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dez 05

Kepler 22b – Missão Kepler anuncia mundo similar a Terra em zona habitável de uma estrela parecida com o Sol

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Ilustração do Kepler-22b, um mundo que orbita confortavelmente na zona habitável de uma estrela similar ao Sol. Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech

O telescópio espacial Kepler da NASA descobriu seu primeiro exoplaneta localizado na “zona habitável” de sua estrela hospedeira. Assim, este mundo orbita em uma região temperada do seu sistema onde a água líquida pode existir na sua superfície. O observatório caçador de exoplanetas Kepler também descobriu mais de 1.000 novos mundos, candidatos a exoplaneta, quase duplicando a sua contagem anterior. Os cientistas anunciaram que dez destes candidatos são provavelmente similares a Terra e orbitam na zona habitável da sua estrela-mãe. Os pesquisadores informaram que são necessárias novas medidas independentes para verificar e comprovar se, de fato, estes 10 candidatos são exoplanetas.

KEPLER 22b

A notável descoberta do novo confirmado exoplaneta, Kepler-22b, nos revela o menor planeta extrasolar já descoberto em órbita no meio da zona habitável de uma estrela similar ao Sol. Kepler-22b é uma “terra massiva”, pois tem 2,4 vezes o raio da Terra e sua massa é menor de 11% da massa de Júpiter. Os cientistas ainda não conhecem a composição química de Kepler-22b, ou seja, se é predominantemente um mundo rochoso, gasoso ou líquido. No entanto, sua descoberta é um passo importante na busca mais exoplanetas tipo-Terra.

Diagrama compara nosso sistema solar interior (abaixo) com o sistema Kepler 22 (acima). Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech

Diversos estudos anteciparam a existência de exoplanetas com tamanho similar ao da Terra no meio de zonas habitáveis, mas a confirmação clara tão desejada só veio agora com o Kepler-22b. Além disso, dois outros pequenos exoplanetas em órbita de estrelas menores e frias que o nosso Sol foram recentemente confirmados, no entanto, estes dois residem nos limites das suas zonas habitáveis, com órbitas em distâncias equivalentes (respeitando a massa da sua estrela) às de Vênus e Marte (veja no diagrama acima e compare com Kepler 22b).

Douglas Hudgins, pesquisador do programa Kepler da NASA, Washington DC, afirmou:

Este é um grande marco na direção da descoberta de um gêmeo da Terra. Os resultados do fornecidos pelo Kepler continuam a ratificar a importância das missões científicas da NASA, que têm por objetivo esclarecer algumas das questões mais importantes sobre nosso lugar no Universo.

3 trânsitos, no mínimo!

A função do Kepler é revelar exoplanetas e candidatos ao medir sistematicamente as diminuições no brilho de mais de 156.000 estrelas quando estes objetos passam à sua frente, fenômeno este que chamamos de “trânsito”. Os cientistas do Kepler exigem que pelo menos 3 trânsitos sejam observados para confirmar um sinal positivo como a presença de um candidato a exoplaneta.

William Borucki, investigador principal do Kepler, no centro de pesquisas AMES da NASA em Moffett Field, Califórnia, que líder da equipe que descobriu Kepler 22b comentou:

A sorte sorriu-nos com a detecção deste exoplaneta. O primeiro trânsito foi capturado apenas três dias depois de termos declarado o observatório operacionalmente pronto. Testemunhamos agora o terceiro e definitivo trânsito durante a época natalícia de 2010.

O time de pesquisadores do Kepler usa também telescópios terrestres e o Telescópio Espacial Spitzer para confrontar as observações de exoplanetas candidatos que o observatório espacial descobre. Infelizmente, o campo estelar que o Kepler vasculha, nas constelações de Cisne e Lira, pode apenas ser observado pelos observatórios terrestres associados ao programa Kepler entre a primavera e o início do outono. Os dados destes outros observatórios ajudam a determinar quais os candidatos que podem ser validados como exoplanetas.

