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out 29

25% dos sóis podem ter exoplanetas como a Terra?

Sistemas solares semelhantes ao nosso podem ser comuns no Universo?

Cerca de 23% das estrelas semelhantes ao Sol provavelmente contém um exoplaneta do tamanho da Terra orbitando em torno delas, apontou a pesquisa realizada pelos astrônomos Geoffrey Marcy e Andrew Howard da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), publicada na revista Science.

Censo estelar sugere que em cada 100 estrelas similares ao Sol 23 delas contém exoplanetas semelhantes a Terra. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UC Berkeley

Censo estelar sugere que em cada 100 estrelas similares ao Sol 23 delas contém exoplanetas semelhantes a Terra. Crédito: NASA/JPL-Caltech/UC Berkeley

A equipe selecionou 166 estrelas do tipo espectral G (“amarela” como o Sol) e K (“laranja-avermelhadas” e ligeiramente menores) dentro de um raio de 80 anos-luz de distância ao nosso planeta. As observações foram realizadas através do poderoso telescópio Keck (Havaí, EUA) durante cinco anos para determinar a quantidade, massa e distância orbital dos exoplanetas nestes 166 sistemas.

Os pesquisadores foram encontrando exoplanetas cada vez menores, até chegar ao menor tamanho que atualmente pode ser detectado no momento, as “super-Terras”.

“De cada 100 estrelas típicas similares ao Sol, uma ou duas possuem exoplanetas da classe Júpiter, 6 tem exoplanetas tipo Netuno e 12 tem super-Terras com uma massa entre 3 e 10 vezes a massa terrestre”, explicou Howard. “Ao extrapolarmos estes resultados, estendendo o raciocínio aos planetas do tamanho da Terra (de 0,5 a 2 vezes as massa), nossa previsão estabelece que cerca de 23 exoplanetas (tipo Terra) podem ser encontrados para cada 100 estrelas.”

Diagrama explica o censo estelar. Crédito: Folha-on-line (*)

Diagrama explica o censo estelar. Crédito: Folha-on-line (*)

“Trata-se da primeira estimativa da fração de estrelas que possuem planetas do tamanho da Terra com base em medições reais”, afirmou o professor Marcy. Estudos anteriores estimaram a proporção de exoplanetas com o tamanho de Júpiter e Saturno, mas nunca se chegou a estimar exoplanetas com tamanho de Netuno ou de super-Terras que permita a extrapolação de resultados de planetas do tamanho da Terra.

Procurar nas áreas próximas

De acordo com Howard, “isso significa que ao longo da próxima década, se a NASA desenvolver novas técnicas para detectar planetas do tamanho da Terra, não será necessário olhar muito longe.”

Uma vez que os pesquisadores somente trabalharam com exoplanetas próximos, também podem existir mais exoplanetas do tamanho da Terra a distâncias maiores, até mesmo dentro da zona habitável localizada na justa distância que separa nosso planeta do Sol, a distância a sua estrela em que um exoplaneta não é nem muito frio nem muito quente, permitindo a existência de água líquida.

Contudo, “as conclusões dos pesquisadores não são consistentes com os modelos atuais de formação do planeta e da migração”, disse Marcy. Acredita-se que após o seu nascimento em um disco protoplanetário, os planetas seguem uma espiral para o interior devido às interações com o gás do disco protoplanetário. Segundo os modelos, em geral, se origina um ‘deserto de planetas’ no interior dos sistemas solares.

“Precisamente na zona onde encontramos a maioria dos planetas, os modelos previam que não se encontraria nem um cacto”, disse Marcy, “assim, esses resultados irão transformar a visão de astrônomos sobre como os planetas se formam.”

A oscilação das estrelas

Os astrônomos usaram o telescópio de 10 metros Keck para medir pequenas oscilações de cada estrela. As técnicas atuais permitem detectar planetas massivos o suficiente para provocar uma oscilação aproximada de 1 metro por segundo.

Os telescópios gêmeos de 10 metros Keck, em Mauna Kea, Havaí, foram utilizados na pesquisa. Crédito: WMKO

Isto implica que só se observaram enormes planetas gasosos jovianos, com até três vezes a massa de Júpiter (mil massas terrestres), que orbitam a uma distância de até 0,25 unidades astronômicas  (UA) de sua estrela, ou menores, as super-Terras e os planetas da classe Netuno (entre 15 e 30 massas terrestres).

