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jan 08

Estudo reproduz as experiências das sondas Viking e ratifica: blocos de construção da vida podem ter sido encontrados em Marte

As Viking da NASA foram as primeiras sondas robóticas a pousar com sucesso em Marte através de uma delicada operação controlada por motores. A Viking 1 pousou em Marte em julho de 1976 e encerrou as operações em novembro de 1982. A Viking 2 aterrou em Setembro de 1976 e continuou a trabalhar até abril de 1980. Crédito: NASA

De acordo com um novo estudo, as sondas Viking da NASA podem ter realmente detectado ingredientes da vida em Marte quando realizaram experimentos no Planeta Vermelho durante suas missões que se iniciaram em 1976.

Sonda Viking pousada em Marte. Crédito:NASA

Nos anos 70, as duas sondas Viking recolheram amostras do solo marciano e as aqueceram procurando por moléculas orgânicas, blocos de construção da vida como a conhecemos, baseada no carbono. Pouco se descobriu além de dois estranhos compostos de cloro que os pesquisadores na ocasião atribuíram à contaminação de líquidos de limpeza.

Agora um novo estudo sugere que o solo continha realmente material orgânico, que pode ter origem biológica ou não-biológica, mas que foi destruído antes das Viking o detectar. O co-autor do estudo Chris McKay, do Centro de Pesquisa AMES da NASA em Moffett Field, Califórnia afirmou:

Este resultado afirma que existem moléculas orgânicas em Marte. Nada conta acerca da presença atual de vida, no presente ou no passado. Mas abre a possibilidade da procura por moléculas orgânicas produzidas por vida, e isso é muito excitante.

Um dos achados da Phoenix em 2008 motivou McKay e seus colegas, liderados por Rafael Navarro-Gonzalez da Universidade Autônoma Nacional do México, a revisitar os resultados das Viking. A Phoenix detectou uma substância química que contém cloro denominado perclorato no seu local de pouso, perto do pólo norte marciano. Os pesquisadores suspeitavam que o perclorato podia ter produzido o que as sondas Viking haviam descoberto, destruindo o material orgânico original do solo e deixando para trás os dois compostos baseados no cloro, cloro-metano e diclorometano.

A sonda Viking da NASA transportava quatro instrumentos desenhados para procurar sinais de vida em Marte: um espectrômetro de massa/cromatográfico de gás, bem como experiências de troca gasosa, liberação rotulada e liberação pirolítica. Crédito: NASA

Por isso os cientistas levaram a cabo uma experiência de laboratório. Recolheram amostras de solo do deserto do Atacama no Chile, o lugar mais seco na Tera, considerado pela comunidade científica como um ambiente análogo ao de Marte, e introduziram perclorato. A seguir, aqueceram então esta mistura em laboratório, tal como as Viking fizeram em Marte. E tal como as Viking fizeram nos anos 70 lá em Marte, os cientistas descobriram cloro-metano e diclorometano. McKay afirmou:

A explicação mais simples e sensata para os resultados das Viking é que realmente havia material orgânico no solo, e que foi consumido pelo perclorato. Penso que é muito convincente.

Navarro-Gonzalez, McKay e seus colegas publicaram suas descobertas no mês passado em artigo da revista Journal of Geophysical Research – Planets, embora os resultados já tivessem sido anunciados desde setembro de 2010.

Os resultados, entretanto, não provam a existência de vida, passada ou presente, em solo marciano. Embora os compostos orgânicos estejam associados com a vida cá na Terra, isto não é necessariamente o caso no resto do Sistema Solar, afirma McKay. Os compostos orgânicos parecem ser comuns, por exemplo, em asteroides, cometas e nos corpos gelados que orbitam o Sol no Cinturão de Kuiper, que residem além da órbita de Netuno.

Mas a probabilidade de existir vida marciana pode ser agora um pouco maior, dado que as sondas Viking descobriram os blocos de construção da vida no solo do Planeta Vermelho há já mais de três décadas. “Há a possibilidade que algumas destas moléculas orgânicas sejam de fato biomarcadores”, ou seja, indicadores da presença de vida, McKay realçou. “Isto é muito excitante.”

Curiosity rover em Marte em 2012

Os cientistas deverão em breve ter oportunidade para confirmar a presença de material orgânico no solo de Marte. O jipe robótico (rover) MSL (Mars Science Laboratory), também conhecido como Curiosity, tem pouso previsto em Marte em agosto de 2012. Como parte da missão para determinar o potencial de habitabilidade de Marte, tanto hoje quanto no passado, o ‘rover’ com o tamanho de um carrinho de golfe vai procurar por moléculas orgânicas.

Os instrumentos do MSL vão tentar extrair material orgânico usando calor, tal como as Viking fizeram. Mas, o novo veículo robótico de exploração de Marte irá usar outro método líquido, que deverá esclarecer as coisas. O perclorato não destrói as moléculas orgânicas se não for aquecido a altas temperaturas. McKay comentou:

A minha previsão é que o MSL, quando tentar o método de calor, não vai detectar nada, mas quando o MSL tentar o modo de extração de líquido, este vai ver material orgânico.

Caso o jipe robótico Curiosity consiga detectar a presença de material orgânico em Marte, o próximo passo possivelmente será determinar se têm uma origem biológica ou não-biológica. De acordo com McKay, isso poderá necessitar da realização de nova missão. McKay concluiu:

Se o MSL descobrir material orgânico diverso e complexo, então em seguida será necessária outra missão com o objetivo de pesquisar moléculas orgânicas formadas biologicamente. E isso seria muito interessante.

Fontes

Discovery News: Viking found organics on Mars, experiment confirms

Physorg.com: Viking landers did detect organics on Mars

Space.com: Life’s Building Blocks May Have Been Found on Mars, Research Finds por Mike Wall

Artigo Científico

JGR: Reanalysis of the Viking results suggests perchlorate and organics at midlatitudes on Mars

._._.

1 comentário

2 menções

  1. José Maurício

    Tenho aguardado com interesse a descoberta de novos planetas. Aqui obtenho informação atualizada e bem organizada sobre este e outros assuntos fascinantes.
    Obrigado:
    José Maurício

  1. Poderia a vida evoluir a partir de um código químico diferente? » Blog de Astronomia do astroPT

    […] a vida na Terra se baseia em um conjunto padrão de 20 moléculas, chamadas de aminoácidos, blocos básicos na construção da vida, moléculas responsáveis pela construção das proteínas que realizam as ações essenciais da […]

  2. Poderia a vida evoluir a partir de um código químico diferente? « O Universo – Eternos Aprendizes

    […] a vida na Terra se baseia em um conjunto padrão de 20 moléculas, chamadas de aminoácidos, blocos básicos na construção da vida, responsáveis pela construção das proteínas que realizam ações essenciais da vida. Mas, […]

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