Missão Cassini ganha verbas adicionais e tem seu prazo estendido até 2017


A 20 graus acima do plano dos anéis, a câmera grande angular da sonda Cassini capturou 75 exposições em série para fazer este mosaico de Saturno, dos anéis, e algumas das suas luas, 36 horas depois do equinócio de Saturno, quando o disco solar estava exatamente por cima do equador do planeta. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

A câmera grande angular da sonda Cassini capturou 75 exposições em série para fazer este mosaico de Saturno, dos anéis, e algumas das suas luas, 36 horas depois do equinócio de Saturno, quando o disco solar estava exatamente por cima do equador do planeta e a 20 graus acima do plano dos anéis. Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

A NASA vai prolongar a missão internacional Cassini-Huygens, a Saturno e às suas luas, até 2017. O orçamento de 2011 da agência espacial prevê um aditivo de 60 milhões de dólares por ano para o estudo continuado do planeta “Senhor dos Anéis”.

“Esta é uma missão que continuamente fornece resultados científicos surpreendentes e imagens de cortar a respiração”, afirmou Jim Green, diretor da divisão de ciência planetária na sede da NASA em Washington. “As históricas descobertas e espetaculares imagens deste viajante espacial têm revolucionado nosso conhecimento de Saturno e das suas luas.”

Cassini capturou em 17 de julho de 2007 esta imagem da congelada lua Réia em trânsito logo abaixo do plano do disco dos anéis de Saturno. Réia é a segunda lua em tamanho de Saturno com 1.528 km de diâmetro. Crédito: NASA/missão Cassini

Cassini capturou em 17 de julho de 2007 esta imagem da congelada lua Réia em trânsito logo abaixo do plano do disco dos anéis de Saturno. Réia é a segunda lua em tamanho de Saturno com 1.528 km de diâmetro. Crédito: NASA/missão Cassini

Uma missão de extraordinário sucesso

A sonda robótica Cassini foi lançada ao espaço em outubro de 1997, em conjunto com a sonda Huygens da ESA. Chegaram a Saturno em 2004. A Huygens estava equipada com seis instrumentos para estudar Titã, a maior lua de Saturno, onde pousou. Os 12 instrumentos da Cassini há já quase seis anos que enviam dados diários do sistema de Saturno. O projeto tinha seu final planejado para 2008, mas, devido ao seu sucesso, a missão havia recebido um prolongamento de 27 meses, até setembro de 2010.

“A extensão fornece uma oportunidade única para seguir as mudanças sazonais de um planeta do sistema solar exterior, desde seu inverno até o verão,” afirmou Bob Pappalardo, cientista do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. Porém, “algumas das descobertas mais intrigantes da Cassini ainda estão para vir”.

Epimetheus desenha uma sombra sobre os anéis de Saturno. Cassini capturou essa imagem em 8 de junho de 2009, antes do equinócio de Saturno, agosto de 2009. A pequena lua Epimetheus tem 113 km de diâmetro e aparece como um pequeno ponto no centro da parte inferior da imagem. Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

Epimetheus desenha uma sombra sobre os anéis de Saturno. Cassini capturou essa imagem em 8 de junho de 2009, antes do equinócio de Saturno, agosto de 2009. A pequena lua Epimetheus tem 113 km de diâmetro e aparece como um pequeno ponto no centro da parte inferior da imagem. Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

O programa foi prorrogado pela segunda vez

Esta segunda extensão do programa, denominada Missão Solstício da Cassini, permitirá aos cientistas estudar as mudanças sazonais e a longo-prazo do planeta e das suas luas. A Cassini chegou a Saturno pouco depois do solstício de Inverno no hemisfério norte de Saturno, e esta extensão continua até poucos meses depois do solstício de Verão no mesmo hemisfério, em maio de 2017. O solstício de verão no hemisfério norte de Saturno marca o início dessa estação e o começo do inverno no hemisfério sul.

Um período sazonal completo de Saturno nunca tinha sido estudado neste nível de detalhe. O calendário da missão requer 155 órbitas adicionais em torno do planeta, 54 vôos rasantes por Titã e 11 fly-bys pela lua criogênica Enceladus.

O perfil da enigmática lua Titã aparece neste mosaico construído a partir de 2 conjuntos de 3 fotos cada (3 filtros: azul, verde e vermelho). A Cassini mostra aqui a atmosfera de Titã em destaque. As fotos foram capturadas em 12 de outubro de 2009 a uma distância de 145.000 km de Titã. Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

O perfil da enigmática lua Titã aparece neste mosaico construído a partir de 2 conjuntos de 3 fotos cada (3 filtros: azul, verde e vermelho). A Cassini mostra aqui a atmosfera de Titã em destaque. As fotos foram capturadas em 12 de outubro de 2009 a uma distância de 145.000 km de Titã. Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

O prolongamento da missão também permitirá aos cientistas continuar as observações dos anéis de Saturno e da bolha magnética em torno do planeta conhecida como magnetosfera. A sonda fará mergulhos repetidos entre Saturno e os seus anéis para obter um conhecimento íntimo do gigante gasoso. Durante estes mergulhos, a Cassini irá estudar a estrutura interna de Saturno, as suas flutuações magnéticas e a massa anular.