Apenas 22 dessas estrelas têm planetas detectáveis (33 exoplanetas no total), dentro desta gama de massas e distâncias orbitais. Após levar em conta estatisticamente, o fato de que algumas estrelas foram observadas mais freqüentemente do que outras, os pesquisadores estimaram que cerca de 1,6% das estrelas do tipo solar na amostra possuíam planetas tipo Júpiter e 12% delas continham super-Terras (com 3 a 10 massas terrestres).

A equipe conclui que, se persistir a tendência de aumento no número de exoplanetas menores, 23% das estrelas têm planetas semelhantes à Terra.

Mundos terrestres

De acordo com as estatísticas, Howard e Marcy (um dos membros da missão Kepler da NASA está rastreando 156.000 estrelas fracas para pesquisar possíveis trânsitos planetários), estimam que o telescópio irá detectar uma quantidade entre 120 e 260 de “mundos plausivelmente terrestres”, girando em torno de 10.000 estrelas anãs tipo G e K, com períodos orbitais fechar inferior a 50 dias.

Histograma massas estelares

Histograma do número de eta-terras x massa estelar. Crédito: Howard & Marcy

“Um dos objetivos da astronomia é encontrar o valor do número denominado por “eta-Terra” (ηTerra), a fração de estrelas do tipo solar com planetas potencialmente habitáveis”, explica Howard. “Esta é uma primeira estimativa e os dados reais podem ser um em cada oito (ηTerra = 1/8) em vez um em cada quatro (ηTerra = 1/4). Mas o resultado jamais será um em cada 100 (ηTerra = 0,01), que já é uma excelente notícia”.

Nos resultados não foram considerados doze planetas considerados como candidatos, mas que requerem confirmações adicionais, destacou Marcy. Se estes planetas candidatos forem também incluídos na contagem, os números mudam: a equipe detectou um total de 45 planetas orbitando 32 estrelas.

Carlos Oliveira (AstroPT) fez uma coletânea de artigos sobre este tema no post: Universo cheio de Terras

Fontes

NASA: NASA Survey Suggests Earth-Sized Planets are Common

SINC: Uno de cada cuatro ‘soles’ podría tener planetas del tamaño de la Tierra

AstroPT: Universo cheio de Terras

Infográfico (*)

Folha on-line: Há até 25 planetas semelhantes à Terra, dizem cientistas

Artigo Científico

Andrew W. Howard, Geoffrey W. Marcy, John Asher Johnson, Debra A. Fischer, Jason T. Wright, Howard Isaacson, Jeff A. Valenti-Jay Anderson, Doug N. C. Lin y Shigeru Ida. “The Occurrence and Mass Distribution of Close-in Super-Earths, Neptunes, and Jupiters”. Science 330, 29 de outubro de 2010.

._._.

10 comentários

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  1. Guilherme.

    ROCA, boa tarde,

    Excelente explicação sobre os trânsitos planetários, realmente é a lgo a ser considerado, não tinha pensado no assunto. Mas ocorre que as pesquisas sobre exoplanetas tem sido negligenciadas, em termos de prioridade e recursos, e também em termos de alvos para a detecção.
    Ricardo, em que facilita pesquisar anãs vermelhas, em detrimento de anãs amarelas ou laranja?

  2. Robinson

    Olá Guilherme não falei em constpiração sei que existe muita coisa que é real e a maioria é apenas uma forma que os sem vergonha o fazem para ganhar muita grana em cima de pessoas de boa fé. Porém hoje em dia cabe a nós discernirmos o que é certo e o que é errado. Mas é muito bom e importante os pontos de vista de cada um assim mantemos um dialogo aberto e sempre trocando conhecimentos.
    Roca eu não havia me ligado neste fator de tempo de trânsito de um exoplaneta tipo terra de 1 ou mais anos hehehe, vacilo meu mas mesmo assim ainda acredito que existam muitos outros planetas orbitandos Sois semelhantes ao nosso por ai à fora.
    Estou ansioso de que algum dia ainda em vida eu possa ouvir falar de um local onde exista vida de semelhantes hominídeos exploradores como nós.
    E para terminar sobre o caso conspiração os governantes do mundo tem um acordo sobre descobertas de comunicações e sinais vindo de outros lugares da nossa galaxia, e isso não é conspiração eles realmente se descobrirem algum sinal de tecnologia inteligente no espaço eles debaterão se irão ou não tornar publico. Basta pesquisar a politica do projeto SETI.
    Bom agradeço pelo espaço e pelas importantes informações sobre o que fascina o mundo, o Universo.
    Um abraço a todos.

