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maio 12

Berçário estelar em Messier 78 revelado pelo APEX

Região ao norte do cinturação de Órion (Messier 78) capturada pelo APEX. Crédito: ESO

O Atacama Pathfinder Experiment (APEX) [1] capturou uma imagem da região que rodeia a nebulosa de reflexão Messier 78, situada a norte do Cinturão de Órion, mostrando nuvens de poeira cósmica entrelaçadas nesta nebulosa que nos lembra um colar de pérolas. As fotos obtidas medem o brilho gerado pela emissão de calor dos grãos de poeira interestelar revelando aos astrônomos onde há novas estrelas que estão em processo de formação.

Olhar a poeira espacial pode soar como algo aborrecido e sem interesse, afinal trata-se de uma superfície suja que esconde a beleza de um objeto. Entretanto, esta nova foto nebulosa Messier 78 e suas vizinhanças cósmicas, capturando a radiação milimétrica-submilimétrica dos grãos de poeira no espaço, mostra que a poeira cósmica é algo intrigante e belo. Analisar a poeira é uma atividade importante para os astrônomos, pois são nas nuvens densas de gás e poeira que ocorre o processo de criação de novas estrelas.

NGC 2068 (M 78)

No centro desta imagem vemos a nebulosa de reflexão Messier 78 (NGC 2068). Quando observada no espectro da luz visível, esta região revela-se como uma nebulosa de reflexão. Isto significa que se vê lá um brilho azul pálido de radiação estelar refletida pelas nuvens de poeira. Aqui, as observações do APEX estão sobrepostas à imagem no espectro luminoso visível, apresentadas na imagem com tons de laranja. Como os dispositivos do APEX são sensíveis aos comprimentos de onda mais longos, estas observações revelam o tênue brilho dos casulos (nós) de poeira densos e mais frios, alguns dos quais estão a temperaturas inferiores a -250ºC. Na luz visível, esta poeira é escura aos telescópios óticos e obscurece o que está por trás. Esta é a razão pela qual os telescópios sensíveis às ondas mais longas, como o APEX, são fundamentais para as atividades de estudo das nuvens de poeira onde as estrelas se formam.

Um filamento observado pelo APEX aparece na luz visível como uma faixa escura de poeira atravessando Messier 78. Este fato informa-nos que a poeira densa se encontra em frente da nebulosa de reflexão, bloqueando assim a sua luz azulada. Outra região proeminente de poeira brilhante observada pelo APEX sobrepõe-se à luz visível emitida pela Messier 78 na região mais abaixo. A ausência da faixa de poeira escura correspondente na imagem visível indica que esta região de poeira densa deve estar por trás da nebulosa de reflexão.

Gases ejetados revelam evidências do nascimento de estrelas

Observações revelam que o gás presente nas nuvens flui em alta velocidade, deslocando-se para fora de alguns dos nós densos de poeira. Estas correntes de emissão de gás são ejetadas pelas estrelas jovens quando estas ainda estão se formando dentro da nuvem que as rodeia. A sua presença prova assim que estes nós estão formando estrelas de forma ativa.

NGC 2071

No alto da imagem aparece outra nebulosa de reflexão, a NGC 2071. Enquanto que as regiões inferiores na imagem contêm apenas estrelas jovens de pequena massa, a NGC 2071 contém um estrela jovem de maior massa, com cerca de cinco vezes a massa do Sol, situada no pico mais brilhante visto pelas observações APEX.

Região coberta pelo estudo. Crédito: ESO/APEX (MPIfR/ESO/OSO)/T. Stanke et al./Igor Chekalin/Digitized Sky Survey 2

As observações APEX utilizadas nesta imagem foram obtidas por Thomas Stanke (ESO), Tom Megeath (University of Toledo, USA) e Amy Stutz (Instituto Max Planck Institute para a Astronomia, Heidelberg, Alemanha). Para saber mais sobre esta região, incluindo a recentemente descoberta e altamente variável Nebulosa de McNeil, veja este link: eso1105.

Esta fabulosa imagem no espectro visível da nebulosa Messier 78 foi capturada pelo Wide Field Imager do telescópio de 2,2 metros no Observatório La Silla, Chile, na região de Coquimbo. Compare esta imagem com a do APEX. Esta imagem em cores foi criada a partir de diversas exposições monocromáticas tomadas através dos filtros azuis, amarelo / verde e vermelho, complementadas por exposições através de um filtro Hidrogênio-alfa, que mostra a luz do gás hidrogênio brilhante. Os tempos de exposição totais foram de 9, 9, 15,5 e 15,5 minutos por filtro, respectivamente. Crédito: ESO / Igor Chekalin

A seguir temos o mapa estelar que mostra a localização da M 78 em relação ao Cinturão de Órion dentro da constelação de mesmo nome.

Mapa da constelação de Órion. Messier 78 (M 78) situa-se logo acima do Cinturão de Órion (popularmente conhecido como as 3 Marias).

Nota

[1] O APEX é uma colaboração entre o Instituto Max Planck para a Rádio Astronomia (MPIfR), o Observatório Espacial Onsala (OSO) e o ESO. A operação do APEX no Chajnantor está a cargo do ESO. O APEX é um percursor para o telescópio submilimétrico de nova geração, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), que se encontra em construção e operação no mesmo planalto.

Fonte

ESO: Sifting through Dust near Orion’s Belt

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