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dez 31

Para formar estrelas massivas são necessários densos berçários cósmicos?

This is Star 302, one of a group of seemingly isolated massive stars, as viewed through the Hubble Space Telescope, which can zoom in roughly 40 times closer than a ground-based telescope. From the ground, everything within the circle appears to be one star. Photo courtesy of Joel Lamb

Esta é a estrela 302 na Pequena Nuvem de Magalhães. A estrela 302 pertence a um grupo de estrelas massivas isoladas. Dentro do círculo, visto a partir da Terra, observa-se apenas uma única estrela, mas o Hubble consegue ver 40 vezes mais nítido. Crédito: Joel Lamb

Não! Novos estudos indicam que as estrelas mais massivas do Universo podem se formar basicamente em qualquer lugar, mesmo sem a presença de outras estrelas nas proximidades, ou seja, também podem surgir fora dos densos berçários estelares.

Os astrônomos julgavam que as dimensões das estrelas supermassivas, cuja massa pode variar entre 20 e 150 vezes a massa do Sol, podem ser determinadas pelo meio ambiente onde se formam, em geral, os densos aglomerados estelares. Pensava-se que quanto maior o aglomerado, mais gás e poeira estariam disponíveis para construir as estrelas gigantes.

Observações via Hubble desafiam as teorias anteriores sobre a formação de estrelas massivas

Agora, novas observações feitas a partir do Telescópio Espacial Hubble apoiam uma teoria fundamentalmente oposta: as estrelas mais massivas podem nascer de forma aleatória em todo o Universo, incluindo locais remotos e aglomerados estelares muito pequenos.

Peixes Grandes em Lagos Pequenos?

Sally Oey, Universidade de Michigan, participante desta equipe de estudo, recordou algumas memórias familiares durante o debate destes resultados:

Meu pai costumava pescar em um pequeno lago na fazenda da minha avó. Um dia ele pegou um robalo negro gigante. Foi o maior peixe que ele já tinha capturado, considerando que ele já tinha pescado muitos peixes em lagos muito maiores. O que estamos vendo em relação às estrelas massivas é algo análogo a esta situação. Nós questionamos: Será que um pequeno lago para produzir um peixe gigante? Será que o tamanho do lago determina o quão grande serão seus peixes? O ‘lago’, nesta analogia, é o aglomerado estelar. Nossos resultados agora mostram que, de fato, as estrelas podem se formar em pequenos ‘lagos cósmicos’.

De fato, são as estrelas mais massivas que conduzem a evolução das galáxias. O vento estelar e a radiação que emitem dão forma ao gás interestelar e promovem o nascimento de novas estrelas. Suas violentas explosões de supernovas criam todos os elementos pesados, essenciais para a vida como a conhecemos. Os astrônomos ainda estão tentando compreender como essas raras estrelas se formam, pois se trata de um processo mais complexo devido à sua curta duração e seus potentes ventos.

No novo estudo, astrônomos usaram o Hubble para dar um zoom em oito estrelas que a partir dos telescópios na superfície da Terra, parecem estar sozinhas no espaço. Estas estrelas residem na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã vizinha bem próxima da Via Láctea.

Imagens capturadas pelo telescópio espacial Hubble das 8 estrelas alvo da pesquisa, com a identificação da estrela do catálogo Azzopardi & Vigneau (1975). O círculo corresponde a um raio de 1 parsec. As duas imagens dos painéis inferiores são das estrelas fugitivas. Crédito: J. B. Lamb et al.

8 estrelas das classes O e B? massivas e solitárias…

Mesmo a partir do ponto de vista do Hubble, 5 das estrelas não possuíam vizinhos grandes o suficiente para serem resolvidos. As outras 3 pareciam estar em grupos pequenos de 10 estrelas ou menos, de acordo com o estudo, que é o mais detalhado já realizado sobre estas estrelas massivas.

Os pesquisadores reconheceram a possibilidade de que algumas das estrelas migraram a partir das vizinhanças onde nasceram. De fato, duas estrelas dentro da amostra examinada foram reconhecidas como estrelas fugitivas que foram expulsas dos seus grupos de nascimento.

Mas em vários casos, os astrônomos encontraram evidências da existência de restos de gás nas proximidades, o que reforça a possibilidade de que as estrelas estão ainda nos lugares isolados em que nasceram.

O estudo foi publicado em 20 de dezembro de 2010 no Astrophysical Journal. Veja abaixo o resumo do artigo:

ABSTRACT do artigo "The Sparsest Clusters with O Stars". Crédito: J. B. Lamb et al.

Fonte

Space.com: No Nursery Needed: Some Massive Stars Seem to Be Born Alone

Artigo Científico

The Sparsest Clusters With O Stars Autores: J. B. Lamb, M. S. Oey, J. K. Werk, L. D. Ingleby

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