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ago 05

Poderiam as bactérias extremófilas do Rio Tinto sobreviver no clima hostil marciano?

O Rio Tinto (Huelva) é um lugar povoado por bactérias extremófilas. Poderiam estas bactérias já estarem preparadas para sob sobreviver em Marte? Crédito: Armando Aguillera Perez

O Rio Tinto (Huelva) é um lugar povoado por bactérias extremófilas. Poderiam estas bactérias já estarem preparadas para sob sobreviver em Marte? Crédito: Armando Aguillera Perez

Um grupo de cientistas, liderado pelo Centro de Astrobiologia (INTA-CSIC) descobriu que as bactérias do Rio Tinto (Huelva) são capazes de sobreviver em condições semelhantes às de Marte. Esta pesquisa, publicada na revista Icarus, constitui parte dos estudos preparatórios para a viagem da sonda robótica Mars Science Laboratory, que em 2011, analisará a presença de vestígios fósseis da vida e as condições de habitabilidade do Planeta Vermelho.

Extremófilos sobreviventes

A comunidade científica já confirmou que Marte teve água em abundância no passado remoto e agora está focada na análise das suas condições de habitabilidade. Neste contexto, um grupo de pesquisadores submeteu um grupo de bactérias às condições de vida na superfície marciana e comprovou que um alto percentual delas conseguiria sobreviver nestas condições extremas.

Para executar este trabalho, os organismos empregados foram colhidos a partir de amostras da Bacia do Rio Tinto, em Huelva, Espanha, devido a sua semelhança com o ecossistema marciano. A investigação foi liderada pelo cientista Felipe Gomez do Centro de Astrobiologia (um centro que congrega o CSIC em conjunto com o Instituto Nacional de Tecnologia Aeroespacial, INTA), em Madrid. Esta pesquisa está inserida no âmbito das futuras missões da NASA/ESA a Marte.

“Tendo provado a existência de água no passado [de Marte] e com as evidências indiretas que sugerem a possível presença de água na atualidade, o próximo passo das expedições a Marte será a investigação do subsolo do planeta”, disse Gomez. “Nosso experimento buscou a avaliação das condições de habitabilidade nesse ambiente”, completou o astrobiólogo.

“A radiação em Marte é muito elevada, o que gera processos oxidantes, que parecem impedir a vida de superfície. Assim, nós queríamos saber se a vida em Marte seria viável, sob a proteção conferida pelo subsolo”, acrescentou o pesquisador.

Óxidos de ferro

Os dados fornecidos pelas sondas que têm explorado Marte nos revelaram o alto teor de minério de ferro presente no planeta. Por isto, ao escolher um ser vivo terrestre para realizar os ensaios de habitabilidade, os pesquisadores optaram por bactérias quimiolitotróficas, estreitamente relacionadas com o ciclo do ferro.

“Nós desenvolvemos diminutas pastilhas de minério de ferro que simularam a poeira da superfície marciana (regolito), que foram depositados sobre as bactérias”, explica Gómez. Depois, as bactérias foram sujeitos a condições muito restritas, semelhante ao cenário presente em Marte: uma pressão de 7 milibares, uma temperatura superior a 170º C e condições específicas relativas tais como a presença elevada dos raios UV (ultravioleta).

Segundo os autores, as análises mostraram altas taxas de sobrevivência. Após um período de longa exposição, as bactérias sobreviventes representaram acima de 35% da amostra quando estavam protegidas por uma fina camada de solo, com apenas dois milímetros. Quando a camada protetora foi aumentada para 5 mm, as taxas de sobrevivência atingiram 40% e ao repetir a experiência com intervalos de tempo mais curtos, a taxa de sucesso chegou a atingir 50%.

“Os resultados claramente estabelecem a viabilidade desses grupos de bactérias em um ambiente tão restritivo como o deste estudo. Devemos ter em mente que submetemos as bactérias em condições muito mais difíceis do que as que podem ocorrer em uma multiplicidade de Marte ao longo dos anos”, disse Gómez.

Mars Science Laboratory

Assim, este estudo fornece dados preliminares para o trabalho a ser realizado pelo Mars Science Laboratory da NASA, com lançamento previsto para 2011 e tem a participação do Centro de Astrobiologia.

“Esta missão visa estudar as possibilidades de presença de vestígios da vida e da vida na superfície marciana. A pesquisa que fazemos aqui na Terra é preparatória para a missão definitiva sobre Marte, que vai determinar a existência ou não de vida no planeta vermelho”, finalizou Gomez.

Fonte

SINC: Las bacterias de Río Tinto podrían sobrevivir en Marte

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