cauda semelhante à de um cometa. Esta estrutura, que tem o nome de nebulosa de vento de pulsar, ou PWN (pulsar wind nebula), já havia sido observada anteriormente, mas os dados do Chandra mostram que o longo jato e a nebulosa são quase perpendiculares entre si.

Pol Bordas, da Universidade de Tuebingen, na Alemanha, coautor do artigo, destacou:

Podemos ver que este pulsar se está se movendo na direção oposta ao centro do remanescente de supernova, com base na forma e direção da nebulosa de vento de pulsar. A questão é: porque está o jato a apontar em outra direção?

Em geral, a direção do movimento do pulsar, a sua PWN e o jato estão alinhados, mas o que se observa é que o movimento do pulsar e a direção do jato estão quase em ângulo reto.

Gerd Puehlhofe, outro coautor do artigo, também da Universidade de Tuebingen, sugeriu:

Com a pulsar a movendo-se em uma direção e o jato em outra, temos sinais inéditos do que uma física exótica pode produzir-se quando algumas estrelas colapsam.

Uma explicação possível requer que a velocidade de rotação do núcleo de ferro da estrela que explodiu seja extremamente elevada. O problema deste cenário é que tais velocidades não são normalmente consideradas viáveis.

Imagem do pulsar em Raios X com anotações. Crédito: NASA / CXC / ISDC / L. Pavan et al.

Imagem do pulsar em Raios X com anotações. Crédito: NASA / CXC / ISDC / L. Pavan et al.

O remanescente de supernova que deu origem a IGR J11014-6013 alonga-se na imagem da parte superior direita para a inferior esquerda, praticamente em linha com a direção do jato. Estas características e a alta velocidade do pulsar sugerem que os jatos poderão ter desempenhado um papel importante na explosão de supernova que formou IGR J1104-6103.

Fontes

APOD: The Long Jet of the Lighthouse Nebula Créditos: NASA / CXC / ISDC / L. Pavan et al.

Chandra/NASA: NASA’s Chandra Sees Runaway Pulsar Firing an Extraordinary Jet

Artigo Científico

A&A: The long helical jet of the Lighthouse nebula, IGR J11014-6103

._._.

1309.6792v2-The-long-helical-jet-of-the-Lighthouse-nebula-IGR-J11014-6103

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