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jul 08

ESO e NASA revelam o mais poderoso microquasar já observado

Micro-quasar: buraco negro estelar que pertence a um sistema binário ilustrado nesta concepção artística. Repare nos jatos colimados ejetados a partir dos pólos do Buraco Negro em rotação. Créditos: ESO/L. Calçada/M.Kornmesser

Micro-quasar: buraco negro estelar que pertence a um sistema binário ilustrado nesta concepção artística. Repare nos jatos colimados ejetados a partir dos pólos do Buraco Negro em rotação. Créditos: ESO/L. Calçada/M.Kornmesser

Astrônomos combinaram observações a partir do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do observatório espacial de raios-X Chandra da NASA e descobriram o mais poderoso par de jatos de matéria já vistos em um buraco negro de dimensão estelar. Este microquasar ejeta um par de potentes feixes de partículas que insuflam uma enorme bolha cósmica, com 1.000 anos-luz de extensão. Este jato é duas vezes maior e dezenas de vezes mais poderoso que outros já observados em micro-quasares.

“Ficamos surpresos com a enorme quantidade de energia insuflada no gás pelo buraco negro,” disse o líder da equipe Manfred Pakull. “Embora este buraco negro tenha apenas algumas massas solares, trata-se de uma verdadeira versão em miniatura dos mais poderosos quasares e rádio-galáxias, os quais contêm buracos negros com massas de alguns milhões de vezes a massa do Sol.”


Os jatos do micro-quasar insuflam uma enorme bolha de gás cósmico

Os buracos negros são conhecidos por liberarem enormes quantidades de energia enquanto engolem matéria. Os cientistas estimam que a maior parte desta energia fornecida sob a forma de radiação, principalmente sob a forma de raios X. No entanto, esta nova descoberta demonstra que alguns buracos negros podem também liberar talvez até mais energia sob a forma de jatos colimados de partículas elementares movendo-se a velocidades relativísticas. Os jatos ultra rápidos se chocam contra o gás interestelar circundante, aquecendo-o e produzindo uma expansão desse gás. A bolha insuflada contém uma mistura de gás quente e partículas ultra-rápidas a diferentes temperaturas. Observações feitas sob distintas freqüências do espectro (luz visível, rádio e raios X) ajudam os astrônomos a calcular a taxa total pela qual o buraco negro aquece o meio circundante.

Assim, os astrônomos observaram as zonas onde os jatos se chocam contra o gás interestelar que circunda o buraco negro, revelando que a bolha de gás quente se encontra em crescimento a uma velocidade de quase um milhão de quilômetros por hora.

“O tamanho dos jatos na NGC 7793 é impressionante, quando comparado com o tamanho do buraco negro a partir do qual são ejetados,” disse o co-autor Robert Soria [1]. “Se o buraco negro fosse do tamanho de uma bola de futebol, cada jato estender-se-ia desde a Terra até para além da órbita de Plutão.”

Este trabalho ajudará os astrônomos a compreender a semelhança entre os buracos negros pequenos formados de explosões de estrelas e os buracos negros super-massivos que se encontram no centro das galáxias. Jatos muito poderosos ejetados a partir de buracos negros super-massivos têm sido observados, mas pensava-se que este fenômeno seria menos freqüente nos micro-quasares. A descoberta sugere que muitos deles podem simplesmente ter escapado à nossa detecção até o momento.

Imagem da galáxia espiral caótica NGC 7793, observada através do dispositivo FORS instalado no Very Large Telescope do ESO em Cerro Paranal, Chile. A imagem é uma composição de dados obtidos usando os filtros B, V, I e Hidrogênio-alfa. Crédito: ESO

Imagem da galáxia espiral caótica NGC 7793, observada através do dispositivo FORS instalado no Very Large Telescope do ESO em Cerro Paranal, Chile. A imagem é uma composição de dados obtidos usando os filtros B, V, I e Hidrogênio-alfa. Crédito: ESO

O micro-quasar que está insuflando o gás interestelar reside a 12 milhões de anos-luz de distância da Terra, na periferia da galáxia espiral NGC 7793 (eso0914b). Através do tamanho e da velocidade de expansão da bolha, os astrônomos descobriram que estes jatos estão ativos há cerca 200.000 anos.

O trabalho de Manfred e sua equipe foi publicado em artigo científico na revista Nature:

  • A 300 parsec long jet-inflated bubble around a powerful microquasar in the galaxy NGC 7793, por Manfred W. Pakull, Roberto Soria e Christian Motch

Nota

[1] Os astrônomos não têm ainda maneira de medir o tamanho do buraco negro propriamente dito. O menor buraco negro já descoberto até agora tem um raio de cerca de 15 km. Um buraco negro estelar médio com cerca de 10 massas solares tem um raio de 30 km, enquanto que um buraco negro “grande” pode ter um raio de 300 km. O que é sempre muito menor do que os jatos, que se estendem até cerca de várias centenas de anos-luz nos pólos do buraco negro!

Fontes e referências

ESO:

._._.

1 comentário

1 menção

  1. Janet Jabour

    Obrigado.Bjs.

  1. Os Blazares e os jatos relativísticos « O Universo – Eternos Aprendizes

    […] pelos discos de acresção ao redor dos buracos negros, sejam eles os de massa estelar (os microquasares) ou os supermassivos encontrados nos núcleos galácticos. No último caso, os jatos emergem das […]

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