  3. Janeth

    Sou fascinada por conhecer novos sistema planetários, como nosso universo é vasto e exuberante…mas há muitos duvidosos do assunto. inclusive alunos de hoje nao acreditam que o homem nao foi à lua….kkkkk

    1. ROCA

      Cabe a nós mais experientes e mais velhos atuarmos como educadores e sempre esclarecer, levando o conhecimento aos mais novos. Se eles vão aceitar a mensagem, acreditar ou não, aí já não é mais nosso problema. Por outro lado, temos o nosso papel a cumprir e não podemos esmorecer.

      Continue ensinando e divulgando ciências! Esse é o caminho.

  4. Guilherme.

    Caro Robinson, em meu comentário procurei expor observações minhas nesse tema, exoplanetas. Me causa estranheza a atitude da Nasa, que possui o Kepler, atualmente o único capaz de detectar algo próximo da Terra.
    Não acredito em teorias da conspiração, acho que é trabalho de quem quer ganhar dinheiro fácil, mas no ramo científico tenho visto certa má vontade em termos de descobrir um planeta tipo terra ou super terra numa estrela vizinha, o que permitiria captar dados da atmosfera e detectar um póssível oceano, o que não é possível num exoplaneta mais distante.

    1. ROCA

      Oops! Nada disso!

      Não há má vontade alguma, muito pelo contrário.

      Vejamos o caso do Kepler,

      Para que uma ‘super-terra’ em zona habitável faça um trânsito em sua estrela tipo Sol leva em média 1 ano.

      Para a detecção de um exoplaneta é necessário pelo menos 2 trânsitos para torná-lo um “candidato a exoplaneta”… Contudo, 2 trânsitos de super terra em zona habitável leva em média 2 anos. Assim 2 anos é o tempo mínimo para se detectar tal tipo de exoplaneta.

      O projeto Kepler espera encontrar ‘super-terras’ e ‘terras’ em zona habitável em 3 anos… temos que aguardar mais um pouco. Antes disso, só Júpiteres-quentes, por agora, pois eles orbitam seus sóis em dias ou semanas. Por isso eles já apareceram aos olhos do Kepler.

      Júpiter-quentes além de grandes transitam várias vezes ao longo de 1 ano… assim é bem mais fácil, não é?

      Ainda acha que há má-vontade? O que há é uma forte dose de Paciência!!!

  5. Robinson

    Guilherme você falou pouco mas falou certo. Tipo eu acredito que eles vasculham as estrelas proximas e devem terem detectado planetas e possivelmente vida, mas como é de praxe destes governos eles omitem muita coisa, não só por não terem certezas mas talves também para não perderem seu monopolio. A propria igreja catolica já admitiu que pode haver outros planetas habitados por seres inteligentes, e se nós formos mais a fundo e pesquisar sobre o passado de nosso proprio planeta poderemos tirar base para muita coisa pois como disse um cientista “seria muito desperdicio de espaço e tempo existir somente um planeta habitado.
    Eu estudo um pouco de tudo e acredito piamente que nosso planeta é apenas mais um dentre muitos com civilização avançada.
    ROCA seu blog esta cada vez melhor continue assim nos maravilhando com estas informações preciosas sobre o nosso universo astronomico.
    Um grande abraço.

  6. Rafael

    Gostaria de deixar meu agradecimento para as pessoas que criaram este blog… É leitura obrigatória e cada vez mais rara nesse país que não da valor as coisas boas.. um grande abraço

  7. Miguel

    As estimativas acima citadas e publicadas são interessantes: a cada 100 estrelas similares ao sol, há 12 super terras e 23 exoplanetas tipo terra. Isso aumenta, apesar de variáveis, a possibilidade de encontrarmos um exoplaneta rochoso, em zona habitável, capaz de manter atmosfera, e quem sabe água. Claro: é apenas estimativa e observações (observações durante 5 anos), mas é muito boa noticia. Probabilidade otimista.

  8. Guilherme.

    Não entendo porque tem sido dada certa prioridade à observação de estrelas distantes, ou mesmo estrelas onde não há expectativa de planetas tipo terra ou super terra, ou mesmo estrelas nas quais não há a menor expectativa de haver vida em seus eventuais planetas, em detrimento de estrelas próximas, de tipos adequados e bastante promissores em termos de exploração espacial futura. Principalmente na missão Kepler, que parece focar na descoberta de grande quantidade de Júpiter quente… É uma forma de estar sempre na mídia, ainda que de maneira tímida.

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