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2005 YU55: um asteróide de 400 metros vai passar entre a Lua e a Terra em novembro de 2011

No final do ano, em 8 de novembro de 2011, o asteróide 2005 YU55 se aproximará da Terra a uma distância inferior a Lua em relação ao nosso planeta. É importante lembrar que nós já tínhamos dado uma boa olhada neste NEO (sigla para Near Earth Object – Objeto Próximo da Terra) no ano passado: foi em abril de 2010 que o radiotelescópio de Arecibo em Porto Rico capturou uma imagem precisa deste objeto.

Esta imagem feita através de radar do asteróide 2005 YU55 foi gerada a partir de dados coletados em abril de 2010 pelo radiotelescópio de Arecibo em Porto Rico. Crédito: NASA/Cornell/Arecibo.

Esta primeira visão de 2010 foi proveitosa para que os cientistas imediatamente calculassem e provassem que não há risco algum de impacto de 2005 YU55 com a Terra nos próximos 100 anos. Embora a imagem por radar não pareça tão nítida aos nossos exigentes olhos, devemos ter em mente que se trata de um corpo com apenas 400 metros de diâmetro de formato esférico, como podemos ver na imagem acima capturada pelo radiotelescópio de Arecibo, com resolução de 7,5 metros-por-pixel.

O radiotelescópio de Arecibo de 310 metros foi usado para capturar uma imagem do asteróide 2005 YU55 em abril de 2010. Crédito: H. Schweiker/WIYN & NOAO/AURA/NSF

Assim, a próxima passagem do asteróide se dará em 8 de novembro de 2011 quando o NEO 2005 YU55 passará a uma distância mínima de 325.000 quilômetros (menos que o tamanho da órbita Lua X Terra – 384.400 km). Nesta oportunidade estaremos aprendendo muito mais sobre este visitante cósmico. Barbara Wilson do JPL (Jet Propulsion Lab – NASA) destaca que agora nós estamos bem melhor equipados para monitorar e conseguir informações importantes deste fenômeno:

Embora anteriormente tenham havido objetos próximos a Terra (NEOs) que passaram bem perto da Terra, em distâncias inferiores a da nossa Lua, nós não tínhamos conhecimento prévio e tecnologia suficientemente avançada para usufruir das vantagens proporcionadas por esta aproximação. Quando o asteróide 2005 YU55 nos visitar, este deverá nos fornecer uma grande oportunidade para que os instrumentos científicos na superfície da Terra dêem uma boa examinada neste objeto.

A imagem de Arecibo foi capturada a partir de uma distância de 2,3 milhões de quilômetros, sete vezes maior do que iremos observar no rasante de 8 a 9 de novembro de 2011. Esperamos assim durante o ‘flyby’ obter uma maior resolução visual, da ordem de 4 metros por pixel. O observatório recentemente reformado Deep Space Network facility em Goldstone, Califórnia, deverá produzir imagens com grande nível de detalhe, ajudando-nos a compreender a sua taxa de rotação e notar características do relevo da superfície.

Antena de 70 metros do 'Goldstone Deep Space Communications Complex' localizado no deserto de Mojave na Califórnia, que será utilizada em novembro para rastrear o asteróide 2005 YU55.

Uma imagem mais abrangente será trabalhada pelos observatórios de Goldstone e Arecibo, auxiliados por observações no visível e no infravermelho de uma gama de outros telescópios que serão alocados para esta campanha de observação. Espera-se que este esforço permita aos astrônomos elucidar a composição mineral deste asteróide. Wilson comentou:

Trata-se de um asteróide tipo-C e tais objetos são representativos dos materiais primordiais da época em que o nosso Sistema Solar se formou. Este vôo rasante (“flyby”) será uma excelente oportunidade para testarmos as hipóteses anteriores, bem como avaliarmos a maneira pela qual nos documentamos e qualificamos quais asteróides deveriam ser os mais apropriados para uma futura missão humana a um destes objetos.

