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dez 08

M107: aglomerado estelar a 21.000 anos-luz revela os segredos da Via-Láctea

O aglomerado estelar M107. Crédito: ESO/La Silla

Há cerca de 150 aglomerados globulares, verdadeiras coleções de estrelas anciãs, que orbitam em nossa Galáxia, a Via Láctea. O ESO capturou esta imagem muito nítida de Messier 107, através do dispositivo WFI (Wide Field Imager), instalado no telescópio de 2,2 metros pertencente ao Observatório de La Silla, no Chile. A foto nos revela a estrutura deste aglomerado globular de forma extremamente detalhada. Estudar os aglomerados estelares nos revela segredos da história de nossa Galáxia, a sua idade e como as estrelas evoluem.

Uma metrópole de estrelas anciãs

O aglomerado globular Messier 107 (NGC 6171), é uma velha e compacta família de estrelas que reside a cerca de 21.000 anos-luz de distância da Terra. Messier 107 é uma metrópole estelar em constante atividade. As milhares de estrelas habitantes de aglomerados globulares como este permanecem concentradas em um espaço minúsculo, apenas vinte vezes a distância entre o nosso Sol e a nossa vizinha estelar mais próxima, Próxima Centauro. Um número significativo das estrelas do aglomerado evoluiu para a fase de gigante vermelha, muito mais brilhantes, um dos últimos estágios da vida estelar, vistas com tonalidade amarelada nesta imagem.

Sabemos que muitos dos aglomerados globulares são os objetos mais antigos do Universo. Como as estrelas do seu interior se condensaram a partir da mesma nuvem de matéria interestelar e a maioria delas, possivelmente, nasceram na mesma época (o M 107 surgiu há 10 bilhões de anos) encontramos por lá praticamente somente estrelas de menor massa, uma vez que estrelas mais leves queimam o seu combustível de hidrogênio muito mais lentamente do que as estrelas de grande massa. Os aglomerados globulares se formam durante as fases iniciais de formação das suas galáxias hospedeiras e por isso o estudo destes objetos fornece-nos informação importante sobre a evolução das galáxias e das estrelas que as compõem.

M 107 (zoom). Crédito: ESO/La Silla

Alvo do FLAMES

Dada a proximidade, Messier 107 tem sido alvo de observações intensivas, sendo um dos 160 campos estelares selecionados para o programa de rastreamento Pre-FLAMES, um projeto de pesquisa realizado entre 1999 e 2002 com o telescópio de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. O objetivo do Pre-FLAMES era o de encontrar estrelas adequadas para serem observadas posteriormente com o dispositivo espectroscópico do VLT, FLAMES (Fibre Large Array Multi-Element Spectrograph). Utilizando o FLAMES é possível observar até 130 objetos duma só vez, o que torna este dispositivo particularmente adequado para o estudo espectroscópico de campos estelares densamente populados, encontrados em aglomerados globulares.

Como ver o aglomerado M 107?

M 107 não se encontra visível a olho nu, mas, como sua magnitude aparente é igual a +8, Messier 107 pode ser facilmente observada a partir de um local sem poluição luminosa se usarmos binóculos ou um pequeno telescópio. M 107 tem cerca de 13 minutos de arco de extensão, o que corresponde a um diâmetro de cerca de 80 anos-luz para a distância a que se encontra. M 107 se situa na direção da constelação de Ofiúco, ao norte das pinças da constelação do Escorpião. Aproximadamente metade dos aglomerados globulares conhecidos da Via Láctea reside nas constelações de Sagitário, Escorpião e Ofiúco, na direção geral do centro da Via Láctea. Isto se deve ao fato de todos eles terem órbitas alongadas em torno da região central e por isso são mais fáceis de se observar nessa direção.

Localização da M107 em Ophiucus (círculo vermelho). Crédito: ESO, IAU e Sky & Telescope

Messier 107 foi descoberto por Pierre Méchain em abril de 1782 e foi acrescentado à lista dos sete Objetos de Messier Adicionais que não tinham sido originariamente incluídos na versão final do catálogo de Messier, publicada no ano anterior. Em 12 de Maio de 1783, este objeto foi re-descoberto de forma independente pelo astrônomo William Herschel, que conseguiu, pela primeira vez, resolver o aglomerado globular em estrelas individuais. Mas foi apenas em 1947 que este aglomerado globular tomou o seu lugar no catálogo de Messier como M107, o que o tornou no mais recente aglomerado estelar a ser acrescentado a esta famosa lista.

Esta imagem é composta por diversas exposições obtidas com os filtros azul, verde e infravermelho próximo do dispositivo Wide Field Camera (WFI) instalado no telescópio de 2,2 metros situado no Observatório de La Silla, no Chile.

Na imagem abaixo, para comparação, vemos o aglomerado M107 capturado pelo telescópio espacial Hubble da NASA/ESA.

Messier 107. Imagem capturada pelo Observatório Espacial Hubble. Crédito: NASA/ESA/Hubble

Fonte

ESO: Swarm of ancient stars

._._.

1 menção

  1. Astrônomos analisam três Supernovas Ia que explodiram longe das suas casas, no espaço intergaláctico » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] parece estar dentro de uma região vermelha e redonda que poderá ser uma galáxia pequena ou um aglomerado globular. Se a supernova fizer realmente parte de um aglomerado globular, esta será a primeira vez de uma […]

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