Kepler-22b está localizado a 600 anos-luz de distância. Embora o exoplaneta seja efetivamente maior que a Terra, a sua órbita de 290 dias em torno de uma estrela tipo-Sol assemelha-se com a do nosso mundo. A estrela hospedeira pertence à classe G, a mesma classe espectral do Sol, embora seja ligeiramente menor e mais fria. Kepler orbita a uma distância de 0,85 UA do seu sol (85% da distância da Terra ao Sol).

Dos 54 candidatos a exoplaneta orbitando em zona habitável, anunciados em fevereiro de 2011, o Kepler-22b é o primeiro destes já confirmado. O feito será publicado na revista The Astrophysical Journal.

Os cientistas do Kepler estão realizando apresentações interessantes na conferência científica inaugural em AMES de 5 a 9 de dezembro de 2011, anunciando 1.094 novos candidatos a exoplaneta. Desde o último catálogo, anunciado em fevereiro de 2011, o número de candidatos identificados pelo Kepler aumentou 89% e agora totaliza 2.326 candidatos catalogados, a saber:

  • 207 tipo-Terra;
  • 680 super-Terras;
  • 1.181 do tamanho de Netuno;
  • 203 do tamanho de Júpiter;
  • 55 maiores do que Júpiter.

Quanto mais tempo passa, menores exoplanetas serão confirmados

As descobertas são baseadas em observações conduzidas entre maio de 2009 e setembro de 2010 e nos mostra um aumento considerável no número de candidatos a exoplaneta com porte menor, fato este que era esperado pelos astrônomos.

O Kepler observou muitos exoplanetas gigantes em órbitas muito próximas de suas estrelas no início da sua missão, que foram refletidos no anúncio dos dados em fevereiro de 2011, o que é natural uma vez que estes mundos circulam muito mais rapidamente suas estrelas que a Terra. Com mais tempo para observar três trânsitos planetários com períodos orbitais maiores, os novos dados poderão sugerir que exoplanetas entre uma e quatro vezes o tamanho da Terra são de fato abundantes na nossa galáxia.

O número de exoplanetas tipo-Terra e super-Terra aumentou por mais de 200% e 140% desde fevereiro de 2011, respectivamente.

Existem hoje, no programa Kepler, 48 objetos candidatos a exoplaneta na zona habitável das suas estrelas. Embora tal montante represente uma redução em relação aos 54 anunciados em fevereiro de 2011, a equipe do Kepler aplicou uma definição mais restrita do que constitui a zona habitável neste novo catálogo, ao considerar o efeito de aquecimento das atmosferas, que afasta a zona habitável da estrela, para períodos orbitais maiores.

Natalie Batalha, vice-líder da equipe científica do Kepler, da Universidade Estatal de San Jose, Califórnia, exclamou:

O tremendo crescimento no número de candidatos a tipo-Terra nos indica que estamos na direção de alcançar o objetivo principal do Kepler: detectar não só aqueles exoplanetas tipo-Terra, mas também exoplanetas potencialmente habitáveis. Quanto mais dados recolhermos, provavelmente iremos descobrir mais exoplanetas menores e em períodos orbitais mais longos.

Leia também o texto de Luis Lopes no Astro-PT: Novidades da Missão Kepler

Fontes e referências

Enciclopédia dos Exoplanetas: Kepler-22 b

NASA/Kepler: NASA’s Kepler Mission Confirms Its First Planet in Habitable Zone of Sun-like Star

Centauri Dreams: Kepler-22b: A ‘Super-Earth’ in the Habitable Zone

Space.com: NASA Telescope Confirms Alien Planet in Habitable Zone

 

9 comentários

1 menção

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  1. Notícia que deveria ser anotada por todos. Talvez nos ajude entender que o ser humano não é o dono do planeta TERRA, e sim uma parte dele.

