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set 22

NGC 1365: A Grande Galáxia Espiral Barrada foi estudada em infravermelho pela câmera HAWK-I do VLT do ESO

Comparação das imagens feitas pelo VLT do ESO com a NGC 1365 no visível (câmera FORS1) e no infravermelho (câmera HAWK-I, à direita). Crédito: ESO/P. Grosbøl

Comparação das imagens feitas pelo VLT do ESO com a NGC 1365 no visível (câmera FORS1) e no infravermelho (câmera HAWK-I, à direita). Crédito: ESO/P. Grosbøl

O ESO divulgou uma nova imagem obtida com a potente câmara HAWK-I montada no Very Large Telescope do ESO, Observatório Monte Paranal, Chile, que exibe a galáxia NGC 1365 na faixa do espectro infravermelho. Esta bela e grande galáxia espiral barrada faz parte do aglomerado de galáxias Fornax, que dista cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra.

ESO1038a - NGC 1365 em infravermelho: a imagem é uma composição de 4 tomadas nos filtros Y, J, H e K da câmera HAWK-I do VLT. Os tempos de exposição foram, respectivamente, 4, 4, 7 e 12 minutos. Crédito: ESO/P. Grosbøl

ESO1038a – NGC 1365 em infravermelho: a imagem é uma composição de 4 tomadas nos filtros Y, J, H e K da câmera HAWK-I do VLT. Os tempos de exposição foram, respectivamente, 4, 4, 7 e 12 minutos. Crédito: ESO/P. Grosbøl

 

A Grande Galáxia Espiral Barrada

NGC 1365 tem sido uma das mais bem estudadas galáxias espirais barradas, também chamada de Grande Galáxia Espiral Barrada, devido à sua forma praticamente perfeita, com uma barra bem definida e dois elegantes e alongados braços espirais exteriores. Próximo do centro galáctico há uma segunda estrutura espiralada. A galáxia encontra-se imersa em um ‘mar de poeira’.

Esta galáxia é considerada um ótimo modelo no estudo da formação e evolução das galáxias espirais barradas. Estas novas imagens infravermelhas do HAWK-I são menos prejudicadas pela poeira que esconde partes da galáxia quando observável no espectro visível (veja The Great Barred Spiral Galaxy ESO1037a). Assim, as novas observações nos mostram de maneira nítida, o brilho de um grande número de estrelas situadas tanto na barra como nos braços em espiral.

Como funcionam as galáxias espirais barradas?

Estes dados foram adquiridos com a intenção de se entender o funcionamento da complexo fluxo de matéria situada no interior da galáxia e a maneira pela qual esta corrente interage com os depósitos de gás onde nascem novas estrelas. A enorme barra perturba a forma do campo gravitacional da galáxia originando zonas onde o gás é comprimido, gerando a formação estelar. Aglomerados estelares jovens grandes ornamentam os braços espirais principais, cada qual contendo centenas a milhares de estrelas jovens brilhantes com menos de dez milhões de anos de idade. Infelizmente, esta galáxia encontra-se longe demais para que possamos discernir estrelas individuais, ou seja, muitos dos pequenos pontos luminosos da imagem são na realidade aglomerados estelares.  A taxa de formação estelar média em toda a galáxia foi estimada em cerca de três vezes a massa do nosso Sol por ano.

Embora a barra da galáxia seja predominantemente formada por estrelas antigas, muitas estrelas ainda nascem nas maternidades estelares de gás e poeira situadas na espiral interior próxima do núcleo. A barra também canaliza gravitacionalmente gás e poeira para o centro galáctico, onde os astrônomos encontraram evidências da presença de um buraco negro supermassivo, escondido entre as miríades de estrelas novas intensamente brilhantes.

NGC 1365 no espectro visível, capturada pelo telescópio Dinamarquês de 1,5m em La Silla, Chile. Crédito: ESO/IDA/Danish 1,5 m/ R. Gendler, J-E. Ovaldsen, C. Thöne, and C. Feron.

NGC 1365 no espectro visível, capturada pelo telescópio Dinamarquês de 1,5m em La Silla, Chile. Crédito: ESO/IDA/Danish 1,5 m/ R. Gendler, J-E. Ovaldsen, C. Thöne, and C. Feron.

A NGC 1365 tem um diâmetro medido em 200.000 anos-luz, incluindo seus dois gigantes braços em espiral. As diferentes partes da galáxia levam tempos diferentes a dar uma volta completa em torno do centro, estima-se que a zona mais exterior da barra leva cerca de 350 milhões de anos a completar uma órbita.

A NGC 1365 e outras galáxias do mesmo tipo foram observadas mais atentamente em anos recentes quando novas observações indicaram que a Via Láctea poderia também ser uma galáxia espiral barrada. Este tipo de galáxias é relativamente comum, calculou-se recentemente que dois terços de todas as galáxias espirais são barradas e por isso estudar outras galáxias do mesmo tipo poderá ajudar os astrônomos compreender melhor nossa própria casa galáctica, a Via Láctea.

Fonte

O artigo acima é uma tradução livre, com adaptações editoriais e complementos, do anúncio do ESO no link abaixo:

ESO: An Elegant Galaxy in an Unusual Light

._._.

1 comentário

  1. Débora Vitória

    Muito bom!

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