Além disto, é interessante notar quão efetivas são as observações de asteróides feitas via radar. Até agora os observatórios de Goldstone e Arecibo já acompanharam com sucesso cerca de 272 NEOs (asteróides próximos a Terra) e 14 cometas via radar. Além disso, embora o radiotelescópio de Arecibo seja 20 vezes mais sensível que o de Goldstone, o prato do radiotelescópio de Arecibo é fixo enquanto que o de Goldstone é móvel, o que representa uma vantagem extra pois Goldstone pode acompanhar o movimento dos objetos rastreados por um tempo maior ao longo do dia e capturar suas imagens em uma resolução espacial refinada.

Não obstante, a visita do 2005 YU55 em novembro de 2011 será bem trabalhada pela comunidade astronômica e servirá para incrementar nosso conhecimento sobre os asteróides próximos e esclarecer detalhes sobre sua composição química.

Animação da trajetória do asteróide 2005 YU55 delineando sua trajetória provável em 8 a 9 de novembro de 2011. Crédito: NASA/JPL-Caltech.

Trajetória desalinhada…

No diagrama abaixo vemos a trajetória do asteróide em relação ao plano da eclíptica do Sistema Solar. Nota-se que a trajetória do asteróide não cruzará a órbita do sistema Terra-Lua, daí o baixo risco de colisão com nosso planeta no futuro próximo.

A trajetória do asteróide 2005 YU55 e o plano da eclíptica, no centro temos a Terra (Earth) e a Lua (Moon) e órbita da Lua. Crédito: NASA/JPL/Programa EO

Fontes

._._.

28 comentários

2 menções

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  1. Alexandre

    Hoje acordei de um sonho: “eu observava uma grande pedra passar pelo céu, entre a Terra e a Lua, e ouvia uma voz pronunciar: – Vai cair na Terra!”. Será que os cientista calcularam correto a trajetória deste asteroide? Será que consideraram a curvatura do espaço-tempo, a influência da gravidade da Terra, a aproximação de outros astros, como o cometa Elenin, poderia alterar essa trajetória? (14 agosto de 2011)

    1. ROCA

      Calcuraram com precisao, sem duvida!

  2. Eduardo Jost

    Vai se possivel ver a olho nu?
    =X

    1. ROCA

      Provavelmente sim. Acompanhe em novembro as notícias. Data de visualização 8 de novembro 21h UTC.

      “Since the asteroid will approach the Earth from the sunward direction, it will be a daylight object until the time of closest approach. The best time for new ground-based optical and infrared observations will be late in the day on November 8, after 21:00 hours UT from the eastern Atlantic and western Africa zone. A few hours after its close Earth approach, it will become generally accessible for optical and near-IR observations but will provide a challenging target because of its rapid motion across the sky.”

  3. Vitor

    Vitor :
    Colidir não né, mas a lua poderia desvialo?

    Mas passa muito por cima, daí é mais dificil!

    1. ROCA

      Pela trajetória, paralela ao plano da eclíptica e pela velocidade do objeto o desvio não será crítico.

  4. Michelle

    Boa Noite ROCA,
    Por favor poderia esclarecer uma dúvida em relação a este post, sobre o possível choque do asteróide Apophis com com o nosso planeta?Estou realmente preocupada.http://www.profeciasoapiceem2036.blogspot.com/2011/04/russia-afirma-apophis-ira-se-chocar.html
    Obrigada

    1. Olá, não sou o ROCA mais tenho conhecimentos avançados nesse tipo de assunto abordado… desculpe o que falarei mas você no caso estaria sendo ou esta sendo tola ao acreditar que tal asteroide poderia se choca com a terra… Se você calcular a velocidade e o gravidade da lua,terra e o sol, junto com a chance de choco vera que a chance de que o choque é menos q 3% e poderia se chocar com a terra em 2036? absurdo! ele entrará na fenda em rotação por 8 anos e sera liberado como muitos asteroides como ele foram, e se acontecer a EUA junto com a RUSSIA tem uma plano elaborado em que.