  2. Por ex: seria absurdo acreditar que neste universo(s), por hora infinito, onde existem milhões de galáxias, bilhões de estrêlas, apenas a Terra, esse grão de areia no espaço cósmico ofereça condições para a existência de vida.
    Parabenizo à todos que se interessam de maneira séria a este assunto. Doravante quero estas sempre acompanhando informações. Grato.

  3. Gostaria de ser aceito neste site, pois creio que voces são estudiosos dessa matéria fascinante.
    Sou leigo em astronomia, mas sempre me fascinou este assunto. Vai aí minha sincera opinião com relação ao universo: Voces se baseiam em estudos científicos e eu na minha crença, que veio se firmando ao longo dos anos, de que pra tudo exite lógica. Faltou espaço. Grato.

  4. migueljrarts.blogspot.com

    Bom artigo. Isso é só o inicio da Missão Kepler. Espero encontrarmos um outro planeta ainda mais similar a terra. Abraços ao Ricardo, que voltou a postar (continue, amigo), e aos amigos amantes do universo.

  5. Do que adianta a descoberta de exoplanetas habitaveis se nao temos tecnologia para chegar até la?

    1. ROCA

      Adianta, sim, sem sombra de dúvida. Tudo o que aprendemos em astronomia (e ciências, como um todo) pode ser usado para conhecermos melhor o nosso próprio planeta Terra, a maneira que vivemos, nossas origens e prever o que poderá acontecer no futuro. Comparando planetas os cientistas passam a conhecer melhor nosso mundo.

  6. raiosinfravermelhos.blogspot.com

    Olá, Roca.
    Prazer em ver que você voltou a postar coisas novas por aqui. Estava preocupado, achando que você tinha desanimado. Sei como deve ser difícil “tocar” sozinho um site com a qualidade deste aqui, sem incentivo financeiro e às vezes, o que é pior pra gente, sem o devido reconhecimento dos leitores também, que muitas vezes nem se dão ao trabalho de fazer um comentário sequer.

    Quando eu postei em meu blog, em fevereiro de 2009, avisando sobre o lançamento do telescópio Kepler, havia pouco mais de 300 exoplanetas descobertos até então, e eu já havia colocado um gráfico mostrando como estas descobertas tinham se acelerado cada vez mais, a partir dos anos 90.

    O Kepler realmente está mostrando para que foi lançado. Esta notícia da descoberta deste planeta na zona habitável já era esperada, para quem acompanha o Eternos Aprendizes. Era só uma questão de tempo, para que eles aguardassem os vários trânsitos e fizessem a confirmação. Como você mesmo me alertou em uma resposta a um comentário que fiz aqui, os “grandões gasosos”, e que apresentavam períodos pequenos de translação foram os primeiros a serem confirmados, mas estes que estão aparecendo na mídia agora, precisaram de mais tempo. Se eu entendi o que você me explicou, daqui pra frente vão “pipocar” descobertas deste tipo, uma atrás da outra.

    Relembrando Carl Sagan, também acho que seria muito pouco provável que não houvesse vida em algum destes, em todo o universo.

    Se quiser ver o post no meu blog na época do lançamento do Kepler, aí vai o link

    http://raiosinfravermelhos.blogspot.com/2009/02/planetas-extra-solares_04.html

    Força, amigo! Nós precisamos do Eternos Aprendizes sempre trazendo novidades como estas, e com a qualidade nas informações que só se encontra aqui.

    Abraço.

    1. ROCA

      Você é um bom amigo que sempre nos prestigia.

  7. Opa, o site voltando a ativa… Que continue assim!

    Nos próximos anos, muito mais planetas semelhantes à Terra serão descobertos. Visto que o tempo para três trânsitos aconterem variam conforme a distância da sua estrela.

    Valeu!

  1. Previsões para 2012 « INFRAVERMELHO

    […] do que a Terra, mas encontra-se em zona habitável, e sua estrela é bem parecida com o nosso Sol. Clique aqui  se quiser entendê-lo  […]

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