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Dupla de astrônomos sugere que as Nuvens de Magalhães são galáxias roubadas de Andrômeda pela Via Láctea

Grande Nuvem de Magalhães por John P Gleason

Grande Nuvem de Magalhães por John P Gleason

As galáxias vizinhas Grande Nuvem de Magalhães e Pequena Nuvem de Magalhães são objetos peculiares, em geral consideradas como “pontos fora da curva” dentro do bem comportado conjunto de galáxias satélites que gravitam em volta da Via Láctea.

Galáxias satélites com características incomuns

Sabemos que suas velocidades relativas estão muito perto da velocidade de escape da Via Láctea, o que as exclui de um provável cenário de formação como parte do nosso sistema galáctico. Além disso, a direção das suas trajetórias é quase perpendicular ao disco galáctico e do sistema de galáxias satélites, um fato bizarro para galáxias-anãs especialmente tão grandes como as Nuvens de Magalhães.  Estas deveriam mostrar um maior alinhamento com o plano galáctico se tivessem sido formadas no conjunto do sistema da Via Láctea. E tem mais: seus conteúdos gasosos são também díspares em relação aos encontrados nas outras galáxias satélites da Via Láctea.

A Pequena Nuvem de Magalhães capturada por Bogdan Jazyna©

A Pequena Nuvem de Magalhães capturada por Bogdan Jazyna©

A combinação destas características paradoxais podem ser indícios de que as Nuvens de Magalhães não são nativas do sistema da Via Láctea, ou seja, que tenham sido interceptadas pela nossa galáxia espiral gigante.

Mas, de onde vieram as Nuvens de Magalhães? Embora esta proposição não seja propriamente nova, um artigo recente, publicado no Astrophysical Journal Letters, indica que estas duas galáxias podem ter sido capturadas pela Via Láctea após uma interação anterior com a Galáxia de Andrômeda (M31).

Para analisar esta proposta, os pesquisadores Y. Yang (Academia de Ciências da China, em Pequim) e F. Hammer (Universidade de Paris) fizeram simulações para entender as posições relativas das Nuvens de Magalhães no passado. Embora tudo isto até pareça muito simples, o processo de cálculo não o é. Dado que as galáxias são grandes objetos cósmicos, suas formas tridimensionais e perfis de massa devem ser muito bem modelados para se estimar com precisão seus percursos. Além disso, a Galáxia de Andrômeda está em constante movimento e naturalmente estaria em outra posição da que é vista atualmente.

Esta visão de campo largo nos mostra a Pequena (à esquerda) e a Grande Nuvem de Magalhães. Crédito: ESO

Esta visão de campo largo nos mostra a Pequena (à esquerda) e a Grande Nuvem de Magalhães. Crédito: ESO

Quando terá ocorrido esta expulsão galáctica? É uma questão importante, mas não é nada fácil de responder se levarmos em conta a dificuldade de simular os movimentos próprios de objetos tão longínquos e massivos.

E o pior, há mais problemas a tratar. Temos que nos lembrar que há uma grande quantidade de massa que não pode ser observada! A presença e distribuição da matéria escura afeta seriamente a trajetória das galáxias expelidas. Felizmente, a Via Láctra parece estar numa longa fase de inatividade e outros estudos estabelecem que os halos de matéria escura sejam majoritariamente esféricos se não forem violentamente perturbados. Além do mais, os distantes aglomerados galácticos como o superaglomerado de Virgem também poderiam afetar as suas trajetórias.

Detalhes da Grande Nuvem de Magalhães revelados pela câmera WFI do observatório de La Silla, no Chile. Crédito: ESO/La Silla

Detalhes da Grande Nuvem de Magalhães revelados pela câmera WFI do observatório de La Silla, no Chile. Crédito: ESO/La Silla

Estas incertezas influenciam no que seria um simples problema de física e o transformam em um caso no qual os pesquisadores foram forçados a explorar os parâmetros espaciais com uma pletora de variáveis para verificar se os valores estavam coerentes. Ao fazê-lo, a dupla de astrônomos concluiu que “este poderia ser o caso, dentro de um conjunto razoável de parâmetros, tanto para a Via Láctea como para M31 (Andrômeda).” Sendo assim, as Nuvens de Magalhães passaram de 4 a 8 bilhões de anos viajando pelo espaço intergaláctico antes de serem capturadas pela nossa Via Láctea.

Painéis à esquerda e central: estimativas das trajetórias da LMC (Grande Nuvem de Magalhães) e da M31 (galáxia de Andrômeda). Para os valores médios (q=1) os cálculos indicam que LMC e M31 colidiram há 6,1 bilhões de anos. Painel à direita: possíveis soluções para o movimento próprio da M31 que satisfazem a hipótese proposta. Clique nesta imagem para saber mais detalhes. Crédito: Y. Yang & F. Hammer

Painéis à esquerda e central: estimativas das trajetórias da LMC (Grande Nuvem de Magalhães) e da M31 (galáxia de Andrômeda). Para os valores médios (q=1) os cálculos indicam que LMC e M31 colidiram há 6,1 bilhões de anos. Painel à direita: possíveis soluções para o movimento próprio da M31 que satisfazem a hipótese proposta. Clique nesta imagem para saber mais detalhes. Crédito: Y. Yang & F. Hammer

Podem existir mais provas para suportar esta teoria? Os autores lançaram a hipótese que se Andrômeda tivesse passado por um evento de interação com as Nuvens naquela escala, provavelmente teria induzido grandes quantidades de formação estelar. Como tal, deveríamos observar um aumento do número de estrelas com a idade compatível posterior ao evento de colisão. No entanto, os autores não confirmam isto agora neste estudo. Mesmo assim, esta é uma hipótese muito interessante e nos lembra quão dinâmico pode ser o nosso Universo.

Fonte

Universe Today: Stolen: Magellanic Clouds – Return to Andromeda por Jon Voisey

Artigo científico

Could the Magellanic Clouds be tidal dwarves expelled from a past-merger event occurring in Andromeda? por Y. Yang e F. Hammer

._._.

1 comentário

2 menções

  1. ROCA

    .

  1. Ken Freeman fala sobre como se detectar a Matéria Escura a partir da análise da rotação das Galáxias « O Universo – Eternos Aprendizes

    […] Entusiasta da observação do céu a “olho-nú“, ele confessa ser admirador das Nuvens de Magalhães. Ken Freeman, além de ser uma figura ativa na astronomia internacional, é catedrático na Escola […]

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