      A: Plantaria ou colocar em satélite artificial para mudar seu curso (probabilidade de 10% a 1% de chance de ser aceito)
      B: Implantar vários satélite motor e muda para uma rota segura ( probabilidade de 75% a 50% de chance de ser aceito)

      Não direi os outros pro motivos de serem muitos e outros muito tosco como uma bomba nuclear o que ai sim acertaria a terra com 100% de chance…

      outros como colocar o apophis como Lua ou até de capturar tal asteroide
      (Fontes Wikipedia,Google,Nasa,Conhecimentos entre outros..)
      Espero te ajudado apesar de não ser o GRANDE ROCA .

  5. Daniel Borges

    Olá ROCA.
    Quando o site volta com novos posts?

    Abraço

    1. ROCA

      Dentro de duas semanas. Abs.

  6. Sandro

    Amigo, estava aqui vendo seu site quando lembrei de um Video que tenho aqui no meu PC, bem e muito lindo acho que você vai gosta. Ele esta hospedado no site VIMEO. Pode procurar atés em um site de pesquisa de sua preferência para ter certeza… O video e este [link] ser chamar: “The Mountain” no mesmo canal tem outro “The Aurora”. Acompanho esse site faz tempo, Obrigado por manter meu conhecimento atualizado.

  7. Alvaro Torrecilhas

    Oi Ricardo, conseguiremos observar com nossos humildes telescópios, qual deve ser a magnitude do asteróide?

    1. ROCA

      Álvaro,
      Não será tão difícil, prepare seu telescópio. Ele atingirá magnitude 11.

      “Initially, the object will be too close to the sun and too faint for optical observers. But late in the day (Universal Time) on Nov. 8, the solar elongation will grow sufficiently to see it. Early on Nov. 9, the asteroid could reach about 11th magnitude for several hours before it fades as its distance rapidly increase.”

      Inicialmente o objeto estará ofuscado pelo Sol e tênue para os observadores óticos. Cedo, em 9 de novembro o asteróide atingirá a magnitude 11 por várias horas antes de desaparecer ao se afastar da Terra.

      Prepare-se para observá-lo com antecedência.

      Efemérides:

      http://newton.dm.unipi.it/neodys/index.php?pc=1.1.3.1&n=2005YU55&oc=500&y0=2011&m0=11&d0=8&h0=0&mi0=0&y1=2011&m1=11&d1=12&h1=0&mi1=0&ti=1.0&tiu=hours

  8. Vinícius Cruz

    Caro Ricardo, primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo site, quero que saiba que sou frequentador assíduo do mesmo. Amigo gostaria que você me esclarecesse uma pequena dúvida, com relação a distancias de objetos com relação a terra, tem algum limite de que um objeto possa passar pelo nosso planeta sem que seja “sugado”? Estou me referindo a MOID ( minimum orbital intersection distance), tendo em vista que, mesmo passando a mais de 300.000 quilômetros, isso não é nada perante as dimensões do Sistema Solar. Agradeço quaisquer esclarecimentos. Abraço

    1. ROCA

      Vinícius,
      A gravidade da Terra não “suga” objetos. Nosso massivo planeta deflete a órbita de objetos, encurvando sua órbita. Mesmo perto de ultramassivos buracos negros os objetos não são “sugados”, suas trajetórias são encurvadas e ele espiralam em queda ao redor do buraco negro até atingir o horizonte de eventos…

      Nós já sabemos que o 2005 YU55 vai passar a 13,51 km/s (ou melhor: 13.510 m/s) da Terra em 09 de novembro. Consulte e confira aqui: http://ssd.jpl.nasa.gov/sbdb.cgi?sstr=2005YU55;cad=1#cad

      Assim, nesta enorme velocidade, o 2005 YU55 teria que passar bem mais próximo da Terra para que ele seja capturado. A distância para que ele entre em órbita considerando a velocidade de 13,51 km/s é dada pela equação: r = v²/g onde v é a velocidade relativa e g a gravidade na superfície terrestre (9,8 m/s²).

      r = (13.510 m)² / 9,8 m/s² = aproximadamente 18.621 km

      O raio da Terra é aproximadamente 6.400 km, ou seja, o objeto teria que passar a uma distância de 12.221 km da superfície do planeta, ou melhor, 1,9 vezes o raio da Terra, para ser capturado por nosso planeta.