A missão será avaliada periodicamente para garantir que a sonda tem a capacidade de altingir os novos objetivos científicos planejados para a segunda extensão do programa Cassini.

Cassini mostra as duas faces da incomum lua Japeto (Iapetus). Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

Cassini mostra as duas faces da incomum lua Japeto (Iapetus). Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

“A espaçonave tem estado em perfeita operação, tolerando os efeitos esperados da sua idade e após ter ultrapassado os 4,1 bilhões de quilômetros no seu odômetro,” afirmou Bob Mitchell, gestor do programa Cassini no JPL. “Esta extensão é importante porque há ainda muito a aprender acerca de Saturno. O planeta está recheado de segredos e não os revela para nós facilmente.”

O álbum de viagem da Cassini inclui mais de 210.000 imagens, informações recolhidas durante mais de 125 revoluções em torno de Saturno, 67 “flybys” por Titã e 8 por Enceladus. A Cassini revelou detalhes inesperados na assinatura dos anéis do planeta e  observações de Titã forneceram aos cientistas uma impressão de como a Terra poderia ter sido antes do desenvolvimento da vida.

Concepção artística mostra os criovulcões de Enceladus e a visão de Saturno vista desta misteriosa lua congelada. Crédito©: David-Kingsley Kendel

Concepção artística mostra criovulcões de Enceladus e a Saturno visto desta misteriosa lua congelada. Crédito©: David-Kingsley Kendel

Os cientistas esperam ver respondidas as suas diversas dúvidas que surgiram no decorrer da missão, por exemplo, as razões da rotação inconsistente notada em Saturno e como é que um possível oceano sob a superfície de Enceladus alimenta os jatos de seus criovulcões.

Fontes

NASA Extends Cassini’s Tour of Saturn, Continuing International Cooperation for World Class Science

Moon, Shadow and Rings

Enigmatic Titan

Em 8 de abril de 2009, Cassini fotografou a sombra da lua Mimas sobre os anéis nesta imagem em cor natural. A posição do Sol em relação a Saturno permite a visão das sombras das luas que orbitam próximas do plano do discos anelares. Estas cenas somente são possíveis nos meses antes e depois do equinócio de Saturno, evento que ocorre a cada 15 anos terestres.  A lua Mimas (396 km de diâmetro) não aparece nesta imagem.Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

Em 8 de abril de 2009, Cassini fotografou a sombra da lua Mimas sobre os anéis nesta imagem em cor natural. Neste cenário, a posição do Sol em relação a Saturno permitia a visão das sombras das luas que orbitam próximas do plano do discos anelares. Estas cenas somente são possíveis nos meses antes e depois do equinócio de Saturno, evento que ocorre a cada 15 anos terestres (agosto de 2009) . Mimas (396 km de diâmetro) não aparece nesta imagem. Crédito: NASA/JPL/missão Cassini

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  1. #1 by ROCA at 8 de fevereiro de 2010

    Caro Luiz Bonfim,
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    Sua pergunta é interessante e vou tentar responder.
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    Além de Saturno e seus anéis, Titã e Enceladus, dadas suas características ímpares, são alvos majoritários da missão Cassini. As razões? Titã é a segunda maior lua do Sistema Solar e a que tem atmosfera mais densa. Trata-se de uma lua de hidrocarbonetos, um mundo similar a Terra primordial. Já Enceladus é uma mundo exótico com um oceano subsubperficial com água líquida que é expelida pelos seus criovulcões. São dois mundos extraordinários, muito mais interessantes que as demais luas de Saturno, que também são oportunamente fotografadas, mas não são objetivos os principais da missão.
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    Para entender mais a importância de Titã e Enceladus sugiro ler:
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    Cientistas de Caltech explicam a desconcertante assimetria dos lagos de Titã
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    O surpreendente conteúdo dos mares e lagos de Titã
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    Navegando nos mares alienígenas de Titã
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    Como Titã conseguiu sua atmosfera rica em Metano?
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    Enceladus: o mistério do oceano de água líquida na lua de Saturno foi resolvido?
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    Enceladus: 28 fotos da lua de Saturno em uma só imagem
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    Cassini dá um rasante em Enceladus e manda novas fotos da misteriosa lua gelada de Saturno
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  2. #2 by Luiz Bonfim at 8 de fevereiro de 2010

    Só para conhecimentos de todos, o Planeta Saturno têm cerca de 62 luas conhecidas, mas pode haver outra luas ainda não descobertas com dimensões pequenas.
    Porque a extensão da missão só vai continuar estudar Titã e Enceladus, sendo que o sistema de saturno têm 62 luas conhecidas?

(não será publicado)