      Mas ele vai passar a uma distância bem maior que isso, a 325.500 km, ou seja, escapará da gravidade terrestre incólume…

  9. fejuncor

    “devemos ter em mente que se trata de um corpo com ‘apenas’ 400 metros de diâmetro de formato esférico”

    Desculpe minha ignorância, mas uma pedra com 400 metros de diâmetro é pouca coisa? Praticamente tamanho de uma montanha.

    Mas pelo menos vocês astronomos com seus telescópios simples terão uma oportunidade única, hiem? Vão fazer a festa!

    1. ROCA

      Você está certo, não é tão pouco, mas com 400 metros os danos seriam locais, não teria efeito em grande escala (continental ou global). Não se esqueça que qualquer objeto tem 2/3 de chance de cair no mar e neste caso provocaria talvez um tsunami de escala limitada porém bem perigoso para quem está razoavelmente perto (até 50 km) se o objeto cair perto da costa.

      Sugiro que você mesmo simule o impacto usando este interessante site:
      http://impact.ese.ic.ac.uk/ImpactEffects/

      Fiz um teste, leia (gera uma cratera de 2km de diâmetro):
      http://impact.ese.ic.ac.uk/cgi-bin/crater.cgi?dist=10&distanceUnits=1&diam=400&diameterUnits=1&pdens=&pdens_select=1500&vel=12&velocityUnits=1&theta=30&wdepth=&wdepthUnits=1&tdens=2500

  10. Miguel Jr Arts

    Interessante o post, como sempre ocorre no site.

    Fiquei mais calmo quando vi a perspectiva plano da eclíptica, realmente vai passar distante. Com o
    diâmetro de 400 m, seria uma enorme destruição num território terrestre. Os neos sempre são preocupação. Acho q inclusive os governos deveriam disponibilizar maiores verbas para tais rastreamentos via radar ou direta. (Já alguns meses, escrevo um roteiro futurista sobre esse tema).
    Abraços.

    1. ROCA

      Miguel,
      Eu também me tranqüilizei quando eu vi esta perspectiva e por isso coloquei a figura no artigo.

  11. Robinson

    Olá Ricardo, otimo post li este ano promete mais um fenomeno astrnomico o cometa Elenin. Li a algum tempo atraz sobre o cometa Elenin, você tem algum dado sobre o mesmo, pois onde eu li não falou com muita clareza e também não era um periodico cientifíco como seu blog. Gostaria muito de saber mais detalhes.
    Um grande abraço.

    1. ROCA

      Sugestão anotada, Robinson. Vou pesquisar.

  12. Juliano

    Esse asteróide está ‘caindo’ pra dentro do Sistema Solar ou está escapando?

    1. ROCA

      Nem ‘caindo’ e nem ‘escapando’. 2005 YU55 é um asteróide (NEO) que está em órbita do Sol, assim como a Terra…

      Consulte: http://neo.jpl.nasa.gov/news/news171.html

  13. André Luiz

    A NASA diz que não há perigo. Mas dá um certo medo.

  14. Milton

    Estamos indo bem. Já podemos prever isto. Há vinte anos não podíamos.

  15. Bruno Cavalcanti

    É……. uma “simples” trombada com um asteróide desse tamanho já seria o suficiente pra varrer um continente do planeta Terra…

  16. Marcos

    Se a Lua atrasa mais um pouco colidia.

    1. ROCA

      Não é tão fácil Marcos, a órbita da Lua teria também que estar no mesmo plano da trajetória do asteróide e isto não é o caso.

      Veja o diagrama do plano da eclíptica que esclarece que o asteróide passa fora do plano e não oferece risco.

      Por outro lado uma colisão dessas contra a Lua seria fantástica para a ciência, poderíamos estudar o fenômeno com nossas sondas e telescópios e muito aprender.

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